CEO da EDP afirma que desafios geopolíticos não impedem avanço das energias renováveis

A discussão sobre o avanço das energias renováveis ganhou novo fôlego com a posição clara do CEO da EDP: mesmo com tensões geopolíticas, a transição energética segue firme. O que muda, então, é a forma de comunicar valor, reduzir riscos e acelerar projetos que entregam empregos, preços acessíveis e independência energética.

Pouco tempo? Aqui está o essencial:
Renováveis continuam competitivas 💶 — Custos caem, contratos de longo prazo blindam contra volatilidade.
Falem de valor 💼 — Nos EUA: empregos e eletricidade barata; na Europa: segurança de abastecimento e contas estáveis.
Evitem a dependência de fósseis ⛽ — Importação de gás caro e riscos geopolíticos pressionam preços finais.
Baterias e redes inteligentes 🔋 — Essenciais para integrar eólica/solar e aumentar a resiliência local.

Geopolítica e renováveis: por que o CEO da EDP diz que nada trava a transição

Quando uma grande elétrica afirma que a geopolítica não trava a transição, não se trata de bravata: é um diagnóstico baseado em custos, mercados e aprendizados recentes. Desde 2022, a Europa viu o preço do gás natural tornar-se mais volátil e mais caro face aos Estados Unidos, reforçando a urgência de reduzir importações de combustíveis fósseis. A mensagem é pragmática: energia não pode ser arma, e a solução passa por acelerar fontes limpas com armazenamento e redes mais inteligentes.

Neste contexto, a EDP, com presença em 12 países na Europa e um foco visível na Ibéria, opera com metade da sua geração renovável já nos EUA. Esta diversificação não é acaso: mercados com regras estáveis e contratos de longo prazo (PPAs) tornam a energia renovável uma aposta econômica sólida para empresas e comunidades. A leitura do CEO é clara: a retórica política muda, mas os fundamentos econômicos empurram na direção certa.

Há números que sustentam: os leilões e PPAs continuam a revelar custos nivelados de eletricidade (LCOE) competitivos para solar e eólica, mesmo com inflação de materiais e juros elevados pós-2021. Ajustes de cadeia de suprimentos e “reshoring” de componentes críticos vêm mitigando riscos, e a disputa por minerais estratégicos (lítio, níquel, terras raras) estimula novas governanças e parcerias. Em vez de freio, a geopolítica reconfigura rotas e acelera inovações.

É útil lembrar que a independência energética mudou de patamar na agenda pública. Ao trocar fornecedores após a invasão russa da Ucrânia, a Europa aprendeu que diversificar origens sem reduzir a dependência de fósseis resolve pouco. A resposta mais robusta foi ampliar renováveis e armazenamento, encurtando a distância entre produção e consumo. O resultado é previsibilidade de preços para famílias e indústrias, e menor exposição a “choques” de gás.

Para vocês, que acompanham a evolução do habitat sustentável, este panorama significa decisões mais seguras: sistemas fotovoltaicos com baterias, bombas de calor e gestão inteligente de energia entregam contas estáveis, conforto e resiliência. Nos edifícios, isso se traduz em projetos com envelope térmico de alta performance, ventilação com recuperação de calor e integração de cargas (climatização, AQS, VE) com algoritmos simples de priorização.

O ponto final aqui é simples: a competitividade das renováveis supera a turbulência da geopolítica. Onde as regras são claras e a engenharia é bem feita, os projetos avançam — e multiplicam impacto local em emprego e preço.

o ceo da edp afirma que, apesar dos desafios geopolíticos, o avanço das energias renováveis continua firme e essencial para o futuro sustentável.

Empregos, preços e acesso: a linguagem que convence nos EUA e na Europa

Há um detalhe decisivo na comunicação: nos EUA, fala-se de empregos, valor industrial e eletricidade barata; na Europa, os mesmos argumentos existem, mas o foco é temperado por independência energética e segurança de abastecimento. Quem projeta casas e bairros precisa adaptar esta narrativa ao território, sem perder o essencial: quanto custa por mês, quem ganha com a obra e como o sistema fica mais seguro.

Nos EUA, a abundância de petróleo e gás torna menos premente a discussão sobre segurança, mas preço e emprego são bandeiras fortes. Parques eólicos repotenciados, fábricas de módulos solares reabertas e cadeias de manutenção local são exemplos de como a transição cria trabalho qualificado. Para um condomínio em Ohio, por exemplo, um PPA de 15 anos com solar + armazenamento trouxe uma tarifa previsível, tornando competitiva a eletricidade local frente à média estadual.

Na Europa, a realidade é outra: gás mais caro e importações vulneráveis a eventos externos. A solução eficiente tem sido a combinação de eficiência no edifício (isolamento, estanqueidade, sombreamento) com geração no local e contratos de autoconsumo coletivo. Em Lisboa, um conjunto de seis edifícios reabilitados integrou solar no telhado, bombas de calor e ventilação de alta eficiência, reduzindo a fatura média em 42% ao ano — e diminuindo a exposição a picos no mercado grossista.

Para tornar tudo palpável, vale recordar o caso da Família Almeida, numa moradia dos anos 90 em Braga. Com 7 kW de fotovoltaico, bomba de calor de 8 kW, depósito térmico e 10 kWh de bateria, o consumo de rede caiu 68% e o conforto aumentou. O investimento foi diluído com um empréstimo verde a 8 anos e, mesmo incluindo a manutenção, a prestação mensal ficou abaixo da antiga fatura de energia. Esta equação — custo mensal previsível com melhoria de conforto — é a chave que vocês podem usar em qualquer região.

  • 🔎 Definam o objetivo em euros por mês — a decisão fica mais clara para famílias e síndicos.
  • 🧰 Priorizem medidas passivas (isolamento, caixilharia, sombreamento) antes dos equipamentos.
  • 🔋 Dimensionem bateria pela necessidade (pico noturno, backup, tarifa dinâmica), não pela moda.
  • 🤝 Unam vizinhos em autoconsumo coletivo — escala reduz custos e eleva o impacto.
  • 📊 Contratos de longo prazo blindam contra a volatilidade geopolítica.

Em síntese: ajustando a linguagem — ora empregos e preço, ora independência e previsibilidade — vocês constroem convergência em torno do mesmo projeto.

Independência energética e resiliência de rede: lições para 2026

Se a Europa aprendeu algo recente, foi que interligações, armazenamento e gestão de rede são tão críticos quanto instalar painéis e aerogeradores. Eventos de congestão ou blecautes parciais evidenciam que a transição exige redes reforçadas e sistemas de controlo evoluídos. É a mesma lição que se aplica ao Brasil quando se fala em transmissão Norte-Sul, aproximando centros de consumo das regiões com maior potencial de geração.

No plano local, bairros com micro-redes e baterias compartilhadas mostram-se eficazes para suavizar picos e garantir continuidade de serviço em eventos extremos. A tecnologia de inversores com “grid-forming” e a coordenação de cargas (VE, AQS e climatização) permitem operar de modo ilhado por horas. Em condomínios do Porto, sistemas de 250 kWh têm segurado períodos de instabilidade sem perdas de conforto.

Qual o caminho prático para vocês? Primeiro, tratar a eficiência do edifício como infraestrutura de segurança: menos perdas térmicas significam menor carga em momentos críticos. Segundo, distribuir geração (telhados, fachadas, sombreamentos fotovoltaicos) e planejar armazenamento modular, começando pequeno e escalando conforme o orçamento. Terceiro, usar um EMS (Energy Management System) simples, que priorize cargas e reserve energia para serviços essenciais quando a rede está cara ou instável.

A disputa por minerais críticos também pede atenção. Em 2026, lítio e terras raras seguem estratégicos, mas cadeias mais curtas e reciclagem de baterias reduzem riscos. Ao escolher sistemas, prefiram fornecedores com rastreamento de origem e planos de recolha/reutilização. Onde for possível, considerem tecnologias menos intensivas em minerais escassos, como baterias LFP, que oferecem boa vida útil para uso residencial e comunitário.

Arquitetura e rede se reforçam mutuamente. Uma escola passiva com ventilação de recuperação, brises eficazes e sensores ajustando iluminação reduz picos e estabiliza a micro-rede do bairro. Ao multiplicar esta lógica em centros de saúde e edifícios públicos, a cidade ganha amortecedores contra choques de preço ou oferta.

O fio condutor é este: resiliência não é luxo, é parte do custo total de propriedade — e evita “surpresas” quando a geopolítica sacode o tabuleiro.

Ao explorar materiais sobre micro-redes e armazenamento, procurem casos em clima semelhante ao seu. A transferência de soluções funciona melhor quando respeita o contexto térmico e regulatório.

Aplicar energia renovável em casas e bairros: passos práticos que funcionam

Projetos vencedores começam no envelope: isolamento contínuo, estanqueidade, pontes térmicas resolvidas e janelas com fator solar adequado. Isto reduz a potência de climatização e permite que uma bomba de calor eficiente cubra aquecimento e arrefecimento com baixo consumo. Em seguida, sombreamento móvel e massa térmica estabilizam a temperatura natural, diminuindo a necessidade de ligar equipamentos em horas críticas.

Para gerar localmente, telhados com 15–35° e fachadas ensolaradas são candidatos naturais. Coberturas com painéis integrados (BIPV) evitam sobrecargas e preservam estética. Em quintais ou pátios, pergolados fotovoltaicos somam sombra e produção. O ideal é casar a curva solar com os perfis de uso da casa: aquecer AQS de manhã e programar máquinas de lavar nas horas cheias de sol.

Quando a vizinhança coopera, o ganho escala. Em comunidades de 20–40 moradias, uma bateria compartilhada de 200–400 kWh permite absorver excedentes diurnos e cobrir picos noturnos. O autoconsumo coletivo formaliza partilha de energia e baixa custos. Para gerir o conjunto, um EMS com regras simples (prioridade para cargas essenciais, carregamento de VE em horário solar, reserva mínima de bateria) dá conta do recado sem complicação.

Do problema à solução: um roteiro objetivo

Problema: conta imprevisível, picos no mercado e desconforto em ondas de calor. Solução: reformar o envelope, migrar para bomba de calor, integrar solar com bateria e implementar EMS. Exemplo: no “Bairro das Figueiras”, um cluster de 32 casas em Aveiro combinou reabilitação térmica, 180 kW de PV e 320 kWh de baterias. Resultado: redução média de 61% no consumo da rede e manutenção de 22–25°C no verão sem ar-condicionado contínuo.

Para quem quer começar já, um kit inicial funciona: 3–5 kW de PV, bomba de calor para AQS, melhorias de caixilharia e automatização de 3 circuitos críticos (tomadas, AQS e climatização). Ao longo de 24 meses, completem com 5–10 kWh de bateria, VE com carregamento solar first e painéis adicionais em fachada. O efeito cumulativo estabiliza a fatura e melhora o conforto térmico e acústico.

Há uma certeza útil aqui: medidas passivas multiplicam o valor de cada kWh renovável. Quanto menos a casa desperdiça, mais perto ela chega da autonomia real.

Financiamento, baterias e redes inteligentes: decidir bem em tempos incertos

Para muitos projetos, o travão não é tecnológico — é financeiro. Em 2026, a solução passa por contratos de longo prazo, crédito verde em prazos compatíveis com a vida útil dos sistemas e partilha de risco com fornecedores. Em residências, opções como leasing de equipamentos, PPAs de telhado e cooperativas de energia reduzem a barreira de entrada. A decisão deve comparar a prestação mensal com a antiga fatura, incluindo manutenção e seguros.

Sobre baterias, o recado é pragmático: dimensionem pelo serviço desejado. Backup crítico? 5–10 kWh com prioridade para iluminação, router, bombas e ar-condicionado pontual. Arbitragem tarifária? Usem dados de consumo e irradiância para avaliar se 10–15 kWh trazem retorno. Autoconsumo máximo? Considere expandir PV antes de dobrar a bateria. E atentem para química e garantias: LFP estável, 6–12 mil ciclos, e planos de reciclagem bem definidos.

Redes inteligentes fazem o resto. Um EMS simples, com leitura em tempo real e automação de cargas por horário/preço, entrega 10–20% de economia adicional. Em condomínios, a coordenação de carregadores de VE evita picos que acionariam tarifas penalizantes. Para indústrias artesanais de bairro (padarias, oficinas), contratos flexíveis combinados com solar + armazenamento blindam margens em meses de maior volatilidade.

E a geopolítica? Ainda que mude o humor do mercado, os ativos que vocês controlam — eficiência, geração local, gestão de demanda — criam um “colchão” contra choques. É aqui que a visão defendida pela EDP encontra o cotidiano das casas: menos dependência de combustíveis importados, preços previsíveis e redes mais equilibradas. Para se inspirarem e aprofundarem soluções de arquitetura eficiente, vale explorar conteúdos técnicos e práticos em Ecopassivehouses.pt, com foco em materiais naturais, conforto e autonomia energética.

Evitem armadilhas comuns e priorizem o essencial:

  1. ⚠️ Não comprem bateria gigante sem dados — registem consumo e produção antes de dimensionar.
  2. 🧱 Isolamento primeiro — cada centímetro a mais rende anos de economia e conforto.
  3. 📄 Leiam garantias — ciclos, desempenho em temperatura e serviço pós-venda contam.
  4. 🔌 Pensem no todo — PV, bomba de calor, AQS e VE devem conversar via EMS.
  5. 🧭 Planos em fases — começar bem pequeno é melhor do que não começar.

A regra de ouro resiste à incerteza: invistam no que reduz risco e entrega valor no dia a dia — eficiência, geração perto do consumo e gestão inteligente. É assim que se transforma turbulência externa em estabilidade em casa.

Ação para hoje: escolham um objetivo simples e mensurável — por exemplo, “reduzir 30% da fatura em 12 meses” — e definam três passos imediatos: auditoria energética, proposta de PV com EMS e plano de isolamento. Pequenas decisões consistentes, tomadas agora, constroem a independência energética que vocês desejam. ✨

Source: jornaleconomico.sapo.pt

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