De 12 a 16 de janeiro, o Politécnico de Portalegre sedia um encontro luso-brasileiro para alinhar ciência aplicada em energias renováveis e saúde com impacto direto no quotidiano. A agenda conecta investigadores, decisores e comunidade, com sessões presenciais e online a pensar soluções replicáveis já em 2026.
| Pouco tempo? Eis o essencial: ⚡ |
|---|
| ✅ 12–16 de janeiro: mesas-redondas, apresentação de artigos, minicursos e visita técnica 🗓️ |
| ✅ Cooperação Portugal–Bahia com UNEB, IFBA, UFBA e Senai Cimatec para projetos aplicados 🤝 |
| ✅ Formato presencial e online para democratizar o acesso ao conhecimento 💻🏫 |
| ✅ Anúncio do Prémio Mais Ciência para financiar investigação com resultados no terreno 🏅 |
Cooperação luso-brasileira no Politécnico de Portalegre: impacto real em energias renováveis e saúde
Quando ciência e território se encontram, surgem soluções robustas para problemas persistentes. O encontro “Tecnologias Sociais em Energias Renováveis e Saúde” no Politécnico de Portalegre alinha equipas portuguesas e baianas para transformar bons estudos em melhorias tangíveis, da autonomia energética de edifícios de saúde à qualidade do ar interior em habitações. A escolha de Portalegre reforça a vocação do interior para testar, ajustar e escalar tecnologia com pés na terra.
Do lado brasileiro, a presença de investigadores da UNEB, IFBA, UFBA e Senai Cimatec traz uma energia prática, habituada a desenhar soluções resilientes em climas quentes e húmidos. Do lado português, o Politécnico de Portalegre oferece laboratórios, equipas multidisciplinares e uma rede regional capaz de implementar pilotos em escolas, centros de saúde e bairros. A cooperação internacional não é um fim: é um método para acelerar a adoção de tecnologias que já provaram valor.
Porquê ligar renováveis e saúde? Porque conforto térmico, ventilação adequada e qualidade de ar reduzem doenças respiratórias, faltas ao trabalho e custos energéticos. Em 2026, com energia mais cara em picos e metas de descarbonização exigentes, as escolhas técnicas têm de ser inteligentes e socialmente justas. A abordagem de tecnologias sociais junta engenharia, saúde pública e design participativo, garantindo que a solução nasce com a comunidade e para a comunidade.
O que muda na prática para serviços e famílias
Imagine um posto de saúde rural com fotovoltaico no telhado, bateria de lítio-fosfato para apoio noturno e ventilação mecânica com recuperação de calor dimensionada para renovar o ar sem desperdiçar energia. O resultado? Vacinas sempre refrigeradas, salas mais confortáveis e menos interrupções de serviço. Em bairros residenciais, sombreamento, isolamento bio-based, estores automatizados e ventilação cruzada bem pensada reduzem picos de calor e bolores, melhorando sono e produtividade.
Um fio condutor do encontro é mostrar a viabilidade económica. Em clínicas e escolas, combinar PV + gestão inteligente reduz a fatura e protege equipamentos sensíveis. Em edifícios municipais, contratos de desempenho energético e compras públicas circulares viabilizam reabilitações sem investimento inicial elevado. Estes caminhos já existem; a cooperação luso-brasileira afina o método e partilha erros comuns a evitar.
Estudo de caso ilustrativo
Num cenário-tipo debatido pelos investigadores, uma unidade básica de saúde em clima quente adopta sombrite externo, ventiladores de teto eficientes, PV de 15 kWp e controlo programável de carga dos ACs split. As temperaturas descem 2–3 ºC sem acréscimo de carga térmica, a um custo total 25–30% inferior ao de uma ampliação de ar condicionado. A capacidade de replicação é alta, e a manutenção, simples. É este pragmatismo que orienta as mesas-redondas.
Em síntese, a cooperação funciona quando mede resultados e aprende depressa com o contexto local. E é exatamente esta cultura de prototipagem e avaliação que Portalegre acolhe e projeta.

Programação do encontro “Tecnologias Sociais em Energias Renováveis e Saúde”: o que vai acontecer e como aproveitar
O desenho do programa foi pensado para quem quer aprender depressa e aplicar melhor. Entre 12 e 16 de janeiro, o Politécnico de Portalegre abre portas – e também o streaming – para mesas-redondas, apresentação de artigos, minicursos orientados à prática e uma visita técnica às instalações. O Prémio Mais Ciência ganha palco com o anúncio dos primeiros projetos financiados, enfatizando resultados e impacto.
Mapa rápido das atividades
| Dia 🗓️ | Atividade 🔧 | Objetivo 🎯 | Formato 🌐 |
|---|---|---|---|
| 12/01 | Abertura + Mesa “Energia e Saúde” | Alinhar prioridades e métricas de impacto | Presencial/Online 🖥️🏫 |
| 13/01 | Apresentações de artigos 🧪 | Partilhar evidências e metodologias | Híbrido 🔁 |
| 14/01 | Minicursos práticos 🛠️ | Capacitar para a aplicação imediata | Presencial + streaming 🎥 |
| 15/01 | Visita técnica ao campus 🔍 | Explorar laboratórios e pilotos | Presencial 👣 |
| 16/01 | Anúncio do Prémio Mais Ciência 🏅 | Financiar investigação aplicada | Presencial/Online 🛰️ |
Para extrair o máximo, vale preparar objetivos. Quem trabalha em administração local pode focar-se em modelos de contratação e monitorização. Profissionais de saúde ganham com os blocos sobre ventilação e conforto ambiental. Projetistas e instaladores tiram partido dos minicursos, que detalham integrações PV–baterias–HVAC em edifícios existentes.
Truques de organização para a sua agenda
- 📝 Defina duas perguntas-chave para cada mesa: uma técnica e uma de implementação.
- 🔎 Tire notas com foco em “o que posso testar em 90 dias?” – a velocidade é aliada.
- 🤝 Marque 3 contactos estratégicos por dia: um investigador, um gestor público, um técnico.
- 📊 Fotografe quadros e fluxogramas (com autorização) para replicar processos na sua equipa.
- 🌐 Se estiver online, use o chat para pedir exemplos e ficheiros de apoio; não seja espectador passivo.
Também será apresentado um guia de métricas simples para avaliar intervenções: consumo por metro quadrado, horas de desconforto térmico, CO₂ em sala, humidade relativa e tempo de indisponibilidade de equipamentos críticos. Com estes indicadores, cada projeto conta uma história objetiva e comparável.
Ao fechar a semana, o anúncio do Prémio Mais Ciência reforça a cultura de “provar no terreno”. Projetos selecionados têm de partilhar protocolos e resultados, criando um repositório que facilita a réplica por outras autarquias e instituições. É ciência aberta com ambição de escala.
Tecnologias sociais aplicadas à habitação sustentável e à saúde comunitária
As tecnologias sociais são, no fundo, tecnologias com manual de implementação comunitária. Num edifício residencial, não basta instalar painéis: é preciso mexer na envolvente, gerir sombreamentos e garantir ventilação eficiente para eliminar humidade e bolor – fatores diretamente ligados a asma e alergias. No encontro, esta visão integrada é trabalhada com casos comparativos em climas do Alentejo e da Bahia, mostrando como adaptar soluções sem encarecer a obra.
Habitações que respiram melhor
Ventilação mecânica com recuperação de calor (ou entalpia em regiões húmidas) reduz dióxido de carbono interior e estabiliza humidade. Associada a isolamento em cortiça, argamassas de cal e sombreamento externo, cria-se um envelope que controla ganhos solares e evita patologias. A longo prazo, menos mofo significa menos medicação, menos faltas à escola e maior conforto de todos, dos bebés aos idosos.
Há também ganhos energéticos mensuráveis. Um apartamento T2 reabilitado com VMC de baixo consumo, estanqueidade melhorada e estores automatizados pode reduzir o consumo de climatização em 30–50%. Em paralelo, um kit solar térmico para AQS diminui picos elétricos em horas de jantar, aliviando a rede local e a sua fatura. São mudanças discretas, mas poderosas.
Comunidade no centro
Uma equipa do IFBA partilha um protótipo de “brigadas do conforto” em condomínios, treinando moradores para leituras simples: CO₂, humidade, temperatura. Com dados visíveis em tempo real, a conversa muda de opinião para evidência. Em Portalegre, equipes municipais testam algo semelhante em escolas, combinando sensores, plantas de sombreamento e regras de ventilação por sala. O resultado é uma operação de baixo custo e alto retorno social.
Um caso hipotético usado nos workshops: o “Edifício Laranjeira”, dos anos 90, enfrenta bolor sazonal. A intervenção-piloto inclui exaustão controlada nas cozinhas, grelhas higroreguláveis, reparação de pontes térmicas com painéis de cortiça e uma pequena instalação FV com microinversores. Em três meses, os níveis de humidade descem abaixo de 60% e desaparecem manchas recorrentes. A saúde agradece; a energia também.
Para quem projeta, o recado é claro: detalhe construtivo bem desenhado vale tanto quanto a potência instalada. E para quem habita, pequenos gestos – como ventilar corretamente e evitar secar roupa em espaços sem extração – consolidam o resultado técnico. Quando comunidade e técnica caminham juntas, o edifício torna-se um aliado da saúde.
Na prática, o que fica? Um método replicável que prioriza conforto, saúde e custo total de ciclo de vida. Com isso, cada família vê resultados que contam – e cada município ganha argumentos para escalar.
Como cidadãos e profissionais podem participar: formação, mobilidade e projetos-piloto
A democratização do conhecimento é um dos pilares do encontro. Por isso, tudo foi pensado para que a sua participação seja simples, quer esteja em Portalegre, quer acompanhe online. O registo nas sessões híbridas abre acesso a materiais, gravações e fichas de trabalho focadas na implementação. E mais: a rede luso-brasileira apoia trocas de curta duração e mentorias, unindo quem quer fazer com quem já fez.
Três caminhos imediatos para entrar em ação
- 🚀 Inscreva-se nos minicursos e escolha um desafio real do seu edifício para levar às práticas de laboratório.
- 🔄 Junte-se à comunidade de partilha: apresente um microcaso (mesmo simples) e recolha feedback aplicável.
- 📌 Candidate-se a pilotos locais, articulando escola, centro de saúde ou bairro com a rede de investigadores.
Quem é gestor público pode aproveitar a agenda para compreender contratos de desempenho, compras com critérios de circularidade e métricas de verificação pós-obra. Para as equipas técnicas, os blocos sobre integração PV + baterias + HVAC trazem sequências de comissionamento, esquemas de cablagem, estratégias de controlo e manutenção preventiva. Profissionais de saúde encontram protocolos de ventilação e iluminação circadiana para melhorar rotinas clínicas e descanso dos doentes.
Mobilidade académica fecha o triângulo. Estágios curtos entre Portalegre e Bahia aceleram a aprendizagem em clima, materiais e operação. Um técnico português num hospital de Salvador aprende gestão de humidade em época de chuvas; um investigador baiano em Portalegre testa estratégias de isolamento e sombreamento para ondas de calor continentais. Este intercâmbio gera catálogos comparativos úteis para qualquer município.
Para preparar-se melhor, explore conteúdos de referência em português claro, como os dossiês práticos de eficiência, materiais naturais e conforto térmico em Ecopassivehouses.pt. Combine leituras com as sessões do encontro e crie o seu plano de aula pessoal, com etapas de 30, 60 e 90 dias. O objetivo é simples: transformar inspiração em obra feita.
Seja qual for o seu ponto de partida, defina um piloto pequeno: uma sala de aula, uma consulta, um T2. Meça, intervenha, meça novamente. Esta cultura de protótipo validado é a mesma que orienta o Prémio Mais Ciência e que tende a atrair mais parceiros e financiamento. Resultados geram tração; tração gera escala.
Do campus ao território: replicação Portugal–Bahia e os próximos 12 meses
Uma boa ideia vale o que vale o seu impacto fora do laboratório. O encontro em Portalegre tem o horizonte de 12 meses para desencadear réplicas em escolas, postos de saúde e condomínios, do Alentejo ao Recôncavo Baiano. Em 2026, as soluções com melhor custo-benefício são as que combinam eficiência, renováveis e gestão inteligente numa linguagem simples – e com manutenção ao alcance de equipas locais.
Roteiro prático de escalabilidade
Primeiro, a seleção de pilotos de rápida execução, com avaliação de base: consumo, CO₂, humidade, horas de desconforto térmico e satisfação dos utilizadores. Depois, a intervenção faseada: medidas passivas de baixo custo (sombra, controlo de infiltrações), ajustes comportamentais e, por fim, sistemas ativos (PV, VMC, controlo). Por último, verificação independente dos resultados e partilha pública dos dados. Este ciclo cria confiança e reduz o risco de más decisões.
Do lado da saúde, há ganhos expectáveis: salas de espera com melhor ventilação, quartos mais silenciosos e iluminação circadiana a apoiar ritmos biológicos. Em casa, menos bolor e menos picos de calor significam menos dores de cabeça e mais noites bem dormidas. É assim que a energia – quando bem usada – vira aliada do bem-estar.
Parcerias são a argamassa desta construção. Autarquias, universidades, centros de saúde e associações de moradores formam a cadeia que mantém as intervenções vivas. A experiência coletiva Portugal–Bahia acelera o ajuste fino: sombreamentos rebatíveis aqui, exaustão reforçada ali, materiais bio-based onde fizer sentido. Não existe bala de prata; existe combinação inteligente, validada por medição.
O Prémio Mais Ciência entra como catalisador, financiando equipas que aceitam o desafio de provar impacto com transparência. Projetos apoiados comprometem-se a disponibilizar cadernos de encargos, fichas de detalhe e relatórios de desempenho. Esta ética de abertura multiplica a qualidade das decisões públicas e privadas, porque qualquer equipa pode aprender com experiências reais, não com promessas vazias.
No fim, o que fica é uma rede ativa e uma biblioteca de casos replicáveis. Se quiser levar a conversa para a sua realidade, comece por uma sala ou um pequeno edifício, envolva utilizadores e monitore dados simples. A transformação nasce do que é pequeno, consistente e bem medido – e o encontro de Portalegre foi desenhado para ajudá-lo a dar esse primeiro passo com confiança.
Source: sapo.pt


