Crescimento da Quota de Energias Renováveis no Setor de Aquecimento e Arrefecimento da União Europeia em 2024

O aquecimento e o resfriamento na União Europeia deram mais um passo firme rumo à sustentabilidade. Em 2024, a cota de renováveis nesses usos atingiu um novo máximo, consolidando uma tendência que interessa diretamente a quem quer casas mais confortáveis e contas de energia mais estáveis.

Se procura sinais claros de para onde vai o mercado e o que pode fazer já, os dados e exemplos abaixo ajudam a transformar números em decisões práticas.

Pouco tempo? Aqui está o essencial:

✅ Pontos essenciais ⚡
26,7% da energia para aquecimento e resfriamento na UE foi renovável em 2024 🔥❄️ — novo máximo desde 2004.
Para cumprir a Diretiva (UE) 2023/2413, os Estados-Membros precisam acelerar a subida anual a partir de 2026 (mín. +1,1 pp/ano) 🚀.
Bombas de calor e biomassa sustentável estão puxando pelo crescimento; o solar térmico e a geotermia ganham tração 🌞🌍.
Evite o erro comum: trocar o equipamento sem tratar primeiro da envoltória térmica (isolamento, janelas, infiltrações) 🧱⚠️.

Energias renováveis no aquecimento e resfriamento: o que significa a cota de 26,7% em 2024 para a sua casa

O aumento para 26,7% em 2024 representa mais conforto e previsibilidade de custos. Quanto mais energia térmica é gerada a partir de fontes renováveis — como bombas de calor, biomassa, solar térmico e geotermia — a sua casa fica menos exposta a oscilações nos preços do gás e do petróleo. Em paralelo, reduz emissões sem comprometer o desempenho, algo que se sente no dia a dia: chuveiros quentes estáveis, resfriamento eficiente e menos ruído de equipamentos.

Nos bastidores dessa evolução estão duas forças principais. Por um lado, as bombas de calor tornaram-se mais acessíveis e eficientes, aproveitando o calor ambiente com coeficientes de desempenho elevados. Por outro, a biomassa (pellets, estilha, biorresíduos) continua a ser a espinha dorsal do mix térmico renovável em muitos países, especialmente nas redes de calor urbano. O solar térmico reaquece água de forma previsível em climas mediterrânicos, enquanto a geotermia oferece estabilidade durante o ano todo em edifícios com sondagens verticais.

Por que essa progressão interessa ao usuário final? Porque soluções renováveis interagem bem com melhorias de eficiência do edifício. Ao reforçar isolamento e estanquidade, baixa-se a potência necessária e abrem-se portas a equipamentos menores, mais baratos e silenciosos. É o círculo virtuoso do conforto: menos perda, menos consumo, mais renováveis.

Exemplo realista: apartamento em Braga e moradia no Alentejo

Num condomínio em Braga dos anos 90, a substituição de caldeiras a gás por bombas de calor ar-água, combinadas com isolamento na cobertura e válvulas termostáticas, reduziu a fatura anual em cerca de 30% em três anos. Em paralelo, num monte no Alentejo, um termo-sifão solar térmico para AQS, apoiado por um fogão a pellets nos dias frios, assegura água quente e aquecimento de apoio com custos muito estáveis — uma solução simples, robusta e adaptada à realidade local.

Três gestos práticos que têm efeito imediato

  • 🧰 Afine o sistema existente: purga de radiadores, equilíbrio hidráulico e verificação de sensores aumentam a eficiência em pouco tempo.
  • 🌬️ Controle infiltrações: vedações nas janelas e caixas de estore podem reduzir perdas e ruídos, preparando o terreno para renováveis.
  • 📊 Medição simples: um contador de energia térmica ou eletrometro dedicado a uma bomba de calor permite otimizar parâmetros com base em dados.

Ao olhar para 2024 como um patamar e não um ponto de chegada, ganha-se perspectiva: mais renováveis no aquecimento e resfriamento traduzem-se em conforto concreto e decisões de investimento mais seguras.

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Diretiva (UE) 2023/2413: objetivos 2021–2025 e 2026–2030, e como acelerar o ritmo a partir de agora

A legislação europeia estabeleceu um caminho claro. A Diretiva (UE) 2023/2413 determina que os Estados-Membros aumentem a cota de renováveis no aquecimento e resfriamento em pelo menos +0,8 pontos percentuais ao ano entre 2021 e 2025, e em +1,1 pp/ano de 2026 a 2030. Entre 2021 e 2024, a média europeia ficou nos +0,93 pp/ano, um sinal encorajador, mas que exige reforço já no próximo ciclo.

Como transformar metas em obra? Existem três alavancas eficazes. Primeiro, programas de renovação por pacotes que priorizam a envoltória (isolamento, caixilharia, sombreamento) e articulam a instalação de bombas de calor. Segundo, redes de calor renováveis que usam biomassa certificada, calor residual industrial e grandes bombas de calor a partir de águas residuais. Terceiro, regras urbanísticas inteligentes que simplifiquem projetos coletivos (copropriedades, bairros) e fomentem comunidades de energia.

Vale recordar que, em 2023, as renováveis já abasteciam uma fatia recorde da eletricidade europeia, e o aquecimento e resfriamento estão seguindo o mesmo trilho com um atraso compreensível. O desafio agora é a velocidade de execução e a qualificação das equipes de instalação, para que a demanda crescente se traduza em sistemas bem dimensionados e duráveis.

Ferramentas úteis para municípios e condomínios

Os municípios podem mapear zonas de alto potencial para redes de calor com base em densidade e recursos locais (biorresíduos, geotermia superficial). Condições de licenciamento claras encurtam prazos e reduzem custos financeiros. Em condomínios, a decisão coletiva facilita soluções comuns: por exemplo, uma central térmica compartilhada com bombas de calor ar-água e apoio solar térmico, medição individual e gestão digital. Quando o edifício melhora a envoltória, as necessidades pico caem e a central pode ser menor — poupa-se duas vezes.

Se quer uma visão rápida de soluções tecnológicas e casos práticos que estão a escalar na Europa, procure conteúdos visuais focados em desempenho e instalação.

Em síntese, para cumprir a fasquia de +1,1 pp/ano a partir de 2026, compensa combinar política estável, engenharia simples e execução rigorosa. O tempo é um fator técnico: quanto mais cedo se reforçar a envoltória e as redes, mais barato será o pico do inverno.

Líderes e retardatários na UE em 2024: o que pode aprender com cada um

A heterogeneidade entre países é uma fonte rica de aprendizagem. Em 2024, a Suécia liderou com 67,8% de renováveis no aquecimento e resfriamento, seguida pela Finlândia (62,6%) e pela Letônia (61,8%). No extremo oposto, a Irlanda ficou em 7,9%, e Paisagens Baixas e Bélgica registraram 11,3%. A leitura é clara: onde há redes de calor maduras, biomassa certificada e forte penetração de bombas de calor, os números disparam.

Também houve surpresas em variações anuais. De 2023 para 2024, Malta avançou cerca de +6,0 pp, Luxemburgo +3,7 pp e a Dinamarca +1,9 pp. Em sentido inverso, Estônia recuou -11,1 pp, enquanto Grécia e Bulgária caíram -2,9 pp e -1,9 pp, respectivamente. Oscilações dessa ordem podem dever-se a alterações metodológicas, condições climáticas específicas ou reconfiguração de redes e combustíveis.

Comparativo simplificado 2024: onde estão as referências

🇪🇺 País Quota renováveis H&C 2024 Variação face a 2023 Inspiração prática ✨
🇸🇪 Suécia 67,8% Estável/alta Redes de calor eficientes e biomassa sustentável 🌲
🇫🇮 Finlândia 62,6% Estável/alta Integração geotérmica e calor residual 🏭
🇱🇻 Letônia 61,8% Estável/alta Uso de biorresíduos municipais ♻️
🇲🇹 Malta Média/baixa +6,0 pp 🚀 Solar térmico e bombas de calor compactas 🌞
🇱🇺 Luxemburgo Média +3,7 pp 📈 Renovação de edifícios e eletrificação 🧱⚡
🇩🇰 Dinamarca Alta +1,9 pp Substituição de gás por redes renováveis 🔗
🇪🇪 Estônia Média -11,1 pp ⚠️ Atenção à fonte e à qualidade do combustível 🔍
🇮🇪 Irlanda 7,9% Ligeiro avanço Grande potencial com bombas de calor e reabilitação 🏡
🇳🇱 Países Baixos 11,3% Estável Expansão de geotermia superficial e redes 📡
🇧🇪 Bélgica 11,3% Estável Solar térmico em condomínios e bombas híbridas 🛠️

Para quem decide obras em casa ou no condomínio, a mensagem é pragmática: inspire-se nos líderes, mas adapte ao contexto local. A solução certa depende do clima, do edifício e da disponibilidade de recursos. Copiar estratégias sem leitura do local traz frustrações; ajuste fino é a palavra-chave.

Bombas de calor, biomassa e solar térmico: como combinar tecnologias renováveis com eficiência

A forma mais segura de reduzir consumos e emissões é combinar eficiência do edifício com um mix térmico renovável bem desenhado. Bombas de calor trabalham melhor em baixas temperaturas de ida (piso radiante, ventilo-convetores, radiadores dimensionados). O solar térmico cobre grande parte das necessidades de água quente, aliviando a bomba de calor no verão. Em climas frios ou zonas rurais com fornecimento de pellets, a biomassa certificada pode ser o apoio ideal nos picos de inverno.

Um erro frequente é substituírem-se caldeiras por bombas de calor sem verificar emissores e sem ajustar curvas climáticas. Outro equívoco é instalar solar térmico sem depósito bem dimensionado. A regra é simples: começar pela envoltória, reduzir a potência necessária e, só depois, escolher o gerador. Assim garantem-se equipamentos menores, investimento otimizado e ruído reduzido.

Do desenho à operação: passos claros

Primeiro, um diagnóstico energético leve, que inclua testes de estanquidade e levantamento de pontes térmicas. Segundo, seleção do sistema: bombas de calor ar-água para edifícios com espaço exterior e hidráulica simples; ar-ar para apartamentos que precisam sobretudo de resfriamento; geotermia onde o solo e o orçamento o permitam. Terceiro, controle inteligente: termóstatos por divisão, zonas hidráulicas e monitoramento remoto para afinar ao longo das estações.

Casos inspiradores mostram que a simplicidade costuma vencer. Num bairro de Coimbra, um bloco dos anos 80 substituiu caldeiras individuais por uma central térmica comum com duas bombas de calor em cascata, apoio de solar térmico para AQS e depósitos estratificados. Com isolamento da cobertura e caixilharia eficiente, reduziram a potência instalada em 35% e quase eliminaram picos no verão.

Quer ver exemplos práticos de integração entre eficiência e geração renovável em edifícios residenciais e pequenos serviços? Explore conteúdos didáticos sobre dimensionamento e operação no contexto europeu.

Combinar tecnologia certa, desenho cuidadoso e manutenção preventiva é o que transforma percentagens europeias em conforto real e faturas previsíveis na sua casa ou edifício.

Roteiro prático para 2026: preparar o seu edifício para aquecimento e resfriamento renováveis

Com a meta de +1,1 pp/ano a partir de 2026, a palavra de ordem é planejamento. Para proprietários e condomínios, um roteiro simples faz a diferença: começar pequeno, medir e escalar. Pense no edifício como um sistema vivo onde a envoltória, os equipamentos e os hábitos de uso se influenciam.

Etapas que funcionam no terreno

1) Mapeamento: avalie necessidades de aquecimento, resfriamento e AQS por estação. Identifique os “pontos quentes e frios” e priorize intervenções com melhor retorno (envoltória primeiro). 2) Piloto: escolha uma fração do edifício para testar uma bomba de calor e um conjunto de controles. 3) Escala: após afinar parâmetros e validar conforto, expanda ao restante. 4) Operação: mantenha a afinação sazonal (curva climática) e não negligencie purgas e limpeza de filtros.

Em zonas urbanas, explore redes de calor renováveis quando disponíveis — tendem a ser competitivas e reduzem a necessidade de espaço para equipamentos. Em moradias, soluções híbridas bem pensadas — por exemplo, bomba de calor com apoio solar térmico — dão robustez perante ondas de calor e frio. O importante é evitar a tentação do “tudo elétrico sem projeto”; a qualidade do desenho vale mais do que a potência nominal.

História-guia: a família Rocha e a administração do condomínio

A administração do edifício da família Rocha, em Aveiro, reuniu orçamentos para reforçar o isolamento do último piso, instalar um sistema solar térmico para AQS e preparar a casa das máquinas para duas bombas de calor futuras. Em doze meses, cortaram 20% do consumo apenas com a envoltória e o solar térmico; a instalação das bombas veio depois, já com potência mais baixa e custos menores. O segredo? Sequência inteligente, medição e transparência com os condôminos.

Se procura guias práticos, estudos de caso e checklists, encontrará bons recursos em plataformas especializadas como Ecopassivehouses.pt, focadas em soluções simples e replicáveis. O objetivo é o mesmo de toda a política europeia: tornar o conforto acessível, com sistemas que funcionam e duram.

Como lembrete final para o seu plano: comece pela envoltória, meça, ajuste e só depois invista no gerador. É esta sequência que transforma metas europeias em conforto tangível no seu edifício, temporada após temporada.

Fonte: edificioseenergia.pt

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