Instalações de Energias Renováveis Crescem 8% em 2024, Revela APREN

Portugal fechou 2024 com um salto significativo na transição energética. Os dados divulgados pela APREN mostram que a capacidade instalada de renováveis cresceu 8%, apoiada sobretudo por nova potência solar, e isso já se reflete em preços, emissões e oportunidades para casas e empresas.

Sem tempo? Aqui está o essencial:
✅ Crescimento de 8% na capacidade renovável em 2024, com 1.509 MW adicionados e a energia solar a representar 86% do aumento ☀️
✅ Recorde histórico: 80,4% da eletricidade produzida teve origem renovável; o consumo foi abastecido em 71,5% por “eletricidade verde” ⚡🌿
✅ Poupanças macro: menos importação de combustíveis fósseis estimada em 2.055 M€ e de eletricidade em 289 M€ 💶
✅ Atenção à volatilidade: aumentam horas com preço nulo/negativo e picos quando entra gás; flexibilidade e armazenamento tornam-se essenciais 🧠🔋

Instalações de energias renováveis crescem 8%: o que realmente mudou em 2024

O aumento de 8% na capacidade instalada de renováveis em 2024 não foi um mero ajuste estatístico. Traduz-se em novas centrais, novas ligações à rede e novas formas de produzir e consumir energia. A APREN identifica a entrada em operação de 1.509 MW como motor deste avanço, com a fonte solar fotovoltaica a assegurar 86% deste incremento, sinal de um pipeline robusto e de processos de ligação à rede que finalmente ganharam tração.

O efeito direto sentiu-se na geração: a produção elétrica total foi de 45.637 GWh, e 80,4% desse volume veio de fontes renováveis. Trata-se de um recorde, consolidado por um ano hídrico favorável e pela maturidade eólica. A REN reportou que as renováveis cobriram 71%–71,5% do consumo, uma aproximação consistente à trajetória do PNEC 2030.

Desagregando por tecnologia, a hídrica contribuiu com 31,9% do total (cerca de 14.542 GWh), a eólica com 31% e o solar fotovoltaico com 10,7% (aprox. 4.898 GWh). O crescimento solar, ainda que partindo de base menor, revela a velocidade da curva de aprendizagem, custos em queda e maior profissionalização na promoção e construção de projetos, sobretudo no Alentejo e Ribatejo.

Há também um contexto internacional que empurra na mesma direção. Em 2024, o mundo adicionou mais de 580–585 GW de capacidade renovável, alcançando cerca de 4.4 TW acumulados, representando mais de 90% de todo o novo acréscimo de potência elétrica global. O alinhamento entre Portugal e a tendência mundial reforça a confiança dos investidores e a escala das cadeias de fornecimento.

O resultado mais imediato em Portugal foi a redução do recurso a centrais fósseis. A produção a partir de combustíveis fósseis caiu cerca de 49% face a 2023, com a geração em ciclo combinado a gás natural a recuar 10,7 p.p. Este recuo alimentou uma queda estimada das emissões do sistema eletroprodutor para 1,82 Mt CO₂, face a 3,6 Mt em 2023, praticamente uma redução para metade.

Mesmo com maior produção interna, o saldo importador de eletricidade estabilizou: cerca de 10.442 GWh em 2024, quase em linha com 2023. A manutenção das trocas deve-se a fluxos ibéricos e a janelas horárias em que o perfil de geração e de consumo torna eficiente importar ou exportar, reforçando a utilidade da interligação.

No plano estrutural, a DGEG aponta que, entre 2014 e 2024, a potência instalada total cresceu cerca de 34,9%, com as renováveis a avançarem 77,7%. Isto mostra que o movimento não é conjuntural. É uma transformação persistente, que se traduz em novos hábitos, novas capacidades técnicas e novos modelos de negócio, como PPAs e comunidades de energia.

Em suma, o salto de 2024 é mais do que estatística: consolida um ecossistema que junta recurso natural, engenharia e finanças. E prepara o terreno para a próxima etapa: gerir bem a abundância renovável.

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Preços e contas de energia: poupança estrutural e nova volatilidade

Quando as renováveis crescem, a fatura do país muda. A APREN estima que a produção renovável de 2024 evitou importações de combustíveis fósseis no valor de cerca de 2.055 milhões de euros e reduziu em 289 milhões de euros a necessidade de importar eletricidade. São números macro, mas com impacto direto na balança comercial e no custo de vida.

No mercado diário, mais horas com geração solar e eólica empurram os preços para baixo, chegando a valores nulos ou até negativos em certos períodos. Isso é excelente para consumidores com flexibilidade, mas cria desafios na remuneração dos ativos e na previsibilidade de receitas. Noutras horas, quando o vento cai e o sol se põe, entram centrais a gás e surgem picos de preço.

Como tirar partido deste novo padrão? A resposta está em gerir quando consumir, não apenas quanto. Tarifas com discriminação horária, carregamento inteligente de veículos elétricos e o agendamento de equipamentos como bombas de calor tornam-se alavancas de poupança. Para muitos agregados, um pequeno ajuste de hábitos pode valer dezenas de euros por mês.

Para tornar isto operacional, vale a pena um plano simples de flexibilidade doméstica. Abaixo, um roteiro prático:

  • 🔌 Aderir a tarifa bi-horária: concentre lavagens e secagens nas horas mais baratas.
  • 🔋 Programar a bomba de calor: aqueça o depósito de AQS quando a rede está mais barata e limpa.
  • 🚗 Carregar o VE de madrugada: use o temporizador do carregador para as horas de menor preço.
  • 🌞 Se tem fotovoltaico, ajuste consumos ao sol: cozinhar, aspirar e passar a ferro entre as 11h e 16h maximiza o autoconsumo.
  • 📱 Instalar um monitor de energia: visualize picos e desloque cargas não críticas.

As famílias com microprodução fotovoltaica ganham uma segunda camada de benefício. Em dias de excedente, vender energia ou carregá-la numa bateria doméstica evita desperdício e cria resiliência. A combinação painéis + bateria + gestão suaviza a volatilidade do mercado e dá previsibilidade à fatura.

Numa narrativa prática, imagine o “Apartamento Flores”, em Lisboa, com 3,6 kWp de solar em autoconsumo e uma bateria de 5 kWh. Os moradores programam a bomba de calor de AQS para o meio-dia e o carregamento do VE para depois da meia-noite. Em 12 meses, reduziram a compra à rede em cerca de 35% e amorteceram os picos. O mesmo padrão escala-se para moradias com maiores coberturas e melhor isolamento.

Para quem quer aprofundar estratégias de poupança e sinais de preço, há recursos úteis que explicam o mercado de forma visual e direta. A curadoria de conteúdos certos evita mal-entendidos e ajuda a tomar decisões mais informadas.

Entre a poupança estrutural e a volatilidade quotidiana, o recado é claro: quem for mais flexível paga menos e polui menos. A próxima secção leva esta lógica para a indústria, onde o impacto multiplica.

Renováveis e indústria: do consumo eficiente aos PPAs que travam custos

Os dados de 2024 apontam para uma retoma do consumo industrial em Portugal, com um crescimento de cerca de 3% entre janeiro e outubro. O pano de fundo é uma eletricidade ibérica mais competitiva nas horas de forte produção renovável e uma procura global mais estável em setores como cerâmica, metalomecânica e agroalimentar. Quando a energia fica mais barata, a indústria retoma turnos e amplia linhas.

Para além do efeito preço, a previsibilidade importa. É aqui que entram os PPAs (Power Purchase Agreements): contratos de longo prazo que ligam fábricas a parques renováveis. Com um PPA, uma fábrica de Aveiro pode fixar parte dos custos elétricos por 10–15 anos, reduzindo a exposição a picos. Em 2024, com a maturação do pipeline solar, multiplicaram-se conversas e acordos, muitos com entrega a partir de 2025–2026.

A transição não é apenas financeira. A descarbonização é cada vez mais passaporte de exportação. Fornecedores de marcas globais enfrentam exigências de pegada de carbono e relatórios ESG, e eletricidade de origem renovável pesa nessas métricas. Ao assinar um PPA “verde” ou investir em autoconsumo, uma empresa melhora o score de sustentabilidade e a sua competitividade em concursos.

Há também inovação técnica. O acoplamento de armazenamento em instalações industriais começa a ganhar espaço, sobretudo onde os perfis de carga são irregulares. Uma unidade alimentar com pico de frio ao final da tarde pode deslocar parte da produção de gelo para as horas de solar abundante e descarregar mais tarde, evitando contratar potência adicional.

Os riscos existem e são geríveis. A volatilidade horária cria oportunidades, mas também pede sistemas de controlo e literacia energética. Outra preocupação é a dependência de cadeias globais de equipamentos, ainda concentradas na Ásia. Diversificar fornecedores e prever prazos realistas é boa prática. No front regulatório europeu, discute-se o ajuste do desenho de mercado para integrar mais renováveis sem penalizar a estabilidade de preços.

Um roteiro para PME pode ser simples e eficaz. Primeiro, diagnóstico do perfil de carga e identificação de cargas deslocáveis. Depois, estudo de autoconsumo no telhado e avaliação de PPA para a componente remanescente. Em paralelo, considerar um sistema BMS (Building Management System) para automatizar decisões de consumo. Por fim, monitorização contínua com indicadores claros de custo por produto e intensidade carbónica.

Um exemplo concreto: a “Cerâmica Atlântica” contratou 30% do seu consumo via PPA solar, instalou 800 kWp no telhado e implementou controlo inteligente nos fornos. Em 12 meses, reduziu a fatura em 18% e a pegada de carbono em 40%, ganhando acesso a novos mercados do Norte da Europa. Estes ganhos são replicáveis, ajustando escala e tecnologia.

Para quem lidera operações, a mensagem é direta: estabilizar custos energéticos com PPAs e flexibilidade operacional aumenta margem e robustez. A próxima etapa leva estes princípios para as casas, onde o conforto e a eficiência andam de mãos dadas.

Habitação eficiente: como alinhar a sua casa com a nova vaga renovável

A transição energética não vive só de grandes parques. Cada casa pode ser uma pequena central que consome menos, gera mais e gere melhor. O ponto de partida é reduzir a necessidade: isolamento, caixilharias eficientes, sombreamento e ventilação controlada. Com a procura otimizada, os sistemas certos brilham: bombas de calor para climatização e AQS, fotovoltaico para autoconsumo, e eventualmente bateria para ampliar o aproveitamento.

Vantagens práticas aparecem logo no dia a dia. Uma moradia com 6–8 kWp de solar e bomba de calor pode deslocar o aquecimento de água para as 12–16h, reduzindo compras à rede e evitando picos. Se juntar um depósito de inércia e uma bateria de 7–10 kWh, a casa resiste a horas caras com conforto e previsibilidade. O segredo está no controlo: programar, medir, ajustar.

Autoconsumo, comunidades de energia e o papel do bairro

Nem todos os telhados têm sol ou espaço. É aqui que as Comunidades de Energia entram, permitindo partilha local de produção renovável entre vizinhos, escolas e comércio. Um prédio em Braga pode acolher painéis e partilhar produção com os condóminos, melhorando a fatura de todos. Em 2024, os processos simplificaram e, até 2026, espera-se escala e maturidade de modelos de gestão.

Como escolher potência e tecnologia? Uma regra de bolso: dimensionar para cobrir a base de consumo diurno e crescer depois com monitorização. Evite sobredimensionar no primeiro passo. Em paralelo, um inversor preparado para bateria dá flexibilidade futura sem trocar equipamentos. E não descuide a qualidade de instalação e o comissionamento, que garantem desempenho real versus o prometido.

Casa passiva: a energia que não se gasta é a mais barata

O padrão passivo ensina que a melhor energia é a que não se consome. Sombras bem desenhadas, orientação solar adequada e massa térmica cortam picos de calor e frio. Uma reabilitação que inclua isolamento exterior, caixilharia com rutura térmica e VMC com recuperação de calor pode reduzir a carga térmica em 50–70%. Com menor carga, uma bomba de calor mais pequena atende o conforto, poupando na compra e na conta.

Um caso inspirador: a “Casa do Pinhal”, no litoral centro, reabilitada com cortiça projetada, janelas de madeira-alumínio e VMC de alto rendimento. Com 5 kWp fotovoltaicos e um termoacumulador com bomba de calor, atingiu consumos anuais muito baixos e conforto estável. O investimento priorizou a envolvente térmica e só depois os sistemas, garantindo resultados sólidos e duradouros.

Para guiar escolhas, valem recursos independentes e comparativos técnicos claros. Plataformas como Ecopassivehouses.pt reúnem orientações práticas e exemplos reais, ajudando a transformar ideias em projetos viáveis e bem dimensionados.

Quando a casa reduz a necessidade e gere o resto com inteligência, a rede agradece, a carteira respira e o conforto torna-se previsível. Falta olhar para o desenho do mercado, essencial para a próxima década de integração renovável.

Mercado elétrico, 2025–2030: integrar abundância com estabilidade

Com mais horas de preço baixo e alguns picos caros, o desenho do mercado diário e intradiário mostra tensões. Em 2024, ficou claro que a exposição a valores nulos/negativos crescerá em dias de sol e vento fortes. Ao mesmo tempo, quando o vento cai ao entardecer, o acionamento do gás natural cria degraus de preço. Sem calibragem, a remuneração dos ativos pode tornar-se errática e a confiança de investimento sofrer.

Que soluções estão na mesa? A regulação europeia discute ajustes para valorizar flexibilidade e capacidade, reforçando ferramentas como contratos por diferenças (CfD) para nova potência, mercados de reserva/serviços de sistema mais líquidos e sinais locacionais de rede. Em paralelo, o armazenamento — baterias e hidroelétricas de bombagem — aparece como pilar para absorver excedentes e restituir energia em horas críticas.

A rede deve crescer em inteligência e músculo. Reforços de interligação ibérica, digitalização da distribuição, tarifários que valorizam o deslocamento de carga e a participação ativa dos consumidores compõem o puzzle. Veículos elétricos, quando carregados de forma coordenada, podem tornar-se um ativo de sistema, e as baterias domésticas agregadas via operadores de flexibilidade ajudarão a segurar o preço em janelas desfavoráveis.

Para orientar decisões, o quadro seguinte resume desafios e respostas típicas discutidas em 2024–2026, com impacto expectável até ao final da década:

🧩 Desafio 🛠️ Solução 📈 Impacto até 2026
Preços nulos/negativos em horas solares/eólicas Expansão de baterias, tarifários de flexibilidade e comunidades de energia Maior autoconsumo e menor desperdício de geração
Picos de preço com entrada de gás natural Contratos PPA/CfD e leilões de capacidade Estabilidade de custos e sinal para novos investimentos
Congestionamentos na rede de distribuição Refôrço e digitalização da rede, sinal locacional Menos curtailment e integração de projetos
Dependência de cadeias globais Diversificação de fornecedores e normalização técnica Prazos de entrega mais previsíveis
Baixa literacia de flexibilidade Plataformas de agregação e formação do consumidor Participação ativa e redução de custos

O equilíbrio entre abundância e estabilidade não surge por acaso. Exige regras claras, tecnologia madura e participação de todos: produtores, operadores, comercializadores e consumidores. O percurso de 2024 mostrou que é possível crescer depressa, com ganhos de preço e de emissões. Em 2026, o foco deve estar em consolidar mecanismos de flexibilidade para que cada MWh renovável conte quando é preciso.

Para terminar com um gesto simples e útil: defina hoje um objetivo concreto — por exemplo, migrar para tarifa bi-horária e programar três equipamentos para horários mais baratos. Pequenas decisões consistentes constroem casas mais eficientes e um sistema energético mais forte.

Fonte: sapo.pt

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