Destaques do Prêmio REN: Energias Renováveis Variáveis e a Transição para o Hidrogênio

A edição mais recente do Prêmio REN colocou o foco onde o setor precisa: a integração de energias renováveis variáveis e a transição para o hidrogênio. As teses distinguidas trazem ferramentas práticas para redes, edifícios e territórios que querem acelerar a descarbonização com rigor técnico e custos controlados.

O que segue é um guia claro, inspirado pelos vencedores, para que possa transformar conhecimento acadêmico em decisões úteis — desde a rede ao bairro, até à sua casa.

Pouco tempo? Aqui está o essencial:

✅ Pontos-chave 💡 Valor prático
Integração de renováveis variáveis sem perder confiabilidade ⚡ Planejamento de capacidade, interligações e gestão ativa da demanda.
Rota para hidrogênio a 100% na rede de gás 🧪 Metodologias de transição e casos-piloto como o CelZa 🇧🇷🇪🇸.
Evitar erros comuns na mistura H2+GN 🚫 Materiais, detecção de vazamentos e ventilação pensados logo no projeto.
Bônus: valorizar energia das ondas 🌊 OWC em portos e frentes costeiras com benefícios para bairros próximos.

Destaques do Prêmio REN: Energias Renováveis Variáveis e a Transição para o Hidrogênio em 2025

O Prêmio REN, um dos galardões científicos mais antigos em Portugal, premiou as melhores teses de Doutoramento e Mestrado na área da energia realizadas em universidades portuguesas. A cerimônia do 30.º Prêmio teve lugar no Salão Nobre do Hotel Ritz, em Lisboa, com a presença da Ministra da Energia e do Ambiente, reforçando a ligação entre ciência e decisão pública.

O primeiro destaque vai para Amadou Bissiri (Universidade de Coimbra), reconhecida pela tese “Catalisando a energia renovável variável no Pool Energético da África Ocidental”, que combina planejamento de expansão da capacidade com reformas institucionais. No mestrado, o prêmio maior foi para André Dias (FEUP), com “A transição do gás para o hidrogênio a 100%: metodologias de planejamento de redes e desafios para o sistema energético”, aplicado ao projeto CelZa, um corredor de transporte de hidrogênio verde entre Portugal e Espanha.

O pódio completou-se com Catarina Cartaxo (IST), que estudou Colunas de Água Oscilantes (OWC) para conversão de energia das ondas, e Pedro Marques (IST), que recorreu a imagiologia para avaliar misturas GN+H2 em condições reais. Menções honrosas distinguiram Sofia Andrade (FCUL) e Miguel Tavares (IST), sublinhando a diversidade de tópicos úteis para redes e edifícios.

As Medalhas de Mérito Científico REN – Ciência LP – FCT valorizaram jovens de países africanos de língua portuguesa: na categoria Mulheres Pesquisadoras, venceu Leila Jossias com um estudo sobre síntese de metanol por oxidação direta do metano; em Estudantes e Pesquisadores, Gafar Muganharia venceu com simulação de remoção criogênica de H2S e CO2, e Alberto Filimão destacou-se com energias renováveis oceânicas na costa de Moçambique.

  • 🏆 Doutoramento: 30.000 € — impacto estrutural e regional.
  • 🎓 Mestrado: 25.000 € (1.º), 15.000 € (2.º), 10.000 € (3.º) — inovação aplicável.
  • 🔖 Menções honrosas: 2.500 € — relevância e potencial.
  • 🌍 Medalhas REN – Ciência LP – FCT: 5.000 € (1.º) e 2.500 € (2.º) — talento lusófono.
🏅 Categoria 👤 Vencedor(a) 🧭 Tema 💶 Prêmio
Doutoramento Amadou Bissiri Integração de renováveis variáveis na África Ocidental 30.000 € 💼
Mestrado (1.º) André Dias Transição do gás para hidrogênio 100% (CelZa) 25.000 € 🚀
Mestrado (2.º) Catarina Cartaxo Colunas de Água Oscilantes (ondas 🌊) 15.000 €
Mestrado (3.º) Pedro Marques Avaliação de blend GN+H2 por TAC 10.000 €
Menções S. Andrade, M. Tavares Energia e sistemas limpos 2.500 € 🔖

Estes resultados mostram uma agenda completa: integração de VRE, redes preparadas para hidrogênio e novos vetores como a energia das ondas. É o mapa de que o país precisava.

explore os principais destaques do prêmio ren sobre energias renováveis variáveis e a transição para o hidrogênio, focando em inovação e sustentabilidade energética.

Como catalisar Energias Renováveis Variáveis com confiabilidade: lições para redes e bairros

Quando se fala em energias renováveis variáveis (solar e eólica), a pergunta crucial é: como aumentar a quota sem provocar instabilidade? A tese premiada de doutoramento responde com dados e método: planejamento de expansão de capacidade integrado com reformas de mercado e cooperação regional. Vale para a África Ocidental e é altamente transferível para a Península Ibérica.

No plano técnico, três alavancas são decisivas. A primeira é o mix de geração: PV distribuído, eólica onshore/offshore e alguma firmeza via armazenamento ou flexibilidade da demanda. A segunda é a rede: reforços, interligações e digitalização (medição inteligente e controle preditivo). A terceira é a governação: regras que pagam serviços de sistema e encorajam resposta do lado da demanda.

Para tornar isto palpável, pense no “Bairro Solar da Lapa”, um quarteirão fictício em Lisboa. Com 1 MWp de PV em coberturas, 300 kWh de baterias comunitárias e gestão de cargas (bombas de calor e carregadores VE), o bairro corta picos, desloca consumo para as horas de maior produção e reduz perdas. Em dias ventosos, a interligação com um parque eólico costeiro assegura previsibilidade; em dias nublados, o armazenamento cobre o jantar sem passar a conta para o pico nacional.

  • ⚙️ Passo 1: dimensionar PV e eólica com base em perfis reais (12 meses).
  • 🔌 Passo 2: instalar smart meters e definir tarifas com sinal horário.
  • 🔋 Passo 3: adicionar baterias comunitárias e controle de cargas (VE e AQS).
  • 🤝 Passo 4: contrato de flexibilidade com o operador de rede para serviços de sistema.
🔧 Alavanca 📈 Benefício 🧪 Métrica prática ✅ Dica
Mix PV+eólica Reduz variabilidade líquida Correlação diária/estacional 📊 Combinar inclinações e orientações ☀️
Armazenamento Suaviza rampas Horas de autonomia 🔋 Priorizar serviços de valor (pico) ⏱️
Gestão da demanda Corta picos e custos kW flexíveis por habitação 🏠 Programar AQS e VE no período solar 🌞
Interligações Estabilidade regional Capacidade de intercâmbio 🔄 Agendar manutenção em baixa demanda 🛠️

Para quem projeta edifícios, isto traduz-se em coberturas ativas, fachadas com sombreamento eficaz e infraestruturas elétricas preparadas para bidirecionalidade. No “Bairro Solar da Lapa”, os gestores conseguiram reduzir a fatura anual em 22% com um investimento que se paga em 6 a 8 anos quando somados os serviços de flexibilidade ao operador.

Se procura aprofundar conceitos de planejamento e simulação de VRE em redes regionais, vale explorar conteúdos que sintetizam boas práticas internacionais.

O fio condutor é simples: a confiabilidade nasce do conjunto — tecnologia, rede e regras. É assim que a percentagem de VRE cresce sem sobressaltos.

Transição do gás natural para hidrogênio: metodologias, CelZa e impactos em edifícios

A tese de André Dias oferece um roteiro para converter infraestruturas de gás para hidrogênio a 100%, com estudos de caso aplicados ao projeto CelZa, que ligará Portugal e Espanha com um corredor de H2 verde. O método cruza análise tecnoeconômica, calendários de conversão por troços e critérios de segurança e materiais.

Porque interessa isto a quem constrói ou reabilita? Porque a transição da rede altera especificações de aparelhos, tubulações e ventilação em edifícios. A oportunidade é preparar hoje “prontos para H2” sem custo excessivo, escolhendo componentes e rotas de tubulação que não precisem de ser reabertas amanhã.

Um exemplo concreto: a Cooperativa Atlântica, um conjunto de 120 fogos em um município litoral, decidiu que novas cozinhas viriam com pré-instalação elétrica reforçada e espaço técnico para micro-CHP a H2 quando o gás for convertido. Assim, o custo marginal de adaptação cai para metade e o tempo de parada em obra reduz para 24 horas por fração.

  • 🧰 Materiais: optar por aços e polímeros compatíveis com H2 (evitar fragilização).
  • 🕳️ Ventilação: prever grelhas altas em compartimentos com aparelhos (H2 é leve).
  • 📟 Detecção: tubulações com pontos de teste e sensores calibrados para H2.
  • 🔄 Roteamento: caminhos de tubulação acessíveis, sem passagens ocultas longas.
🏗️ Componente 🔍 Situação com GN 🔁 Mudança com H2 ✅ Ação recomendada
Tubagem Aço carbono padrão Risco de fragilização Especificar ligas compatíveis 🧪
Queimadores Jets para GN Jets e válvulas especiais Modelos “H2-ready” 🔧
Ventilação Baixa/porta Alta e cruzada Grelhas superiores ↗️
Detecção Metano H2 (sensores rápidos) Redundância e teste 🧯

Em redes, a conversão faseada minimiza riscos: setores menos densos primeiro, estações de regulação adaptadas e campanhas de comunicação para trocas de aparelhos. O caso CelZa mostra que corredores transfronteiriços podem dar escala a projetos industriais e criar sinal de investimento para edifícios e mobilidade.

Para visualizar tendências e trabalhos em curso na Península Ibérica e na UE, vale procurar uma visão de síntese sobre corredores de hidrogênio e adaptação de redes.

O recado para o projeto de edifícios é direto: planeje hoje para evitar retrabalhos amanhã. O custo de prever é sempre menor do que o de refazer.

Energia das ondas e blend GN+H2: oportunidades para portos, bairros costeiros e segurança

A investigação de Catarina Cartaxo sobre Colunas de Água Oscilantes (OWC) identifica este conceito como o mais promissor para converter energia das ondas em eletricidade. OWC integra-se bem em molhes e quebra-mares, com impactos visuais limitados e possibilidade de alimentar comunidades portuárias e bairros costeiros. Em paralelo, o trabalho de Pedro Marques sobre blends de GN+H2 usando TAC ajuda a limpar suposições: misturas exigem desenho cuidadoso de materiais e medição para evitar microfugas.

Imagine o Porto da Maré (caso hipotético): um módulo OWC embutido no molhe fornece energia previsível que complementa PV em armazéns. Um bairro adjacente, com 600 fogos, usa esta eletricidade para bombas de calor e carregamento noturno. Quando a rede de gás local começar a introduzir 20% de H2, as condutas já são compatíveis e os detectores calibrados.

  • 🌊 OWC em portos: boa integração civil e baixa pegada visual.
  • 🔬 Blend GN+H2: testar materiais e estanqueidade antes de elevar percentagens.
  • 🏘️ Sinergias locais: OWC + PV + baterias para micro-redes costeiras.
  • 🛡️ Segurança: sensores rápidos e ventilação adequada em casas e edifícios públicos.
🌐 Tecnologia ⚡ Uso típico 📊 Vantagem 🚧 Ponto de atenção
OWC Portos e molhes Integração civil existente 🧱 Curva de potência sazonal 📆
Blend GN+H2 Redes urbanas Redução gradual de CO₂ 🌍 Materiais e detecção 🔎
H2 a 100% Indústria e clusters Descarbonização profunda 🏭 Normas e conversão 🔐

O desenho arquitetônico deve acomodar casas com salas técnicas ventiladas, shafts acessíveis e espaço para baterias e inversores. Em bairros costeiros, a eletricidade de base do OWC suaviza o consumo noturno, e a gestão da demanda alinha-se com a previsão de ondulação local — um casamento entre clima e engenharia.

Para ver casos e conceitos visuais de conversão de energia das ondas em contexto urbano-portuário, procure por vídeos que mostrem integração com molhes e usos combinados com PV.

Quando portos e bairros colaboram, obtém-se energia local com identidade atlântica e segurança preparada para o futuro do gás.

REN – Ciência LP – FCT: talento lusófono que acelera a transição energética

As Medalhas de Mérito Científico REN – Ciência LP – FCT reforçam uma ponte essencial: conhecimento que flui entre Portugal e países africanos de língua portuguesa. Em Mulheres Pesquisadoras, Leila Jossias simulou a síntese de metanol via oxidação direta de metano, avaliando viabilidade energética — um atalho interessante para valorizar recursos e reduzir emissões. Em Estudantes e Pesquisadores, Gafar Muganharia modelou remoção criogênica de H2S e CO2 em gás de síntese, e Alberto Filimão mapeou energias oceânicas na costa de Moçambique.

Este ecossistema cria soluções que Portugal pode adotar e co-desenvolver. Imagine a “Escola Solar de Maputo” (exemplo ilustrativo): telhados com PV, ventilação natural, e laboratório didático que testa membranas de captura de CO2 e microeletrolisadores. A troca de conhecimento com universidades portuguesas acelera a curva de aprendizagem e evita erros caros.

  • 🤝 Colaboração: equipes mistas e códigos abertos para partilha de modelos.
  • 🧭 Pilotos: pequenos projetos com medição rigorosa e replicação.
  • 📚 Formação: cursos curtos para técnicos de obra e manutenção.
  • 🪙 Financiamento: combinar fundos locais, filantrópicos e inovação privada.
🏅 Categoria 👩‍🔬/👨‍🔬 Projeto 🌱 Relevância 💶 Prêmio
Mulheres Pesquisadoras Leila Jossias — metanol a partir de metano Valorização de recursos e química limpa ⚗️ 5.000 € 🥇
Estudantes/Pesquisadores G. Muganharia — remoção criogênica H2S/CO2 Gás limpo para síntese e H2 🧊 5.000 € 🥇
Estudantes/Pesquisadores (2.º) A. Filimão — renováveis oceânicas Mapeamento costeiro para projetos 🌊 2.500 € 🥈

Para o leitor, a mensagem é pragmática: mais do que prêmios, existe um repositório de soluções e talento disponível para parcerias. Ao alinhar projetos de reabilitação com investigação ativa, a margem de erro diminui e a eficiência sobe.

O resultado é um círculo virtuoso: inovação com utilidade pública, formação técnica sólida e benefícios palpáveis em comunidades reais.

Aplicar os destaques do Prêmio REN à sua casa e ao seu bairro: passos imediatos

As ideias premiadas tornam-se verdadeiramente valiosas quando entram em obra. Em reabilitação urbana, a estratégia pode começar por uma auditoria simples e terminar com um condomínio energeticamente inteligente. A boa notícia: muito do que importa é organização e decisão faseada, não tecnologia exótica.

Considere o “Quarteirão do Cedro” (exemplo): um conjunto de 6 prédios decide criar uma comunidade de energia. Começam por PV nas coberturas, medição inteligente e acordos de flexibilidade com o operador. Em paralelo, especificam cozinhas e salas técnicas “H2-ready”, com ventilação e detecção. O plano a 36 meses inclui uma bateria de 200 kWh e 12 pontos de carregamento para VE com tarifários alinhados à produção local.

  • 📊 Diagnóstico: medir consumos por uso (AQS, aquecimento, eletrodomésticos).
  • ☀️ Geração: PV em cobertura com inversores preparados para V2G/V2B.
  • 🔋 Armazenamento: dimensionado para 1–2 horas de pico local.
  • 🧯 Segurança H2: grelhas altas, sensores e tubulações acessíveis.
  • 🤝 Contrato de flexibilidade: monetizar cortes de pico e serviços de sistema.
🧱 Elemento 🎯 Objetivo 📐 Regra prática 💡 Ferramenta
PV e inversores Cobrir base diária Orientações mistas (E/O) ➕ sul Simulador aberto PV 🧮
Baterias Suavizar picos 1–2 h do pico do prédio EMS com IA leve 🤖
H2-ready Evitar retrabalhos Shafts acessíveis e ventilados Checklists de materiais ✅
Flexibilidade Receita adicional Eventos de 30–120 min Contrato com DSO/aggregator 🤝

Ferramentas simples fazem a diferença: folhas de cálculo com perfis horários, sensores Wi-Fi para usos intensivos (AQS e bombas de calor), e um painel compartilhado para a comunidade. Se precisar de referências e guias práticos, explore conteúdos úteis em Ecopassivehouses.pt.

Começar pequeno, medir e escalar: este é o caminho para transformar a inspiração do Prêmio REN em valor concreto no seu edifício.

Hoje, escolha um passo: meça um circuito crítico da sua casa ou peça a implantação de contadores inteligentes no condomínio. O resto segue com disciplina e método — a energia limpa gosta de bom senso e de planos claros.

Fonte: www.ren.pt

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