Portugal entre os 5 principais países da UE na participação das energias renováveis no setor dos transportes

O transporte em Portugal está a tornar-se mais limpo e eficiente, com uma fatia crescente de energias renováveis a substituir combustíveis fósseis. A posição entre os cinco primeiros da União Europeia confirma um caminho sólido, mas ainda com desafios até 2030.

Peu de temps ? Voici l’essentiel :
✅ Ponto-chave #1 Portugal está no top 5 da UE nos transportes renováveis, com 14,3% em 2024 🚗⚡
✅ Ponto-chave #2 Aposte em eletricidade renovável, biocombustíveis avançados e biometano para reduzir emissões hoje 🔋🌿
✅ Ponto-chave #3 Evite a armadilha dos biocombustíveis convencionais com alto risco ambiental; privilegie resíduos e eletrificação ♻️
✅ Bónus Integre a mobilidade com a casa: solar + V2G/V2H + carregamento inteligente = fatura e emissões mais baixas 🏡🔌

Portugal no top 5 da UE: o que significa a liderança renovável nos transportes

Os números contam uma história clara: a quota de energias renováveis no setor dos transportes em Portugal atingiu 14,3% em 2024. Este valor coloca o país entre os cinco primeiros da UE, acima da média do bloco, que ficou em 11,2%. A leitura comparativa é reveladora do avanço, mas também do trabalho pela frente: a meta europeia para 2030 está fixada nos 29%, exigindo uma aceleração consistente.

No ranking de 2024, Portugal ficou apenas atrás de Suécia (26,3%), Finlândia (20,3%), Países Baixos (19,7%) e Áustria (14,5%). No lado oposto, países como Croácia (0,9%), Grécia (3,9%) e Chéquia (5,7%) registaram as quotas mais baixas, mostrando que a transição não ocorre de forma homogénea.

O progresso é ainda mais significativo se olharmos a evolução histórica. No início da série, em 2004, a UE tinha apenas 1,4% de renováveis nos transportes; duas décadas depois, chegou aos 11,2%. Em Portugal, a transformação foi mais intensa: passou de 0,4% em 2004 para 14,3% em 2024. Este salto não é um acaso, mas o resultado de políticas públicas, aceleração da mobilidade elétrica, biocombustíveis de resíduos e investimento em redes inteligentes.

Uma nota importante: 19 países aumentaram a quota face a 2023, incluindo Portugal, que subiu de 11,1% para 14,3%, um ganho de 3,3 p.p.. Destaque para a Letónia (+7,4 p.p.) e os Países Baixos (+6,2 p.p.). A Suécia, que tinha ultrapassado a meta com 33,6% em 2023, observou uma correção em 2024, recuando 7,2 p.p.; ainda assim, mantém-se líder.

O que conta para esta métrica? Entram eletricidade de origem renovável para veículos elétricos e ferroviários, biocombustíveis avançados (produzidos a partir de resíduos e matérias-primas sustentáveis), biometano injetado na rede e, em menor escala, hidrogénio verde. O equilíbrio ideal combina eletrificação direta para ligeiros e urbanos, biometano/biocombustíveis avançados para pesados e aviação sustentável nas rotas onde a eletrificação ainda não é viável.

Convém ligar estes dados ao sistema elétrico. Em 2024, Portugal foi um dos países com maior percentagem de eletricidade gerada a partir de renováveis, impulsionada por eólica e hídrica. Relatórios europeus mostraram que a solar e eólica já superam os fósseis em vários períodos do ano. Houve semanas em que, por um terço das horas anuais, mais de metade da produção elétrica nacional foi eólica ou solar. É esta base elétrica descarbonizada que sustenta a mobilidade elétrica verde.

Para clarificar a posição relativa, o quadro seguinte resume os valores-chave e ajuda a visualizar a distância até 2030.

🇪🇺 País Quota REN nos transportes (2024) Variação vs 2023 Posição
🇸🇪 Suécia 26,3% ⬇️ -7,2 p.p. 1.º 🥇
🇫🇮 Finlândia 20,3% ⬆️ 2.º
🇳🇱 Países Baixos 19,7% ⬆️ +6,2 p.p. 3.º
🇦🇹 Áustria 14,5% ⬆️ 4.º
🇵🇹 Portugal 14,3% 🚀 ⬆️ +3,3 p.p. 5.º 🌟
🇪🇺 Média UE 11,2% ⬆️
🇭🇷 Croácia 0,9% 27.º

A mensagem central é pragmática: há um bom ponto de partida e uma base elétrica favorável; o próximo salto dependerá de escalar a eletrificação, garantir biocombustíveis sustentáveis e expandir a infraestrutura. O ritmo, não apenas a direção, será decisivo.

portugal destaca-se como um dos 5 principais países da ue na adoção de energias renováveis no setor dos transportes, promovendo sustentabilidade e inovação ambiental.

Casas, bairros e mobilidade elétrica: como integrar energia renovável nos seus deslocamentos

Transportes renováveis não vivem isolados; funcionam melhor quando dialogam com a casa e o bairro. Em Portugal, multiplicam-se edifícios com painéis fotovoltaicos, sistemas de armazenamento e carregamento inteligente. Quando a energia do telhado move o seu automóvel, a fatura desce e a autonomia energética cresce, sem truques.

Imagine um condomínio em Setúbal com 30 apartamentos e 20 lugares de estacionamento com wallboxes de 7,4 kW. A gestão central lê a produção solar do dia, prioriza o carregamento das viaturas que precisam sair cedo e evita picos de potência. O resultado? Menos custos de potência contratada, maior taxa de autoconsumo e emissões reduzidas no bairro.

Carregamento inteligente em casa: passos simples que multiplicam o efeito do seu solar

O carregamento noturno pode ser barato, mas, quando há solar em casa, faz sentido deslocar parte para as horas de sol. Programadores simples no carregador ou no veículo permitem que 80–90% da energia venha do seu telhado em dias ensolarados. Em moradias com bateria doméstica, a combinação solar + bateria + VE assegura deslocações diárias de 20–40 km com energia própria.

Em bairros com estacionamento partilhado, a regra é distribuir potência. Em vez de 20 postos a 7,4 kW, uma solução de balanço dinâmico entrega 1,4–3,6 kW a cada viatura durante várias horas. Para trajetos diários curtos, é suficiente. E quando alguém precisa de carga rápida, o sistema atribui prioridade automaticamente.

V2H e V2G: o seu carro como bateria do edifício

A tecnologia Vehicle-to-Home (V2H) faz o veículo devolver energia à casa, reduzindo picos e protegendo a conta de eletricidade. Já o Vehicle-to-Grid (V2G) ajuda a rede, carregando quando há excesso renovável e exportando em momentos de pico. Em Portugal, a maturidade do sistema renovável torna estas soluções particularmente interessantes em zonas com forte produção eólica noturna.

Um estudo de engenharia aplicado a um bairro piloto no Alentejo mostrou que, com 20% dos veículos compatíveis V2H, as potências máximas da rede local caíam 15–25%. Esse amortecedor reduz investimentos na infraestrutura e melhora a estabilidade.

As sinergias estendem-se ao trabalho. Empresas que instalam coberturas fotovoltaicas nos parques conseguem abastecer frotas internas e disponibilizar carregamento aos colaboradores. A política certa de incentivos (lugares preferenciais, tarifários transparentes) reforça a adoção sem grandes custos adicionais.

Quer esteja numa moradia ou num apartamento, há sempre uma solução proporcional: tomadas reforçadas com programação de horários, pequenos kits solares em coberturas de estacionamento, ou cooperativas de energia para partilha de produção. A lógica é apostar no que está ao alcance e ir escalando com bom senso.

O que você pode fazer já: 9 ações práticas para reduzir emissões nos seus transportes

As decisões do dia a dia movem o indicador. A diferença entre ficar na média e liderar está em escolhas consistentes, repetidas e bem informadas. Eis um roteiro direto ao ponto, com impacto real e mensurável.

  • 🚴‍♀️ Troque 1–2 viagens curtas por bicicleta elétrica: poupa emissões e tempo em cidade.
  • 🚌 Use transportes públicos nas rotas bem servidas; muitos corredores já operam com eletricidade verde.
  • 🔌 Adote carregamento inteligente: programe para horários solares ou de menor tarifa.
  • 🌞 Se tem telhado, instale fotovoltaico e ligue-o ao seu carregador; é o “combustível” mais barato.
  • ♻️ Prefira biocombustíveis avançados em frotas e maquinaria, sempre com certificação de sustentabilidade.
  • 🚗 Partilhe: carpool para deslocações repetitivas e carsharing para reduzir a necessidade de segundo carro.
  • 🗺️ Planeie percursos: ferramentas de eco-rotas reduzem consumo em 5–10% sem esforço.
  • 🏢 Se gere um condomínio, implemente wallboxes partilhadas com balanceamento dinâmico.
  • 📈 Meça: acompanhe kWh/100 km ou consumo de combustível; o que se mede, melhora.

Para municípios e empresas, há passos complementares. Contratar serviços de transporte com metas de emissões, implementar hubs multimodais e criar incentivos a entregas com bicicletas de carga mudam o perfil urbano rapidamente. Programas-piloto com biometano em frotas municipais são outra via: o biogás de resíduos locais transforma-se em combustível limpo e circular.

Um erro comum a evitar: apostar em biocombustíveis convencionais de origem agrícola quando há incertezas de sustentabilidade. Em Portugal, priorize resíduos, óleos alimentares usados e lignocelulósicos. O objetivo é cortar emissões sem criar novos problemas.

Se for para reter uma ideia, que seja esta: pequenas mudanças repetidas criam trajetos mais limpos e contas mais leves. A consistência vale mais do que um grande gesto isolado.

Obras, materiais e logística: transportar menos, melhor e com baixas emissões

A forma como se constrói influencia o impacto dos transportes. Canteiros de obra podem ser grandes consumidores de gasóleo e geradores de tráfego pesado. A boa notícia é que existe um conjunto de soluções simples, eficazes e com retorno rápido, alinhadas com a mesma lógica que guia os transportes renováveis.

A primeira é o planeamento logístico. Consolidar entregas, escolher fornecedores próximos, dimensionar corretamente o armazenamento no estaleiro e coordenar subempreiteiros reduz deslocações de camiões e carrinhas. Em reabilitações urbanas, a coordenação semanal poupa viagens redundantes e minimiza entupimentos locais.

Equipamentos elétricos estão a ganhar espaço. Gruas-torre e miniescavadoras elétricas eliminam combustíveis no local e aplicam-se a muitas frentes de obra. Quando combinadas com contratos de energia renovável, as emissões caem substancialmente. Para ferramentas de pequena e média dimensão, baterias partilhadas padronizadas evitam geradores a diesel.

O transporte de materiais também importa. Apostar em madeira estrutural proveniente de cadeias certificadas e com produção regional reduz quilómetros e emissões do ciclo de vida. Elementos pré-fabricados, além de acelerar a obra, encurtam o período de deslocações pesadas. Se o projeto exigir betão, o uso de cimentos com adições e rotas otimizadas para centrais próximas é meio caminho andado.

Nas cidades, a logística de última milha pode migrar para bicicletas de carga e carrinhas elétricas, especialmente em janelas horárias de menor tráfego. Já há empresas nacionais a fazer a distribuição de materiais leves e consumíveis de obra desta forma, libertando ruas e melhorando o ar que se respira.

Do lado da gestão, BIM e ferramentas digitais permitem simular fluxos, reduzir erros e evitar transportes desnecessários. Menos retrabalho significa menos viagens. Em candidaturas a certificações ambientais, integrar métricas de transporte torna visível o ganho e ajuda a manter o foco.

Como tudo se liga? A mesma energia renovável que abastece autocarros e comboios pode alimentar a obra, carregadores no estaleiro e a frota da empresa. Condutas elétricas temporárias com tarifários dedicados e micro-PV em contentores são estratégias de transição que já funcionam em obras reais.

O recado é direto: transportar melhor é tão importante quanto construir melhor. Otimizar o movimento de pessoas e materiais encurta prazos, custos e emissões.

Até 2030: acelerar com inteligência para transformar o top 5 em liderança sustentável

A meta de 29% de renováveis nos transportes até 2030 é ambiciosa e alcançável se o país combinar três frentes: eletrificação rápida onde é viável, biocombustíveis avançados e biometano para segmentos difíceis, e infraestrutura que sustente o crescimento. O objetivo é dobrar a quota em seis anos, mantendo a integridade ambiental das fontes.

No lado elétrico, a vantagem competitiva de Portugal é clara: elevada penetração de eólica e hídrica, além de um potencial solar em crescimento. Em 2024, vários meses tiveram mais de 75% de eletricidade renovável, com picos superiores a 80%. Esta base deve ser aproveitada para expandir corredores de carregamento rápido nas principais ligações rodoviárias, reforçar a rede em bairros e facilitar a instalação de carregamento em condomínios.

Para pesados e frotas municipais, o biometano de origem residual é um trunfo. A integração de unidades de digestão anaeróbia ligadas a ETARs e resíduos agroindustriais cria um ciclo virtuoso: transforma resíduos locais em combustível e reduz emissões de metano. Com contratos de fornecimento a médio prazo, frotas de autocarros e recolha de resíduos podem migrar rapidamente.

A aviação e o transporte marítimo exigem soluções específicas. No curto prazo, combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e biocombustíveis avançados para navegação garantem reduções mensuráveis. Entretanto, projetos-piloto de hidrogénio verde em logística portuária abrem caminho para o médio prazo.

Há, no entanto, armadilhas a evitar. A expansão de biocombustíveis convencionais com risco de mudança indireta de uso do solo pode anular ganhos climáticos. O foco deve permanecer em matérias-primas residuais e tecnologias com comprovação robusta. Regulamentação clara e fiscalização eficaz são tão importantes quanto a tecnologia.

Licenciamentos mais ágeis e alinhados com diretivas europeias ajudam a desatar nós. Simplificar a instalação de pontos de carregamento em garagens coletivas, padronizar a pré-instalação em novas construções e permitir partilha de energia em comunidades são passos com efeito multiplicador. No mercado imobiliário, equipar edifícios com infraestruturas prontas para mobilidade elétrica deixa de ser extra e passa a ser o novo básico.

Por fim, a comunicação. As pessoas aderem mais quando entendem o porquê e o como. Sinalizar poupanças reais por quilómetro, evidenciar a queda de ruído nas ruas e mostrar casos de sucesso locais cria confiança. Um bairro que publica mensalmente os seus kWh carregados a partir do telhado inspira o vizinho a seguir o mesmo caminho.

A visão é pragmática: cada rua com carregamento solar, cada autocarro a biometano e cada obra com logística otimizada aproxima a meta. A liderança constrói-se com decisões inteligentes repetidas muitas vezes.

Ação para hoje: escolha uma deslocação da semana para fazer com energia limpa — programar o carregamento nas horas solares, usar transporte público elétrico ou aderir ao carpool. O primeiro passo é simples, o efeito acumula.

Source: www.jornaldenegocios.pt

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