Fontes renováveis respondem por 80,7% da eletricidade em janeiro, atingindo o melhor desempenho em nove meses

Em janeiro, as fontes renováveis garantiram 80,7% da eletricidade em Portugal continental, assinando o melhor desempenho dos últimos nove meses. Essa viragem energética tem reflexos diretos nas suas contas, no conforto da sua casa e na forma de planear obras e equipamentos.

Sem tempo? Aqui está o essencial:
80,7% de eletricidade renovável em janeiro, 2.º lugar na Europa, apenas atrás da Noruega (96,3%) e à frente da Dinamarca (78,8%) 🌍
Água 36,8% e vento 35,2% lideraram; solar somou 4,4% ☀️💨💧
Preço médio MIBEL: 71 €/MWh, menos 26,6% face ao ano anterior; 210 horas 100% renováveis ⏱️
✅ Como tirar partido: programar equipamentos, tarifas dinâmicas, aquecimento prévio com bomba de calor e carregamento inteligente do seu VE 🚗🔌

Fontes renováveis respondem por 80,7% da eletricidade em janeiro: dados que importam e o que significam para você

Os números são claros: entre 1 e 31 de janeiro, a produção total atingiu 5.479 GWh, com 4.420 GWh de origem renovável. Trata-se do patamar mais alto de incorporação desde a primavera de 2025, após o apagão ibérico que durou mais de dez horas e expôs a fragilidade de uma rede muito dependente de picos de procura e de fontes fósseis voláteis.

Neste retrato, a hídrica assegurou 36,8% e a eólica 35,2% de toda a eletricidade, enquanto a solar contribuiu com 4,4%. O contexto meteorológico, com a passagem de várias depressões atlânticas, trouxe chuva e vento abundantes. Esse cenário, embora tenha provocado danos e interrupções localizadas, favoreceu a produção renovável em escala.

O consumo interno também subiu: +8,3% face a meses anteriores, refletindo frio, aquecimento e maior uso de iluminação. Ainda assim, as importações representaram apenas 5,6% do consumo, valor contido graças ao volume renovável. Em termos de preços, o Mercado Ibérico de Eletricidade fixou-se em 71,0 €/MWh, uma queda de 26,6% em termos homólogos. Quando a oferta renovável sobe, o custo marginal desce e toda a economia beneficia.

Houve ainda 210 horas não consecutivas em que a produção verde cobriu integralmente a procura nacional. São “janelas” ideais para quem dispõe de tarifas variáveis e sistemas de gestão de carga: aquecer água, pré-aquecer divisões, carregar baterias residenciais e veículos elétricos quando a energia é mais limpa e barata. Segundo estimativas setoriais, o reforço renovável poupou cerca de 703 milhões de euros face a um cenário dominado por centrais a gás natural.

No panorama europeu analisado, Portugal subiu da habitual quarta para a segunda posição, apenas atrás da Noruega (96,3%) e à frente da Dinamarca (78,8%). Mais do que um “recorde”, este comportamento indica maturidade do mix renovável nacional e aponta o caminho para edifícios mais eficientes, preparados para dialogar com a rede e reduzir a fatura.

Para uma casa, isto traduz-se em oportunidades concretas: programar equipamentos nas horas verdes, adotar bombas de calor e reforçar a isolação para cortar picos de consumo. Resultado? Conforto mais estável e energia utilizada com inteligência. Em síntese: quando a rede é mais limpa, a sua casa pode e deve ser mais esperta.

as fontes renováveis representaram 80,7% da eletricidade em janeiro, alcançando o melhor desempenho dos últimos nove meses, destacando o crescimento sustentável no setor energético.

Como aproveitar picos de eletricidade verde: estratégias práticas para a sua casa

Os períodos com muita água e vento são autênticos “bônus” para o lar. A eletricidade fica mais limpa e, por vezes, mais barata. Como transformar isso em economia e conforto? O segredo está em sincronizar consumos flexíveis com as horas de maior produção renovável.

Comece pelas tarifas dinâmicas ou bi-horárias. Se o seu comercializador oferecer preços ligados ao MIBEL, vale a pena comparar e programar consumos. Mesmo em tarifas fixas, há campanhas com “horas super-válidas” que combinam com dias ventosos. Ferramentas simples, como tomadas inteligentes e controles de bomba de calor, ajudam a automatizar sem complicações.

Uma rotina eficaz passa por pré-aquecer divisões no fim da tarde, quando o vento costuma intensificar-se, e por aquecer água para banhos mais cedo, guardando energia em forma de calor. Com veículos elétricos, programe o carregamento entre a meia-noite e as primeiras horas da manhã, quando a eólica frequentemente domina e as tarifas baixam. A gestão de baterias residenciais (se as tiver) deve priorizar carregamentos nas horas verdes e descargas nas horas de ponta.

Rotinas de inverno que funcionam

Considere o exemplo da Família Silva, num T3 com bomba de calor e cilindro de 200 litros. Em dias ventosos, definem o termóstato para subir 1 ºC entre as 18h e as 21h, reduzindo a potência depois. O cilindro aquece água entre as 02h e as 04h. A máquina de roupa inicia às 23h, e a louça, às 01h. O carro carrega entre as 00h30 e as 05h30. O resultado é um perfil de consumo alinhado com a produção renovável e uma fatura mais baixa sem perda de conforto.

  • 🌬️ Antecipe calor: use a bomba de calor nas horas ventosas para armazenar energia em conforto térmico.
  • 🕒 Automatize: temporizadores e tomadas inteligentes mantêm a disciplina diária.
  • 🚿 Água quente em horário verde: programe o termoacumulador ou a bomba de calor AQS de madrugada.
  • 🚗 Carregue o VE fora da ponta: defina janelas noturnas com maior probabilidade de vento.
  • 📊 Monitore: aplicações de consumo ajudam a confirmar o impacto e a otimizar.

Porque isto resulta? Questão simples: quando há muita renovável, o preço marginal baixa e a intensidade carbónica cai. Sincronizar-se com a rede é usar a “maré energética” a seu favor. No final, eficiência é também bom senso aplicado todos os dias.

Arquitetura passiva e autoconsumo: tornar a sua casa aliada dos 80,7% renováveis

Os picos verdes de janeiro mostram como a rede evolui. Mas a casa também tem papel ativo. Edifícios com princípios passivos — boa isolação, estanqueidade ao ar, ventilação com recuperação de calor, sombreamentos eficazes — reduzem as necessidades energéticas e transformam qualquer quilowatt verde em conforto duradouro.

O desenho certo começa pela orientação solar e pelo controlo do ganho térmico. Em Portugal, envidraçados a sul, sombreamentos ajustáveis e massa térmica equilibrada diminuem picos de aquecimento no inverno e de arrefecimento no verão. Com menos perdas, a sua bomba de calor trabalha menos tempo e pode concentrar o esforço nas janelas de energia limpa, tal como as de janeiro.

Dimensionamento inteligente do autoconsumo

A energia solar representou 4,4% do mix no mês analisado, mas no telhado de uma moradia essa percentagem pode ser muito superior. Um sistema fotovoltaico de 5 a 6 kWp em cobertura bem orientada cobre grande parte das cargas de base e alimenta a bomba de calor nas horas de sol. Combine com bateria de 7 a 10 kWh para deslocar parte da produção para a noite, e terá margem para atravessar as horas de maior preço ou acionar backup em falhas de rede curtas.

Veja o caso da “Casa do Vale”, moradia de 120 m² com isolamento reforçado em fibra de madeira, janelas triplo vidro e ventilação com recuperação de 85%. Com 6 kWp de PV e 10 kWh de bateria, a casa consegue operar cargas críticas — iluminação, comunicação, circulação de AQS e frigorífico — durante várias horas. Em dias ventosos de inverno, a família prioriza a bomba de calor e carrega a bateria em horas verdes, reduzindo a importação no pico da noite.

Materiais saudáveis e desempenho real

Numa reabilitação, materiais naturais — cortiça, cal hidráulica natural, argilas — melhoram conforto higrotérmico e qualidade do ar. Somados a caixilharias eficientes e pontes térmicas tratadas, cortam necessidade de energia sem truques. A tecnologia (PV, baterias, HEMS) é ótima, mas a base é um envelope que pede pouca energia. Quando chega janeiro com chuva e vento, a casa responde com estabilidade térmica e contas previsíveis.

O saldo é simples: menos necessidade + melhor sincronização = maior proveito da eletricidade renovável. Casas passivas e autoconsumo não são moda; são estratégia energética sólida.

Impacto econômico para o consumidor: MIBEL, fatura e investimentos que compensam

Com o preço médio a 71 €/MWh e uma queda homóloga de 26,6%, janeiro mostrou como as renováveis atenuam a fatura. Se tem tarifa indexada, a poupança nota-se de imediato. Se tem tarifa fixa, os benefícios chegam mais lentamente, via revisão de preços e maior competição entre comercializadores. Em ambos os casos, o caminho é favorável a quem ajusta consumos e investe em eficiência.

Outro dado relevante: a incorporação renovável permitiu uma poupança sistêmica estimada de 703 milhões de euros face à produção com gás natural. Isso reduz pressão sobre os mercados e o risco de choques tarifários. Para si, traduz-se em ROI mais curto para bombas de calor, fotovoltaico e, em muitos casos, VE com tarifa noturna vantajosa.

Para entender o retrato de janeiro, veja a repartição de fontes e o comportamento de mercado resumido abaixo.

🌱 Fonte 📈 Participação ⚡ Geração 📝 Observação
Hídrica 💧 36,8% Aproveitamento de cheias e gestão de albufeiras
Eólica 💨 35,2% Depressões atlânticas sustentaram produção noturna
Solar ☀️ 4,4% Maior impacto no autoconsumo diurno
Outras/apoio 🔌 Importações 5,6% do consumo quando necessário
MIBEL 💶 Preço médio 71 €/MWh Queda de 26,6% em termos homólogos
Horas 100% renováveis ⏱️ 210 horas Boas janelas para programar consumos

Exemplos práticos? Em moradias com bomba de calor, a gestão horária pode reduzir 10–25% do custo sem trocar equipamentos. Em apartamentos, programar AQS e máquinas de roupa/loiça gera impacto notável. E se pondera PV, lembre-se: em dias ventosos de inverno, o vento “paga” parte da sua noite; no verão, o sol “paga” parte do seu dia. É o efeito portefólio a trabalhar a seu favor.

Mensagem-chave: o menor custo marginal das renováveis é uma oportunidade; com escolhas certas, transforma-se em ganhos reais.

Resiliência e futuro: do apagão de 2025 às 210 horas 100% renováveis e o que isso pede às casas

O apagão de abril de 2025 recordou que a robustez do sistema é tão importante quanto a energia barata. Janeiro recente mostrou o outro lado: 210 horas em que as renováveis cobriram tudo. Entre extremos, há um denominador comum — casas preparadas para resiliência, com consumo ajustável e prioridades definidas para eventuais falhas.

Comece por um quadro de cargas críticas, separando iluminação essencial, comunicações, frigorífico, circulação de AQS e alguns pontos estratégicos de tomada. Se dispõe de bateria, garanta que o inversor tem função de ilha/backup. Uma bomba de calor eficiente, aliada a boa isolação, mantém conforto por mais tempo com pouca energia, permitindo atravessar interrupções curtas com serenidade.

As comunidades de energia e os bairros solares acrescentam uma camada de estabilidade, partilhando excedentes e reduzindo picos locais. Quando a rede oferece 80,7% de eletricidade limpa, estes arranjos ajudam a absorver produção em excesso e a distribuir benefícios. É a mesma lógica da casa eficiente, ampliada à escala do quarteirão.

Checklist de resiliência para o lar

  • 🔋 Bateria com backup e quadro de cargas críticas identificadas.
  • 🏠 Envelope térmico robusto: isolação, caixilharia e controlo de infiltrações.
  • 🌐 Monitorização de consumo e produção, com alertas simples.
  • 🔥 Plano de aquecimento com pré-aquecimento nas horas verdes.
  • 👥 Rede de vizinhança: partilha de informação e apoio em eventos extremos.

Concluindo esta ideia: estabilidade + eficiência + flexibilidade formam o triângulo da casa preparada para o presente e para o futuro renovável.

Se quiser dar um passo hoje mesmo, ajuste um temporizador: defina o aquecimento de água para a madrugada e programe os seus equipamentos para as horas de vento. E, quando planear melhorias, pense no básico que funciona — isolação, sombreamentos, bomba de calor e, quando fizer sentido, fotovoltaico com gestão inteligente. Para mais ideias práticas e projetos inspiradores, explore Ecopassivehouses.pt. Uma escolha simples, repetida todos os dias, muda a energia da sua casa.

Fonte: eco.sapo.pt

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