Estudo revela que apagão não abalou a confiança dos brasileiros na transição energética

Uma falta de energia rara pode gerar dúvidas, mas os dados mais recentes mostram o contrário: a confiança dos portugueses na transição energética permanece firme e pragmática. O foco deslocou-se para resiliência, comunicação clara e soluções de autoconsumo que façam sentido no dia a dia.

Pouco tempo? Aqui está o essencial:

✅ Ponto 💡 Essencial
Apoio às renováveis 97% mantém apoio às energias renováveis; 94% aprovam a estratégia de transição.
Medidas estruturais 🧱 Mais de 70% apoiam baterias em rede, interligações europeias e eletrificação dos consumos.
Desinformação 📵 85% notaram ruído nas redes; confiança maior nos meios tradicionais (64%).
Resiliência doméstica 🏡 Interesse em autoconsumo, baterias e comunidades de energia subiu para 50–60% dos inquiridos.

Apagão ibérico de 2025: confiança na transição energética e lições práticas para a sua casa

O corte generalizado de 28 de abril de 2025, que afetou Portugal e Espanha e deixou cerca de 60 milhões de pessoas sem eletricidade durante várias horas, poderia ter abalado a crença coletiva nas energias limpas. O estudo coordenado por Miguel Macias Sequeira mostra o contrário: a maioria dos portugueses distingue falhas operacionais pontuais do rumo estratégico de longo prazo. Há sensatez na leitura do acontecimento e vontade de fortalecer o sistema sem recuar nas metas climáticas.

Os números são claros: 97% defendem a continuação do investimento em energias renováveis e 94% apoiam a estratégia nacional de transição energética. Isto significa que, mesmo perante a excecionalidade do apagão, o “mandato social” para avançar com a descarbonização não se perdeu. Em 2026, essa base de apoio traduz-se em espaço político e social para medidas de robustez, como reforço de interligações e armazenamento.

Outro dado relevante é o apoio a soluções estruturais: mais de 70% concordam com a instalação de baterias elétricas (tanto domésticas como em rede), o reforço das interligações europeias e a eletrificação dos consumos. O recado é direto: o público está pronto para soluções técnicas que tornem o sistema mais previsível, confortável e seguro, sem travar a aposta em eólica, solar e outras fontes limpas.

O que mudou na percepção do risco e como agir em casa

Embora a confiança estratégica se mantenha, o apagão deixou marcas positivas na forma como pensamos a resiliência doméstica. Metade a 60% dos inquiridos relatou aumento de interesse em autoconsumo solar, baterias residenciais e comunidades de energia. Essa tendência é coerente com a experiência prática: um edifício com boa envolvente térmica e geração local atravessa interrupções com mais conforto e menos stress.

Exemplo realista: um T3 bem isolado, com 5 kW de painéis e 7–10 kWh de bateria, mantém iluminação eficiente, frigorífico, roteador e tomadas essenciais durante horas, mesmo em falha de rede. Se houver aquecimento de água por bomba de calor, um agendamento inteligente assegura água quente sem picos desnecessários. Em condomínios, um pequeno sistema fotovoltaico nas áreas comuns evita falhas em portas automáticas e iluminação de emergência — poucos quilowatts bem geridos fazem diferença.

Convém pensar também em redundâncias leves: tomadas USB de emergência, um ponto de luz LED recarregável e um piano de carga para celulares previnem o “pânico digital”. A lógica é simples: reduzir a dependência de picos de potência, equilibrar uso de energia e priorizar cargas críticas.

Gestão municipal e coordenação com a vizinhança

Do ponto de vista urbano, pequenos investimentos multiplicam resultados. Bairros com centros cívicos equipados com armazenamento e geração solar podem servir como hubs de resiliência, garantindo comunicações, refrigeração de medicamentos e apoio a pessoas vulneráveis. Comerciantes com câmaras frigoríficas conectadas a baterias de curta duração reduzem desperdícios e asseguram serviços mínimos.

Estas soluções, combinadas com protocolos de comunicação simples entre moradores, criam uma rede informal de cuidado. No final, o que ficou do apagão não foi medo, mas um roteiro: reforçar resiliência local, sem abdicar da transição.

Ideia-chave: a confiança mantém-se porque as soluções existem; o próximo passo é colocá-las onde importam — na sua casa, no seu bairro, na sua rotina.

estudo mostra que o apagão não diminuiu a confiança dos portugueses na transição energética, evidenciando otimismo contínuo em relação a fontes de energia renovável.

Comunicação em crises energéticas: reduzir o ruído, aumentar a confiança pública

O estudo mostra um padrão nítido: 85% dos portugueses percepcionaram desinformação nas redes sociais durante e após o apagão, enquanto 64% confiaram mais em meios de comunicação tradicionais. Houve avaliação positiva do trabalho dos operadores de rede (80%) e das autoridades (66%), mas 74% sentiram falta de explicações claras e 67% acharam que as causas verdadeiras foram pouco transparentes. A lição é operacional: quando a informação falha, o vazio é ocupado por boatos.

Como mitigar este efeito? O antídoto combina protocolos de mensagem pré-definidos, canais redundantes e linguagem direta. Comunicação técnica não precisa de jargão; precisa de sequências simples: o que aconteceu, o que está a ser feito, o que você pode esperar e o que você pode fazer já. O tempo de resposta e a consistência das fontes valem tanto quanto o conteúdo.

Plano de comunicação doméstico e de condomínio

Num prédio ou numa rua, um pequeno plano reduz ansiedade e organiza prioridades. Quem informa quem? Por onde circulam as mensagens quando os dados móveis falham? Onde está a lista de contatos de vizinhos vulneráveis? Este tipo de preparação tem custo zero e cria segurança emocional — um ponto subestimado que, em apagões, conta tanto quanto os quilowatts.

  • 📻 Rádio a pilhas e power bank carregado: informação e autonomia garantidas.
  • 📜 Cartaz no átrio com contatos úteis e orientações simples para falhas de energia.
  • 📶 Router com UPS pequena (no-break): mantém Wi‑Fi por 1–2 horas para chamadas.
  • 👥 Rede de vizinhança: quem verifica idosos, quem tem kit de primeiros socorros.
  • 🔋 Priorizar cargas: frigorífico, iluminação LED, comunicações — o resto pode esperar.

Condomínios que testam estes procedimentos duas vezes por ano reagem melhor ao inesperado. A cultura de ensaio — como num simulacro de incêndio — dá fluidez aos papéis e corta o ruído.

Instituições e empresas: transparência e previsibilidade

Para municípios, escolas e empresas, a recomendação é publicar planos de continuidade acessíveis, com “níveis de serviço” mínimos durante falhas (ex.: iluminação de emergência por X horas, pontos de carregamento, linhas de apoio). Quando o público conhece limites e soluções provisórias, cresce a tolerância ao incômodo temporário.

Uma ficha técnica pós-evento, publicada 48–72 horas depois, ajuda a fechar a porta à especulação: causa provável, sequência de eventos, medidas de correção e calendário de auditoria. É aqui que se recupera a confiança de quem considerou as explicações insuficientes.

Para aprofundar, é útil ouvir a voz de quem opera a rede e entender como funcionam os mecanismos de proteção. Quanto mais conhecemos as engrenagens, menos espaço sobra para teorias alarmistas.

Ideia-chave: clareza, redundância e previsibilidade constroem confiança tão rapidamente quanto a especulação a mina.

Autoconsumo solar, baterias e comunidades de energia: como transformar interesse em benefícios reais

O salto de interesse em soluções de autoconsumo e armazenamento doméstico após o apagão, reportado por 50–60% dos inquiridos, é mais do que uma reação emocional — é uma oportunidade racional. Painéis fotovoltaicos, baterias e participação em comunidades de energia renovável reduzem a fatura, dão autonomia em horas críticas e, em agregado, aliviam a rede nos picos.

Para começar, convém mapear consumos críticos. Em casas típicas, frigorífico, iluminação LED, roteador, computador e uma tomada multiuso somam 300–600 W. Uma bateria de 7–10 kWh cobre várias horas de autonomia para estes itens. Se houver bomba de calor, o uso programado e um depósito de inércia otimizam conforto e consumo.

Dimensionamento simples e decisões informadas

Uma regra prática: instalar entre 1 e 1,5 kW de solar por cada 1.000 kWh de consumo anual. Para uma família que consome 4.000 kWh/ano, 4–6 kW de painéis é um patamar sensato, sobretudo se houver horários diurnos de uso. Quanto ao armazenamento, 0,5 a 1 vez o consumo médio diário é uma faixa de conforto para garantir autonomia essencial.

Vantagens adicionais surgem quando vizinhos criam uma comunidade de energia: partilha-se excedente, otimizam-se perfis de consumo e investe-se em equipamentos comuns (por exemplo, um banco de baterias no topo do edifício). Em edifícios multifamiliares, a governança deve ser simples e previsível — regulamentos claros, contabilidade transparente e manutenção programada.

🔧 Solução 🌱 Benefício 💶 Nota de custo/complexidade
PV 3–5 kW Redução de fatura e menor dependência de rede 💚 Baixa a média
Bateria 7–10 kWh Autonomia de horas para cargas críticas 🟨 Média
Comunidade de energia Partilha de excedentes e ganhos de escala 🟧 Média a alta (governança)
Gestão de cargas Evita picos e aumenta a vida útil dos sistemas 💚 Baixa (software/rotinas)

Checklist de arranque para a sua casa

  • 🧾 Recolha faturas e extraia consumos mensais e horários de maior uso.
  • 🧭 Analise a orientação do telhado e possíveis sombras sazonais.
  • 🔌 Liste cargas críticas e estime autonomia desejada (em horas).
  • 🛠️ Peça 2–3 propostas comparáveis, com garantia e plano de manutenção.
  • 👥 Converse com vizinhos sobre uma comunidade de energia no prédio ou rua.

Para aprofundar especificações, estudos de caso e regras de boa construção, o repositório de ideias em Ecopassivehouses.pt reúne soluções testadas e acessíveis.

Ideia-chave: o melhor “gerador” é a eficiência; o segundo é o sol; a bateria apenas organiza a energia ao seu favor.

Interligações europeias e baterias em rede: segurança energética sem travar as renováveis

Uma rede elétrica moderna funciona como um organismo interligado. Quando a integração é robusta, partilhar capacidade entre países dilui riscos. Não surpreende que mais de 70% dos inquiridos apoiem reforçar interligações europeias e instalar baterias em rede. São estas infraestruturas que garantem estabilidade quando o vento cai em um lado e o sol desaparece no outro, e que amortecem choques em eventos raros.

O quadro regulatório europeu — com destaque para orientações operacionais consolidadas desde o Regulamento (UE) 2017/1485 — evoluiu a partir de incidentes reais, com reporte, investigação e correções obrigatórias. Em 2025, responsáveis europeus sublinharam a “solidariedade e resiliência” perante o apagão ibérico e comprometeram-se a reforçar segurança de abastecimento. Em 2026, esse compromisso traduz-se em investimentos coordenados e melhores planos de contingência transfronteiriços.

Por que interligar é ganhar

Interligações não servem apenas para “importar energia”. Funcionam como postura de equilíbrio: enviar excesso quando há e receber quando falta, reduzindo o custo de backup fóssil e baixando o preço em horas de pico. Baterias em rede — em subestações ou hubs regionais — acrescentam resposta rápida, estabilizam frequência e evitam que uma perturbação local escale para falha ampla.

Para você, cidadão, o impacto é direto: contas mais previsíveis, menos interrupções e um sistema alinhado com metas climáticas. Para as empresas, aumenta a competitividade ao amortecer volatilidade e proteger processos sensíveis.

Medidas práticas com benefício duplo

  • 🧰 Armazenamento distribuído em edifícios públicos e privados para suportar serviços críticos.
  • 🛰️ Monitorização em tempo real e regras de operação harmonizadas entre operadores.
  • 🏗️ Capacitação técnica para manutenção e resposta a incidentes, com exercícios conjuntos.
  • 📈 Mercados de flexibilidade que remuneram quem reduz consumo em picos.
  • 🔁 Retrofits de cabos, proteções e telecomando em nós-chave da rede.

Estas medidas alinham segurança, custo e clima. É a engenharia certa, no lugar certo, com tempo de resposta certo.

Compreender como a malha europeia respira no dia a dia ajuda a valorizar o papel de Portugal neste sistema interdependente — e a razão pela qual investir em renováveis com resiliência é a rota mais sensata.

Ideia-chave: interligar e armazenar não é um luxo — é o que permite acelerar renováveis sem perder estabilidade.

Habitação sustentável: ligar energia a saúde, conforto e emprego para ganhar adesão

Entre 2023 e 2025, a importância atribuída às questões ambientais desceu de 33% para 26% nas prioridades dos portugueses, enquanto saúde, habitação, emprego e educação ganharam peso. Não é desinteresse pelo clima; é a urgência do cotidiano. O que este estudo ensina é que a transição energética ganha força quando se liga a benefícios tangíveis na sua casa, na sua saúde e no seu trabalho.

Comecemos pela qualidade do ar interior. Casas bem isoladas, com ventilação mecânica controlada e filtros adequados, reduzem umidade e poluentes, melhorando sono e produtividade. Em dias de calor extremo — mais frequentes — soluções passivas como sombreamento exterior, massa térmica e ventilação noturna mantêm o conforto com muito menos energia. Em episódios raros de falha elétrica, esta “base passiva” é o que assegura temperaturas mais estáveis por mais tempo.

No plano econômico, eficiência e autoconsumo libertam orçamento familiar. Menos gastos com energia significam mais margem para saúde e educação. Empresas que modernizam iluminação, HVAC e gestão de cargas tornam-se mais competitivas e consistentes — menos paradas, menos desperdício, mais confiabilidade perante clientes. O emprego verde nasce daqui: instalação, manutenção, engenharia, auditoria energética, fabricação de componentes e software de gestão.

Três frentes para agir já em edifícios residenciais

  • 🧱 Envolvente eficiente: isolamento correto, esquadrias estanques, sombreamento e pontes térmicas tratadas.
  • 🌞 Energia ativa inteligente: PV otimizado, gestão de cargas e, se fizer sentido, bateria dimensionada para cargas críticas.
  • 🫁 Saúde e conforto: ventilação controlada, materiais de baixa emissão e manutenção calendarizada.

Em bairros, soluções compartilhadas ampliam o impacto: lavanderias comunitárias eficientes, hubs de refrigeração para comércio local e pontos de carregamento com gestão de potência. Quando a comunidade participa, a aceitação social cresce — exatamente o que o estudo aponta como necessidade: uma transição justa e participada, capaz de garantir eficácia e celeridade.

Quer um roteiro rápido? Faça uma auditoria energética simplificada, priorize medidas de baixo custo e alto impacto (vedações, LED, temporizadores), planeje investimentos por fases e avalie a criação de uma comunidade de energia com vizinhos. A plataforma Ecopassivehouses.pt reúne guias práticos e casos reais para ajudar a dar o próximo passo com segurança.

Ideia-chave: quando a transição melhora a sua vida hoje — conforto, contas, ar que respira — o apoio deixa de ser abstrato e passa a ser um compromisso vivido.

Fonte: edificioseenergia.pt

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