Um novo impulso europeu promete tornar as Comunidades de Energia Renovável mais simples, justas e eficientes. Com liderança portuguesa, o projeto INNO-TREC quer desbloquear a criação e a gestão de energia local com ferramentas digitais gratuitas e pensadas para pessoas e bairros reais.
Se procura caminhos práticos para produzir, partilhar e valorizar energia limpa na sua rua ou no seu condomínio, encontrará aqui respostas claras, dados sólidos e passos acionáveis.
Sem tempo? Aqui está o essencial:
| ✅ Ponto-chave ⚡ | O que significa para você 🧭 | Ação rápida hoje 🛠️ |
|---|---|---|
| FEUP lidera o INNO-TREC (5,4 M€) 🏛️ | Ferramentas digitais gratuitas vão simplificar a criação e gestão de CER | Mapeie vizinhos interessados e perfis de consumo |
| Avaliação máxima (15/15) 🏆 | Projeto validado entre 76 candidaturas, taxa de aceitação de 3,9% | Defina já objetivos: autoconsumo, poupança, resiliência |
| Pilotos em 6 países 🌍 | Modelos testados em Portugal, Grécia, Bélgica, Irlanda, Reino Unido e Itália | Escolha telhados potenciais e verifique sombreamento |
| Arranque em janeiro de 2026 🚀 | Resultados progressivos e guias práticos durante o desenvolvimento | Crie um grupo de trabalho e um e-mail comum de projeto |
INNO-TREC da FEUP: por que este projeto pode acelerar comunidades de energia renovável
O INNO-TREC está a ser coordenado pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e foi financiado pela Comissão Europeia com 5,4 milhões de euros. Este apoio raro — com uma seleção de apenas 3,9% de propostas no Horizonte Europa e nota 15/15 — indica rigor científico e forte potencial de impacto social.
O objetivo é direto: criar uma nova geração de ferramentas web gratuitas, intuitivas e alinhadas com a realidade de bairros, condomínios e pequenas empresas. Da concepção ao dimensionamento de sistemas fotovoltaicos partilhados, da gestão diária à manutenção e otimização, tudo deverá caber numa plataforma clara, com métricas que interessam a quem paga a fatura.
Esta visão responde às dores do terreno: processos legais confusos, orçamentos difíceis de comparar, e uma “caixa negra” na partilha dos kWh que corrói a confiança. Para comunidades que já tentaram organizar-se e ficaram pelo caminho, a proposta traz metodologia, transparência e um roteiro passo a passo.
Benefícios tangíveis para bairros e condomínios
Para um condomínio como o “Bairro do Cedro”, em que 40 famílias variam o consumo entre quem trabalha em casa e quem chega às 20h, o valor está em casar perfis de produção e uso. Um algoritmo que simule cenários e recomende regras de partilha retira horas à planificação e reduz conflitos entre vizinhos. Ao mesmo tempo, relatórios claros ajudam na tomada de decisão do administrador do prédio e na negociação com fornecedores.
O consórcio tem 20 parceiros académicos e industriais e será capitaneado pelos professores João Catalão e Cláudio Monteiro. A experiência acumulada em projetos como o EU-DREAM — também com classificação 15/15 — reforça a confiança de que as soluções não ficarão no papel. No conjunto, os dois projetos somam quase 10 milhões de euros de orçamento, com cerca de 1,2 milhões dirigidos diretamente à FEUP.
- 🔌 Menos burocracia: modelos de contratos e estatutos prontos a adaptar
- 📈 Simulações robustas: dimensionamento que equilibra custo, produção e autoconsumo
- 🤝 Regras claras: partilha de benefícios e custos sem zonas cinzentas
- 🛡️ Resiliência: integração opcional com baterias e gestão de picos
- 🌱 Escalabilidade: do telhado do prédio à rede de quarteirão
| ⚙️ Desafio | 💡 Solução INNO-TREC | 🎯 Resultado esperado |
|---|---|---|
| Processos legais complexos | Modelos e checklists prontos | Menos tempo de arranque ⏱️ |
| Dimensionamento incerto | Simulação multi-cenário | Investimento otimizado 💶 |
| Gestão opaca | Relatórios e auditoria | Confiança e adesão 👥 |
| Operação diária | Alertas e manutenção | Disponibilidade alta 🔁 |
Em síntese: projetos sólidos vencem barreiras quando transformam complexidade em rotinas simples e verificáveis — é essa a promessa concreta aqui.

Ferramentas digitais gratuitas do INNO-TREC: do estudo ao dia a dia da sua comunidade
O coração do projeto é um ecossistema de ferramentas web que acompanha todo o ciclo de vida de uma Comunidade de Energia Renovável. Do primeiro rascunho à operação, a plataforma deverá orientar escolhas com base em dados, e não em palpites. Para quem quer decidir bem sem perder meses a comparar folhas de cálculo, esta é a diferença entre avançar e desistir.
O percurso típico inclui quatro etapas: diagnóstico, desenho, implementação e operação. Cada uma pede dados e entrega recomendações acionáveis, com linguagem clara e documentação exportável para assembleias, entidades reguladoras e financiadores.
Do diagnóstico ao desenho: informação que vira decisão
Começa-se por carregar faturas, perfis horários e o mapa do telhado. A ferramenta identifica padrões, picos e oportunidades de deslocação de cargas. Em seguida, recomenda o layout fotovoltaico, potência, inversores, eventual bateria e a regra de partilha mais ajustada ao seu perfil (quota fixa, tempo de uso, prioridade social, entre outras).
- 📂 Importação fácil de dados das faturas e contadores
- 🗺️ Mapa do telhado com sombras e orientação
- 🧮 Simulação financeira com cenários conservador, base e ambicioso
- ⚖️ Regras de partilha comparadas lado a lado
- 📜 Documentos prontos para assembleia e regulador
| 🛠️ Módulo | 📊 Entrada | 🚀 Saída útil |
|---|---|---|
| Diagnóstico | Consumos, faturas, perfil | Mapa de oportunidades 🌟 |
| Desenho | Telhado, sombreamento | Layout PV e potência ótima ☀️ |
| Regras | Objetivos e perfis | Partilha justa e transparente ⚖️ |
| Financeiro | Custos e tarifas | Payback e sensibilidade 💹 |
| Operação | Telemetria | Alertas e manutenção proativa 🔔 |
Na implementação, a ferramenta gera um caderno de encargos com critérios técnicos e ambientais. Isto reduz desvios, assegura comparações justas entre propostas e traz durabilidade ao centro da decisão. Na operação, painéis com KPIs tornam visível o que importa: autoconsumo, excedentes, poupança, CO₂ evitado e desempenho por fração.
Para quem ensaia a integração com dispositivos de baixo consumo, vale olhar para soluções complementares exploradas no ecossistema FEUP, como captação fotovoltaica otimizada para interiores (DSSC) ou microgeração portátil, úteis em sensores de monitorização e medição local.
Ferramentas certas criam hábitos certos: ao alinhar dados, regras e prática, a comunidade ganha velocidade sem perder controlo.
Modelos transacionais e partilha de energia: justiça, transparência e incentivos locais
A grande questão de qualquer comunidade energética é simples: como partilhar valor de forma que todos sintam justiça e motivação para participar? O INNO-TREC vai testar novos mecanismos transacionais que equilibram previsibilidade com flexibilidade, reconhecendo diferenças de consumo e de contribuição de cada membro ao longo do dia e do ano.
Três linhas orientam essa partilha. Primeiro, transparência: cada kWh produzido e consumido é rastreável e auditável. Segundo, equilíbrio: combinar quotas base com ajustes horários evita distorções crónicas. Terceiro, inclusão: regras pensadas para não excluir quem consome menos ou quem tem menos disponibilidade de investimento.
Quatro abordagens de partilha que vale considerar
Não existe um “tamanho único”. O que existe é contexto e objetivos. Abaixo, quatro lógicas a explorar — e que as ferramentas do projeto deverão simular e comparar com clareza.
- ⚖️ Quota base + ajuste horário: cada membro tem um mínimo e ajusta-se por consumo em janelas específicas
- 🔁 Tempo de uso: quem consome quando há sol tem prioridade de partilha e preço
- 🎯 Objetivo social: bonificação a famílias vulneráveis mediante critérios transparentes
- 💠 Leilão interno suave: excedentes distribuídos por “lances” parametrizados e limites predefinidos
| 🧩 Modelo | 👍 Vantagem | ⚠️ Atenção |
|---|---|---|
| Quota + horário | Estabilidade e justiça percebida | Requer dados horários ⏰ |
| Tempo de uso | Incentiva deslocar cargas | Risco de penalizar ausentes |
| Objetivo social | Coesão comunitária 🤝 | Precisa de critérios claros |
| Leilão suave | Eficiência na alocação ⚡ | Complexidade de explicação |
Para o “Bairro do Cedro”, um híbrido quota + tempo de uso funcionou melhor na simulação: uma base que garante previsibilidade, mais bónus para quem liga máquinas de lavar entre as 11h e as 15h. O resultado? Mais autoconsumo, menos conflito e motivação para hábitos eficientes.
Contabilizar estes fluxos requer registos confiáveis. Algumas equipas do consórcio estudam trilhos de auditoria digital e mecanismos de ajuste mensal que fazem sentido para condomínios. Nada de linguagem cifrada: o foco está em dashboards que qualquer pessoa entende, com explicações de “se-isto-então-aquilo”.
Regras claras criam compromisso; compromisso, por sua vez, sustenta poupança e adesão prolongada.
Pilotos europeus do INNO-TREC: o que será testado e o que replicar já em casa
Seis países — Portugal, Grécia, Bélgica, Irlanda, Reino Unido e Itália — servirão de terreno de prova para validar tecnologia, modelos de partilha e arranjos jurídicos. A diversidade de climas, mercados e arquiteturas é uma vantagem: aprender com extremos acelera a curva de maturidade.
Em Portugal, espera-se foco em condomínios e bairros urbanos, com telhados mistos e mistura de cargas domésticas e serviços. A Bélgica deve testar regimes com maior granularidade tarifária, enquanto a Grécia oferece abundância solar e desafios de pico estival. Irlanda e Reino Unido trazem variabilidade climática e interesse em baterias comunitárias; Itália combina património histórico com ambição fotovoltaica.
Três aprendizagens antecipadas dos pilotos
Primeiro, o efeito “regra certa no contexto certo”: uma regra de partilha que brilha numa cidade pode falhar num meio rural. Segundo, a importância de manutenção e monitorização: pequenas perdas somadas matam a poupança. Terceiro, comunicação: assembleias com materiais pedagógicos reduzem tensões e mantêm a coesão.
- 🌍 Diversidade climática como laboratório natural
- 🧪 Comparação de regras em bairros reais
- 🧰 Manutenção preventiva como rotina, não exceção
- 🗣️ Pedagogia com materiais simples e objetivos
| 📍 País | 🔎 Foco esperado | 📌 Dica replicável |
|---|---|---|
| Portugal | Condomínios urbanos e gestão de vizinhança | Comece por um bloco-piloto 🧱 |
| Grécia | Altos níveis de radiação ☀️ | Priorize cargas diurnas |
| Bélgica | Granularidade tarifária | Analise janelas horárias ⏰ |
| Irlanda | Variabilidade climática 🌧️ | Considere bateria |
| Reino Unido | Integração com eficiência | Reduza perdas térmicas |
| Itália | Património + PV | Projetos discretos 🎨 |
Enquanto os pilotos avançam, há práticas que pode adotar já: auditorias energéticas simples, ajuste de horários de consumo, e pequenas soluções de captação para sensores de monitorização. O importante é criar “vitórias rápidas” que alimentem a motivação para investir em coletivo quando a plataforma estiver disponível.
Aprender com quem testa em climas e regras diferentes reduz erros caros — e acelera a maturidade da sua própria comunidade.
Como preparar a sua comunidade: passos, custos, riscos e truques que poupam tempo
Montar uma Comunidade de Energia Renovável exige método e clareza. Não é preciso ser especialista, mas é essencial organizar bem a informação e combinar técnica com relações humanas. Um roteiro pragmático reduz ruído e cria confiança desde o primeiro e-mail.
O caminho a seguir tende a funcionar em qualquer bairro urbano: diagnóstico, visão partilhada, desenho preliminar, decisão formal e operação. Em paralelo, é vital mapear riscos e ter um plano simples para tratá-los, desde atrasos de fornecedores a divergências sobre regras de partilha.
Roteiro prático em 8 passos
Comece pequeno, com um bloco-piloto e expectativas bem calibradas. Uma vez que a rotina esteja afinada, escale para outros telhados ou quarteirões. Abaixo, um guia que funciona em condomínios e cooperativas.
- 📣 Mobilizar: criar grupo de trabalho e canal de comunicação
- 📊 Levantar dados: faturas, perfis horários e sombreamento
- 🎯 Definir objetivos: poupança, autonomia, inclusão
- 🧭 Escolher regra de partilha: comparar 2-3 modelos
- 🧮 Simular: três cenários com sensibilidade
- 📜 Formalizar: estatutos, contratos e responsabilidades
- 🛠️ Instalar: caderno de encargos e aceitação técnica
- 📈 Operar: KPIs mensais e manutenção
| 🧱 Etapa | ⏱️ Tempo típico | 💶 Custo indicativo | 🔐 Risco e mitigação |
|---|---|---|---|
| Mobilização | 2–4 semanas | Baixo | Apatia → vitórias rápidas ✅ |
| Dados e objetivos | 3–6 semanas | Baixo | Dados incompletos → checklist 📋 |
| Simulação | 2–3 semanas | Médio | Expectativas → cenários 🎛️ |
| Formalização | 4–8 semanas | Médio | Clareza jurídica → modelos 🧾 |
| Instalação | 6–12 semanas | Alto | Atrasos → penalidades ⏳ |
| Operação | Contínua | Baixo | Perdas → manutenção 🔧 |
Há atalhos inteligentes. Use a plataforma (quando disponível) para comparar regras e exportar documentos. Adote sensores simples para monitorizar o desempenho mensal. E combine eficiência no edifício com a geração local: isolamento, janelas bem ajustadas e eletrodomésticos eficientes multiplicam os ganhos da CER.
Seja com telhado modesto ou com várias lajes, o que conta é a disciplina de processos e a comunicação entre vizinhos — o resto são detalhes técnicos que a boa ferramenta ajuda a resolver.
Se puder dar só um passo hoje: crie um grupo de trabalho e recolha três faturas de luz de cada interessado — energia organizada começa com dados simples e objetivos partilhados.
Fonte: noticias.up.pt


