APREN destaca que as energias renováveis seguem essenciais para a estabilidade dos preços da eletricidade

A estabilidade dos preços da eletricidade não acontece por acaso: resulta de escolhas técnicas e políticas consistentes. A APREN sublinha que as energias renováveis, quando bem integradas, atuam como amortecedor natural da volatilidade, protegendo o seu orçamento familiar.

Peu de temps ? Voici l’essentiel :
Resumo rápido
Renováveis estabilizam preços: custo marginal baixo e “ordem de mérito” empurram para baixo o preço grossista, sobretudo em horas de sol e vento.
🧭 2026 com ligeiro aumento: a ERSE projeta ~1% para consumidores domésticos (BTN), mas a tarifa de energia baixa ~2,6%; a estabilização vem das renováveis.
🧩 Rede e comercialização sobem: acesso à rede e custos de comercialização (+8,2%) pressionam a fatura, compensados por CIEG em queda e pela redução do diferencial PRG.
🚀 PNEC 2030 exige execução mais rápida: acelerar renováveis e flexibilidade reforça a tendência de baixa dos preços e protege contra choques.
🏠 Para si: autoconsumo fotovoltaico, gestão de cargas e pequenos melhoramentos de eficiência reduzem custos já e aumentam resiliência.

APREN e a estabilidade dos preços: como as renováveis amortecem a volatilidade do mercado elétrico

Quando se fala em preços de eletricidade, duas variáveis dominam: custo marginal de produção e regras de mercado. As tecnologias renováveis, com custos marginais próximos de zero, entram primeiro no despacho, empurrando as centrais mais caras para fora do mercado em muitas horas. Esse mecanismo – conhecido como ordem de mérito – tem sido determinante para conter a volatilidade trazida pela crise energética europeia.

Depois de um pico de incerteza, o mercado grossista registou uma descida acentuada em 2024 com um preço médio na ordem dos 63 €/MWh, cerca de 28% abaixo de 2023. Entre fatores estruturais, contam-se a reaproximação à normalidade das commodities e a maior presença de renováveis, reforçada por medidas regulatórias que reduziram custos sistémicos. Em 2025, a referência média estimada situou-se perto de 60,9 €/MWh, enquanto o valor observado se aproximou de 65 €/MWh, sinal de que a incorporação renovável ficou ligeiramente aquém do planeado. Ainda assim, o papel estabilizador manteve-se.

O efeito estabilizador vê-se também no balanço económico do sistema. A APREN destaca que a redução do diferencial de custo da Produção com Remuneração Garantida (PRG) resulta de novas regras e da maturidade das tecnologias, com destaque para o regime eólico alternativo e as compensações dos leilões fotovoltaicos. Em termos líquidos, a incorporação de PRE trouxe até novembro uma poupança superior a sete mil milhões de euros por efeito de ordem de mérito, superando os custos associados.

Na prática, o que isto significa para si? Menos exposição a choques de preços do gás e do carbono, especialmente quando o sol e o vento são abundantes. Em dias de elevada produção fotovoltaica, o preço no mercado grossista pode cair drasticamente nas horas de almoço, o que se traduz em tarifas diárias mais previsíveis e oportunidades para deslocar consumos.

Motores da estabilidade que as renováveis trazem

Perceber os motores ajuda a agir com inteligência. Em Portugal, as interligações ibéricas, a crescente capacidade solar e eólica, e a flexibilidade (armazenamento, gestão da procura, hidráulica) trabalham em conjunto. O benefício sobe quando a execução de projetos não atrasa e quando a rede acompanha o ritmo com reforços e digitalização.

  • 🌞 Solar ao meio-dia: reduz preços e viabiliza autoconsumo com retorno mais rápido.
  • 🌬️ Vento noturno: equilibra a curva e evita o recurso a centrais caras em horas de ponta.
  • 💧 Hídrica ajustável: serve de “amortecedor” em dias menos renováveis.
  • 🔋 Armazenamento: desloca energia barata para horas caras, estabilizando picos.
  • 🧠 Gestão de cargas: bombas de calor e carregamento de VE programados reduzem a pressão na rede.

A mensagem-chave permanece clara: quanto maior a fatia renovável e a flexibilidade do sistema, menor a volatilidade e maior a previsibilidade da sua fatura.

apren destaca a importância contínua das energias renováveis para garantir a estabilidade dos preços da eletricidade em portugal.

Tarifas 2026: leitura da ERSE e análise da APREN — o que muda e como proteger a sua fatura

A atualização tarifária projetada para 2026 sinaliza um cenário estável para os consumidores domésticos (BTN). A ERSE antecipa um aumento médio de cerca de 1% face a 2025, ao mesmo tempo que a tarifa de energia recua ~2,6% graças à expectativa de preços de mercado mais baixos. Em contrapartida, as tarifas de comercialização sobem 8,2% e o acesso à rede tem um acréscimo, refletindo investimentos e custos de operação.

O alívio vem dos Custos de Interesse Geral (CIEG) em descida e da redução do diferencial PRG, com a APREN a salientar um valor previsto na ordem dos ~627 milhões de euros para 2026, cerca de -22,6% face ao ano anterior. É um sinal de maturidade do setor e de que as políticas de leilões e regimes alternativos começam a entregar resultados tangíveis ao sistema elétrico nacional.

Para interpretar o impacto na sua fatura, vale olhar para as “caixas” que compõem o preço: energia, redes, comercialização e impostos. A parcela “energia” tende a aliviar; redes e comercialização pressionam um pouco. O saldo, segundo a regulação, mantém a fatura praticamente inalterada em termos reais, abaixo da inflação esperada — reforçando o papel estabilizador das renováveis.

🧾 Componente 2025 2026 (prev.) Variação
⚡ Tarifa de energia Base Mais baixa -2,6% ⬇️
🔌 Acesso às redes Base Mais alta ⬆️
🛒 Comercialização Base Mais alta +8,2% ⬆️
🏛️ CIEG Mais alto Mais baixo ⬇️
🌱 PRG (dif. custo) Referência ~627 M€ -22,6% ⬇️

Como agir já para pagar menos

A melhor resposta é tática e simples. Se tem tarifa bi-horária, programe consumos para horas de vazio (lavar e secar roupa, carregar VE, aquecer termoacumulador). Se não tem, comparar ofertas no mercado livre continua a ser essencial — priorize comercializadores que reflitam o alívio da componente “energia”.

No edifício, pequenos gestos rendem muito: ajuste o termóstato da bomba de calor, otimize caudal de AQS, corrija infiltrações de ar, verifique a estanquidade de janelas. Em casas com fotovoltaico, maximize o autoconsumo com gestão de cargas e, se possível, instale uma tomada inteligente para sincronizar eletrodomésticos com o pico solar.

Se pondera instalar PV, procure comunidades de energia ou condomínios com telhados desocupados. O retorno encurta quando o consumo diurno é bem casado com a produção, especialmente em lares com teletrabalho ou bombas de calor.

Erro frequente a evitar

Muitos consumidores mudam de fornecedor só pelo desconto inicial e esquecem a estrutura tarifária. Compare a curva horária e a política de indexação antes de decidir. O barato pode sair caro em horas de ponta.

Para visualizar na prática a leitura da fatura e a diferença entre componentes, vale um bom guia visual.

No conjunto, a orientação é clara: otimize quando consome, escolha quem lhe vende bem e, se possível, produza parte da sua energia. É assim que a estabilidade do sistema passa a estabilidade no seu orçamento.

PNEC 2030 e flexibilidade: acelerar execução para baixar preços e aumentar resiliência

Portugal consolidou um lugar de referência nas renováveis, mas a APREN tem sido assertiva: sem execução célere, os benefícios não chegam totalmente à fatura. O Plano Nacional Energia e Clima (PNEC 2030) definiu metas ambiciosas para renováveis e eficiência, porém o ritmo recente abrandou, refletindo-se numa incorporação abaixo do potencial e num preço médio ligeiramente acima do estimado.

O que significa acelerar? Em primeiro lugar, remover gargalos de licenciamento e reforçar a rede — física e digital. Em segundo, expandir armazenamento e resposta da procura para orquestrar a variabilidade renovável. Em terceiro, dinamizar comunidades de energia e autoconsumo coletivo para democratizar a produção e reduzir perdas na rede.

Sem flexibilidade, o sistema enfrenta picos e vales: energia barata desperdiçada ao meio-dia e procura excessiva ao entardecer. Com baterias, gestão inteligente e veículos elétricos bidirecionais, esse puzzle transforma-se: guarda-se energia quando sobra e usa-se quando falta, o que suaviza preços e diminui a necessidade de recorrer a tecnologias dispendiosas.

Três alavancas de flexibilidade que descem preços

Primeira alavanca: baterias distribuídas. Condomínios com PV e armazenamento reduzem picos no transformador local, melhorando a qualidade de serviço e evitando investimentos mais caros na rede. Segunda: gestão ativa de consumos em edifícios com bombas de calor, onde é possível pré-aquecer água e espaços nas horas baratas. Terceira: VE como recurso, através de carregamento inteligente e, futuramente, V2G (vehicle-to-grid), transformando cada viatura num pequeno buffer energético.

Exemplos práticos ajudam a visualizar. Numa escola municipal de média dimensão, um sistema de 100 kWp com 200 kWh de baterias desloca 30% da procura para horas de energia barata, reduz a fatura anual em dois dígitos percentuais e alivia o posto de transformação no horário de ponta. Num bairro com 50 VEs, programar carregamento para depois da meia-noite suaviza a curva local e diminui custos de perdas e congestionamentos.

Importa ainda a boa engenharia: inversores dimensionados corretamente, proteções atualizadas, integração com BMS, e contratos que valorizem a flexibilidade prestada. O regulador e os operadores de rede tendem a remunerar melhor serviços de sistema à medida que a penetração renovável cresce, o que abre espaço a novos modelos de negócio comunitários.

A pergunta que vale ouro: como é que isto ajuda a sua casa? Com tarifários dinâmicos, programar consumos transforma-se em euros poupados. Com uma bateria pequena (mesmo 5 kWh), o pico do entardecer pode ser coberto sem recorrer a energia mais cara. E em edifícios de apartamentos, o autoconsumo coletivo divide custos e multiplica benefícios.

O fio condutor é simples: execução, flexibilidade e literacia energética. Acelerar o PNEC 2030 é garantir que a tendência de baixa dos preços não é um acaso, mas um novo normal ao alcance de todos.

2025 em números: 75,1% de eletricidade renovável, solar supera eólica em junho e implicações para o consumidor

Entre janeiro e novembro, 75,1% da geração elétrica veio de renováveis em Portugal Continental, mantendo o país na dianteira europeia. Em novembro, a quota renovável atingiu cerca de 74,3%, enquanto no primeiro semestre a produção limpa chegou a ~79,3%. Um marco simbólico animou o setor: em junho, a energia solar ultrapassou pela primeira vez a eólica no mix mensal, revelando a força da nova capacidade instalada.

Estes números contam uma história de maturidade. A expansão fotovoltaica aproxima o país de um sistema quase totalmente renovável, mas a sazonalidade da hídrica e do vento continua a exigir prudência: anos secos pedem mais armazenamento e interligações, e ondas de calor incrementam a procura por arrefecimento. A estabilidade de preços só se consolida com flexibilidade e execução consistente.

Para si, o principal impacto é a previsibilidade. Em casas com bomba de calor, a combinação com PV reduz o custo do aquecimento/arrefecimento em horas de maior produção. Em edifícios multifamiliares, o autoconsumo coletivo favorece famílias sem telhado próprio, que passam a partilhar a energia produzida no topo do prédio — um ganho social e económico notável.

Casos reais que inspiram

Considere o “Condomínio Ribeirinho”, um conjunto de três blocos com 60 frações em Matosinhos. Ao instalar 120 kWp no telhado e gerir a energia com um algoritmo simples (priorizando AQS e eletrodomésticos de maior consumo entre as 11h e as 16h), o condomínio aumentou o autoconsumo para 62% e reduziu a fatura comum em 28%. O investimento foi feito com um fundo de reparação existente, e o payback previsto é inferior a seis anos.

Numa moradia unifamiliar nos arredores de Évora, a “Família Sousa” combinou 6 kWp de PV, uma bomba de calor de 5 kW e janelas de alto desempenho. Ao deslocar lavagens e secagens para o início da tarde e fazer pré-aquecimento de AQS, o agregado cortou a importação da rede ao fim do dia e estabilizou a fatura anual, mesmo em semanas de calor extremo. O segredo? Gestão de cargas e pequenos hábitos consistentes.

Estes exemplos não exigem soluções futuristas. Exigem bom projeto, execução cuidada e sistemas simples de automação — tomadas inteligentes, programadores e, quando viável, uma bateria compacta. Ao somar-se à tendência nacional, a sua casa passa a parte da solução: mais produção local, menos pressão na rede e preços mais estáveis.

Para aprofundar o tema das comunidades de energia e encontrar casos práticos explicados, a pesquisa certa ajuda a transformar ideia em ação.

O recado destes números é inequívoco: renováveis em alta, contas mais previsíveis. O degrau seguinte é ligar eficiência e flexibilidade ao seu dia a dia.

Da teoria à obra: medidas práticas no seu edifício para travar custos e reforçar autonomia

A estabilidade do sistema ganha vida na sua casa quando três pilares se juntam: envolvente eficiente, sistemas inteligentes e produção local. Não é preciso fazer tudo de uma vez; é preciso começar com o que dá maior retorno por euro investido.

Primeiro, a envolvente. Melhorar estanquidade, corrigir pontes térmicas e reforçar isolamento em cobertura e paredes reduz a necessidade de energia em todas as estações. Em janelas, optar por vidro baixo emissivo e caixilharia estanque resolve infiltrações que desperdiçam calor no inverno e arrefecimento no verão. Pequenos ajustes, como fita de estanquidade e borrachas de vedação, geram ganhos imediatos com custos contidos.

Segundo, os sistemas. Bombas de calor bem dimensionadas substituem caldeiras antigas com rendimento superior, sobretudo quando combinadas com piso radiante de baixa temperatura ou ventilo-convetores eficientes. Termóstatos inteligentes e válvulas termostáticas equilibram conforto com poupança: mais temperatura quando a eletricidade é barata, menos no pico. Para AQS, programar ciclos nos horários solares reduz picos noturnos.

Terceiro, a produção local. Em moradias, 3–6 kWp de PV cobrem grande parte da base diurna; em apartamentos, comunidades de energia permitem partilhar produção de telhado. Uma bateria de 5–10 kWh pode deslocar consumos críticos do final do dia. Onde a bateria não é viável, “bateria virtual” via comercializador é alternativa crescente, compensando excedentes em meses futuros.

Checklist rápido para agir esta semana

  • 🧰 Verifique infiltrações em caixilharias e caleiras; selagens simples evitam perdas de energia.
  • ⏱️ Programe eletrodomésticos para as horas de maior sol ou de vazio tarifário.
  • 🔌 Instale tomadas inteligentes para sincronizar consumos com a produção PV.
  • 🌡️ Ajuste a curva da bomba de calor e reduza 1 ºC onde possível.
  • 🌞 Estude a viabilidade de PV (individual ou coletivo) com base no seu perfil de consumo.
  • 📊 Compare ofertas no mercado livre e privilegie contratos transparentes.

Se procura aprofundar soluções e detalhes de obra, a plataforma Ecopassivehouses.pt reúne ideias e boas práticas para aplicar com critério e simplicidade. O objetivo é sempre um: mais conforto, menos despesa e um impacto ambiental menor.

Como lembrete final desta parte, retenha isto: cada kWh não consumido ou consumido no tempo certo vale ouro na sua fatura. Hoje é o melhor dia para dar o primeiro passo.

Ação simples para começar agora: escolha um equipamento de maior consumo em sua casa e programe-o para rodar nas horas mais baratas ou de maior produção solar. Em poucos dias, verá a diferença na estabilidade do seu gasto energético.

Source: jornaleconomico.sapo.pt

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