Estados Unidos suspendem cinco grandes projetos de energia eólica offshore

Os Estados Unidos anunciaram a suspensão de cinco grandes projetos de energia eólica offshore na Costa Leste, citando motivos de segurança nacional e potenciais interferências em radares. A decisão, divulgada em 22 de dezembro de 2025, reacendeu o debate entre inovação energética, defesa e estabilidade regulatória.

Peu de temps ? Voici l’essentiel : ⏱️
✅ Ponto Resumo
✅ Decisão-chave ⚖️ Suspensão de 5 projetos eólicos offshore por alegadas interferências de radar e riscos à segurança nacional.
✅ Projetos afetados 🌊 Revolution Wind e Sunrise Wind (Ørsted), Vineyard Wind 1 (Avangrid/CIP), Coastal Virginia Offshore Wind (Dominion) e Empire Wind 1 (Equinor).
✅ Boa prática 🧭 Projetar parques com corredores de radar, materiais de baixa refletividade e rotas de emergência mapeadas com o Pentágono.
✅ Erro a evitar 🚫 Ignorar estudos de compatibilidade eletromagnética na fase de licenciamento e diálogo técnico precoce com a Defesa.
✅ Bonus 💡 Enquanto os megaprojetos aguardam, reduzir consumo em casa com eficiência, autoconsumo e gestão inteligente de carga.

Suspensão de projetos eólicos offshore nos EUA: o que muda para a transição energética

A suspensão recaiu sobre Revolution Wind e Sunrise Wind (Ørsted), Vineyard Wind 1 (Avangrid/Copenhagen Infrastructure Partners), Coastal Virginia Offshore Wind (Dominion Energy) e Empire Wind 1 (Equinor). Estes empreendimentos formam o coração do primeiro grande corredor eólico em alto-mar americano, com contratos e infraestruturas em estágios avançados, desde fundações monopile a cabos de exportação.

O Departamento do Interior explicou que a medida atende a queixas do Pentágono: o movimento de pás em grande escala e torres altamente refletoras poderiam criar ecos em radares e confundir sistemas de vigilância costeira. A suspensão foi apresentada como “janela de tempo” para negociar mitigação com arrendatários e estados. Para o mercado, porém, a notícia foi imediata: as ações da Ørsted recuaram mais de 12% no dia, com Dominion e Equinor também em baixa.

As reações políticas foram fortes. A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, classificou a decisão como injustificada, lembrando os empregos qualificados e a cadeia industrial construída na região. No Congresso, democratas que lideram comissões de energia e ambiente avisaram: só apoiarão uma reforma de licenças em 2026 se o recuo sobre offshore wind for revertido. Estados como Connecticut, via o procurador-geral William Tong, avaliam medidas legais.

Para os consumidores, o impacto imediato não é um apagão, mas um abalo nas trajetórias de custo. A Dominion frisou que o parque da Virgínia já era peça central para a confiabilidade da rede que atende bases militares e grandes centros de dados de inteligência artificial. A Ørsted estimava entregar energia para cerca de 1 milhão de casas em três estados a partir do próximo ano. Sem esses “electrões azuis”, sistemas locais podem permanecer mais expostos a gás natural volátil e picos de preço.

A história recente ajuda a ler o momento. Houve ordens de paragem anteriores — como em Revolution Wind — revertidas por juízes federais. Empire Wind chegou a retomar após conversas com Nova Iorque e a luz verde a um gasoduto. Esse empurra-e-puxa regulatório gerou incerteza: a Ørsted levantou 9,4 mil milhões de dólares para suportar projetos nos EUA em ambiente adverso, um custo financeiro que se traduz em tarifas mais sensíveis a atrasos.

No meio do ruído, uma distinção é essencial: risco de radar não elimina a viabilidade do offshore; aponta para lacunas de desenho e coordenação que precisam de rota clara. Quando se ajustam geometrias, materiais e layouts ao ecossistema de defesa, as turbinas podem coexistir com radares, rotas de patrulha e corredores aéreos. O debate, portanto, não é “se”, mas “como e onde”.

Ideia-chave: a suspensão é um travão temporário que realça a necessidade de integração técnica com defesa e redes, sem anular o papel do offshore na descarbonização costeira.

estados unidos suspendem cinco grandes projetos de energia eólica offshore, impactando o desenvolvimento sustentável e o setor de energias renováveis no país.

Segurança nacional e interferência de radar: como compatibilizar defesa e energia limpa

Frotas de vigilância operam com radares de diferentes bandas e algoritmos de detecção. Pás de 100+ metros, com alta seção transversal radar (RCS), geram assinaturas que podem ser confundidas com alvos a baixa altitude. Acrescente a isso as torres que funcionam como refletores e cria-se um “ruído” que degrada a imagem do operador. A boa notícia: existem caminhos de mitigação testados na Europa do Norte e no Mar do Norte.

Estratégias de mitigação técnica

Primeiro, micro-siting e corredores de radar: desenhar “janelas” livres entre clusters de turbinas para passagem limpa de feixes, respeitando linhas de visada de instalações militares. Segundo, materiais e revestimentos de baixa refletividade eletromagnética para naceles e torres, reduzindo RCS. Terceiro, software e filtros no radar, com modelos de eco dinâmico que “conhecem” o parque e descontam assinaturas repetitivas.

Governança e protocolo com Defesa

Não é só engenharia. Um protocolo operacional define rotas de emergência, alerta prévio em manutenções, base de dados de ativos, e acesso controlado à telemetria. Em projetos do Mar do Norte, com marinha e guarda costeira, essa coordenação encurta licenças e reduz litigância. O mesmo pode ser replicado na Costa Leste, integrando marinhas, FAA, guarda costeira e operadores regionais (ISOs).

Exemplo prático

Imagine um corredor entre Revolution Wind e Sunrise Wind ajustado 5 graus a sul, liberando a linha de visada de um radar costeiro. Com isso, a redução de ecos permite detetar drones a baixa altitude, que foram citados como preocupação adicional por autoridades federais. Em paralelo, um programa-piloto de revestimento RAM em 10 torres pode quantificar o ganho em dB e calibrar exigências futuras sem travar toda a carteira.

Se a pergunta é “vale a pena adaptar?”, a resposta é afirmativa quando se observam benefícios sistémicos: menos emissões próximas a hubs urbanos, mais estabilidade de preço e uma camada de segurança construída a quatro mãos com Defesa. O custo adicional se dilui na escala e salva anos de incerteza.

Ideia-chave: radar e eólica offshore não são incompatíveis; requerem engenharia de detalhe, protocolos claros e compromisso institucional para migrações suaves.

Impacto económico e industrial: empregos, fábricas e contas de luz sob a suspensão

O ecossistema de offshore wind dos EUA ganhou massa: estaleiros para jackets, fábricas de cabos submarinos, terminais de montagem em portos como New Bedford e Norfolk. Uma suspensão de carteira amplia o risco de paralisação de linhas, perda de mão de obra qualificada e encarecimento por “custos de espera”. Empresas que estruturaram dívidas e encomendas ficam expostas ao relógio financeiro.

O efeito na tarifa final é indireto, mas real. Quando cronogramas derrapam, o custo de capital aumenta, e contratos de fornecimento podem exigir renegociação. No curto prazo, isso preserva maior participação de gás fóssil — sensível a choques internacionais —, mantendo a volatilidade. A Dominion alertou que a confiança da rede na Virgínia sofre, incluindo para cargas críticas como centros de dados e instalações militares que exigem energia firme e limpa.

Por outro lado, a pressão política e de mercado pode acelerar soluções. Se o diálogo com o Pentágono for transformado em “checklist” nacional de compatibilidade, projetos subsequentes entram melhor dimensionados, com menor litigância e cronogramas mais confiáveis. Investidores precificam previsibilidade; cada regra clara remove pontos percentuais do custo de capital.

Estudo de caso: um fabricante de naceles em Rhode Island negociou turnos flexíveis e requalificação para manter equipes durante um congelamento anterior. A retenção de talentos evitou meses de recontratação quando a obra retomou após decisão judicial. Em paralelo, um porto de montagem adaptou layout para incorporar ensaios de RCS ainda em terra, encurtando o comissionamento no mar.

Para famílias e pequenas empresas, a mensagem é pragmática. Tarifas não disparam do dia para a noite, mas cada atraso em infraestrutura limpa adia o efeito amortecedor contra picos. Estados costeiros com metas de descarbonização verão metas pressionadas, e isso pode adiar economias que viriam de megawatts estáveis de offshore combinados com armazenamento.

  • 🔌 Acompanhe a composição da sua fatura: procure o peso do gás vs. renováveis e identifique onde agir.
  • 🛠️ Aproveite incentivos locais para isolamento térmico, bombas de calor e painéis solares — amortizam incertezas do sistema.
  • 📈 Se for gestor de instalações, avalie PPAs virtuais e resposta à demanda para reduzir exposição a picos.

Ideia-chave: previsibilidade regulatória é tão valiosa quanto megawatts instalados; estabiliza cadeias, empregos e a sua conta de luz.

Enquanto os megaprojetos esperam: passos concretos para uma casa mais eficiente e resiliente

Grandes parques eólicos são essenciais, mas não substituem medidas domésticas que reduzem consumo, fortalecem conforto e baixam emissões. Um bairro em Providence, por exemplo, estruturou uma “microrota da eficiência”: três passos simples que qualquer família pode replicar sem reformas profundas e com retorno rápido.

Passo 1: selar perdas invisíveis

Vedações em caixilharia, correção de infiltrações e cortinas térmicas reduzem cargas de aquecimento e arrefecimento. Equipes comunitárias treinaram vizinhos para fazer o “teste do incenso”: um palito próximo a frestas revela correntes de ar. Custos baixos, ganhos imediatos.

Passo 2: aquecimento e arrefecimento eficientes

Substituir sistemas antigos por bombas de calor inverter aumenta COP e reduz picos na rede. Em climas frios da Nova Inglaterra, modelos de baixa temperatura já operam com eficiência notável. A combinação com termostatos inteligentes desloca consumo para horas fora de ponta.

Passo 3: autoconsumo estratégico

Telhados com fotovoltaico e pequenas baterias residenciais criam resiliência. Mesmo sem offshore adicional, a soma de milhares de telhados reduz pressão no sistema. Em cidades costeiras, programas de “community solar” ajudam quem não tem área própria.

Para quem quer ir além, há o trio do “baixo risco, alto retorno”: substituição de lâmpadas por LED, calafetagem de portas, e ajustes de aquecimento de água para 50–55 °C. Em seis meses, uma família média observa queda de 10–20% no consumo, o que compensa parte da incerteza sistémica trazida por suspensões em larga escala.

Seja qual for o futuro do offshore a curto prazo, um lar eficiente continua a ser o amortecedor mais rápido e seguro. Ideia-chave: eficiência e autoconsumo são a “primeira usina” da sua casa — entregam hoje os ganhos que grandes obras só trarão amanhã.

Lições regulatórias e de projeto: acelerar com segurança jurídica e desenho inteligente

A experiência americana recente mostra três lições que merecem ser integradas no ciclo de desenvolvimento de infraestrutura limpa. A primeira é incorporar avaliações de compatibilidade eletromagnética ao EIA/RIMA desde o início, mapeando radares, rotas e linhas de visada. A segunda é um memorando-padrão de entendimento entre promotores e Defesa, com KPIs e prazos definidos. A terceira é a transparência de dados em portais públicos, para reduzir litigância e aumentar confiança social.

No plano do desenho, portfólios com clusters distribuídos e distâncias internas moduladas por corredores de radar tendem a licenciar melhor do que blocos contínuos. Materiais com menor RCS devem migrar de pilotos para especificações de referência. E operadoras podem contratar “equipes sombra” de cibersegurança e aviação para validar cenários de risco além do radar, como enxames de drones, também citados por autoridades.

Vale destacar o papel das cidades e portos. Terminais de montagem que integram pátios de ensaio eletromagnético e simulação de tráfego aéreo oferecem evidência prática antes de qualquer cravação no fundo do mar. Ensaios feitos cedo evitam surpresas de última hora e constroem pontes com instituições militares locais.

Num horizonte de 12–18 meses, um pipeline claro com marcos de mitigação e auditorias conjuntas permitiria retomar obras sem sacrificar segurança. Esse é o ponto de convergência: previsibilidade para investidores, robustez para Defesa e benefícios para consumidores. A energia eólica offshore não precisa ser interrompida por completo; precisa ser melhor integrada ao contexto costeiro americano.

Ideia-chave: segurança jurídica nasce de regras claras e engenharia aplicada; quando ambas caminham juntas, projetos avançam e a sociedade colhe os frutos.

Source: www.publico.pt

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Scroll to Top