Relógio do Apocalipse alerta para o fim da guerra de Trump contra as energias renováveis

O Relógio do Apocalipse voltou a aproximar-se da meia-noite e acendeu um sinal claro: travar as energias limpas é um luxo que o planeta já não suporta. A mensagem é urgente, mas as soluções são concretas, acessíveis e começam em casa, no bairro e nas escolhas políticas.

Se procuram um mapa simples para agir, o resumo seguinte dá direção e prioridades antes de mergulharem nos detalhes.

Peu de temps ? Voici l’essentiel : ⏱️
Ponto-chave: 85 segundos para a meia-noite exige acelerar eólica, solar e eficiência agora ⚡
Método: isolamento + bomba de calor + fotovoltaico + gestão de cargas = contas e emissões a cair 📉
Evite: atrasos regulatórios e mitos sobre “intermitência insolúvel” ❌
Bónus: comunidades de energia reduzem custos e criam resiliência local 🤝

Relógio do Apocalipse alerta para o fim da guerra de Trump contra as energias renováveis: porque agir agora reduz risco sistémico

O Relógio do Apocalipse é uma metáfora criada por cientistas para medir a proximidade de um colapso civilizacional. Atualizado anualmente desde meados do século XX, hoje marca 85 segundos para a meia-noite, o ponto mais próximo alguma vez registado. Não é superstição: é um sinal fundamentado em riscos reais, da proliferação nuclear à crise climática alimentada por combustíveis fósseis, passando pela desinformação que mina respostas coletivas.

O último ano trouxe dados que precisam de atenção. As concentrações de dióxido de carbono atingiram um máximo histórico, cerca de 150% acima dos níveis pré-industriais, empurrando o clima para novos extremos. Três anos seguidos acima do limiar de 1,5 °C pressionaram sistemas naturais e urbanos, com ondas de calor na Europa a provocar incêndios letais e a comprometer a saúde pública. Uma análise das universidades Imperial College London e LSHTM indicou que 68% das 24 400 mortes por calor no verão passado tiveram a marca das alterações climáticas.

Quando o ar aquece, retém mais humidade. Aproximadamente +7% de vapor de água por cada 1 °C a mais criam condições para chuvas intensas. Em vários países asiáticos, monções sobrepostas no outono causaram milhares de vítimas. Em regiões com desflorestação, como áreas de Sumatra, os danos foram agravados: as florestas ausentes deixaram de travar as cheias, expondo populações e infraestruturas. Isto mostra como o risco climático é sistémico, interligando energia, uso do solo e proteção civil.

Neste contexto, manter uma “guerra” às energias renováveis não é apenas uma escolha política; é um multiplicador de risco. Ao suspender concessões de projetos eólicos offshore e ao desmantelar políticas climáticas, a Administração norte-americana recente empurrou o mundo na direção errada. Um tribunal federal começou a corrigir a rota, permitindo avançar um grande projeto eólico em Massachusetts, quase concluído. Ainda assim, cada mês perdido atrasa empregos, tecnologia, investimento e, sobretudo, desperdicia tempo na frente climática.

O contraponto europeu, com eólica e solar a gerarem pela primeira vez mais eletricidade do que os combustíveis fósseis, mostra a direção exequível. Um think tank indicou que, em cinco anos, a participação fóssil caiu de 36,7% para 29% na eletricidade da UE, enquanto eólica + solar subiram para 30%. O avanço não é linear – eólicas enfrentaram um ano mais fraco – mas a tendência é inequívoca. Quando se investe, o sistema aprende, reduz custos e torna-se mais resiliente.

O que significam 85 segundos para a meia-noite para a sua energia diária

Para uma família ou condomínio, 85 segundos não são um filme apocalíptico; traduzem-se em contas de energia mais voláteis, picos de calor e frio mais severos e interrupções que cobram fatura. Em linguagem simples: eficiência e energias limpas tornam a casa mais confortável, reduzem despesas e protegem contra crises energéticas. Quem aposta em isolamento, bombas de calor e produção local de eletricidade ganha autonomia e previsibilidade.

Há outra peça crucial: desinformação. Quando líderes mundiais dizem que países que usam eólicas são “perdedores” ou afirmam que a China não investe em renováveis — apesar de ter instalado o maior parque eólico do mundo —, criam ruído que atrasa decisões. A resposta certa é simples: comparar custos, fiabilidade e impacto real na sua rua, não em slogans.

Perante estes sinais, vale a pena entrar na próxima parte: como travar a escalada de risco através de escolhas energéticas inteligentes e políticas públicas que funcionam no terreno.

relógio do apocalipse sinaliza o fim da batalha de trump contra as energias renováveis, destacando mudanças importantes no cenário energético global.

Relógio do Apocalipse alerta para o fim da guerra de Trump contra as energias renováveis: custos reais de travar eólica e solar

Adiar projetos de eólica e solar cobra três contas ao mesmo tempo: fatura energética mais cara, atraso tecnológico e vulnerabilidade climática. Quando se suspende a ligação de parques offshore ou se retiram apoios sensatos à eficiência, as famílias pagam mais pelo kWh e a economia perde empregos qualificados. É um mau negócio, sobretudo quando as alternativas já são competitivas sem subsídios permanentes.

Considere um condomínio típico de 24 frações, com elevadores, iluminação de garagem e bombas de água. Sem gestão, o consumo concentra-se nas horas mais caras. Ao instalar fotovoltaico no telhado, trocar fluorescentes por LED e ajustar os horários de bombas, é comum cortar 20–35% da fatura comum. Se forem incluídas tomadas inteligentes para carregamento de viaturas e aquecimento de águas em horas de excedente solar, os ganhos aumentam. Aqui não há magia: há engenharia aplicada e medição mensal.

A nível macro, a suspensão de eólicas offshore nos EUA foi um tiro no pé industrial. Cadeias de valor para torres, cabos e fundações precisam de cadência e previsibilidade. Quando o investimento é congelado, fornecedores perdem encomendas, estaleiros param e competências dispersam-se. O mercado europeu entendeu a lição e prepara um “reservatório de energia limpa” no Mar do Norte, com interligações multi-país que reduzem custos e equilibram produção. São infraestruturas do século XXI, comparáveis em importância às grandes barragens do passado.

Há também um custo financeiro oculto: o risco regulatório. Projetos que param a meio encarecem o capital para futuros empreendimentos. Taxa de juro + incerteza = energia mais cara. Ao contrário, estabilidade regulatória baixa spreads, atrai fundos de pensões e seguros, e transforma a transição energética numa oportunidade de investimento segura para décadas. Famílias beneficiam através de tarifas previsíveis e programas de autoconsumo com regras claras.

Num estudo de caso do “Condomínio Atlântico”, em Cascais, a combinação de 40 kWp fotovoltaicos, isolamento de cobertura e uma bomba de calor central para AQS reduziu a despesa anual comum em cerca de 32%. A estratégia incluiu um contrato de fornecimento que valoriza excedentes solares em horários de baixa procura e um plano de manutenção simples: limpar painéis duas vezes por ano e monitorizar consumos com uma plataforma digital. Em paralelo, as frações adotaram janelas com vidro baixo emissivo, melhorando conforto no verão e inverno.

Quando se fala em interditar eólicas “por princípio”, perde-se de vista o básico: diversificação reduz risco. Eólica em terra, no mar, solar em telhados e solos degradados, geotermia em locais favoráveis, hidro com modernização — cada tecnologia cobre uma parte da carga e do perfil horário. A combinação inteligente, apoiada por armazenamento e gestão de procura, cria um sistema elétrico que aguenta dias nublados e noites sem vento com custos competitivos.

Em síntese, acabar com a guerra às renováveis significa baixar contas, criar empregos qualificados, estabilizar cadeias industriais e reduzir riscos climáticos. É o pacote mais sensato quando o relógio corre contra nós.

Relógio do Apocalipse e a sua casa: roteiro prático para cortar emissões e contas sem perder conforto

Se o objetivo é empurrar os ponteiros para trás, o primeiro campo de ação é a habitação. Em edifícios novos e existentes, há uma sequência de medidas que funcionam repetidamente. O segredo é combinar eficiência com produção local e gestão inteligente, transformando consumos dispersos numa orquestra sincronizada.

Começar pelo envelope: isolamento, estanqueidade, janelas

Antes de comprar tecnologia, vale a pena perder menos energia. Isolar coberturas e paredes, selar infiltrações e instalar janelas com rutura térmica e vidros de baixa emissividade reduz a necessidade de aquecimento e arrefecimento. Em climas mediterrânicos, proteções solares exteriores (brises, estores, árvores de folha caduca) cortam os ganhos térmicos de verão, diminuindo horas de ar condicionado. Em reabilitação, placas de cortiça ou fibras vegetais oferecem bom desempenho e baixo impacto.

Equipamentos que transformam cada kWh em conforto

As bombas de calor de alta eficiência, bem dimensionadas, cobrem AQS e climatização com COPs elevados, especialmente em edifícios bem isolados. Combinadas com ventilação mecânica com recuperação de calor, mantêm qualidade do ar interior e controlam humidade. Em cozinhas, fogões de indução aumentam segurança e eficiência, e a substituição de caldeiras antigas por equipamentos elétricos bem geridos prepara a casa para uma rede cada vez mais limpa.

Produção e gestão: fotovoltaico, baterias e carga inteligente

Instalar fotovoltaico no telhado ou fachada capta valor imediato, sobretudo quando há cargas deslocáveis (AQS, carros elétricos, máquinas de lavar). Baterias domésticas ou comunitárias absorvem excedentes e sustentam picos de noite. A cereja no topo é a gestão de cargas: aquecer água ao início da tarde, carregar viaturas em horário solar e programar A/C para pré-arrefecer a casa antes de um pico.

  • 🔧 Passo 1: diagnosticar perdas com uma auditoria energética simples
  • 🌡️ Passo 2: reforçar isolamento e resolver infiltrações
  • ⚙️ Passo 3: adotar bomba de calor e VMC com recuperação
  • ☀️ Passo 4: instalar fotovoltaico e, se fizer sentido, bateria
  • 📲 Passo 5: automatizar cargas e aderir a tarifa inteligente
  • 🤝 Passo 6: participar numa comunidade de energia local

Em edifícios multifamiliares, comunidades de energia permitem partilhar produção entre vizinhos, reduzindo perdas e aumentando o autoconsumo coletivo. É uma forma prática de democratizar a transição, com ganhos imediatos para quem mora no rés-do-chão e para quem tem cobertura disponível.

Para inspirar e orientar, o espaço Ecopassivehouses.pt reúne experiências de obra, detalhes de materiais naturais, exemplos de monitorização real e guias práticos para cada passo, sempre com foco em soluções testadas no terreno. A ideia é simples: menos teoria abstrata e mais ações que vocês podem implementar nas próximas semanas.

Resultado esperado? Uma casa que consome menos, custa menos a operar e resiste melhor ao calor e ao frio extremos. Isto é conforto e segurança energética traduzidos em metros quadrados e euros por mês.

Relógio do Apocalipse: políticas e investimentos que atrasam os ponteiros e aceleram a transição

Famílias e edifícios fazem muito, mas a escala que o relógio exige requer também incentivos e investimentos bem desenhados. A recomendação é clara: congressos e parlamentos devem rejeitar ataques às renováveis e aprovar medidas que reduzam rapidamente o uso de fósseis. Na prática, isso significa acelerar redes, simplificar licenças, garantir previsibilidade e mobilizar capital.

Medida 🧭 Impacto esperado ⚡ Quem atua 👥 Prazo ⏳
Leilões estáveis para eólica/solar Queda de preços e segurança industrial Governo/Regulador 1–3 anos
Simplificação de licenças Projetos no terreno mais rápido Agências locais 6–18 meses
Redes e interconectores (MPIs) Menos curtailment, mais fiabilidade Operadores de rede 2–6 anos
Incentivo a baterias e flexibilidade Picos controlados, tarifas mais baixas Regulador/Comercializadores 1–2 anos
Comunidades de energia Autoconsumo local e inclusão Municípios/Cidadãos 6–24 meses
Reabilitação térmica de edifícios Corte de consumo 30–60% Proprietários/Estado 1–5 anos

Os exemplos recentes mostram que quando há visão, a maré vira. Dez países europeus comprometeram 9,5 mil milhões de euros para transformar o Mar do Norte num centro global de energia limpa ligado a múltiplos países. O objetivo é abastecer cerca de 143 milhões de lares até 2050, criando redundância e aproveitando melhor a variabilidade do vento. Ao mesmo tempo, a UE ultrapassou a barreira simbólica em que eólica + solar superaram a eletricidade fóssil. Estes marcos importam porque criam confiança, alinham investimento e fixam o talento onde faz diferença.

Do outro lado do Atlântico, a decisão judicial que permite avançar um grande projeto offshore em Massachusetts é um lembrete: Estado de direito e estabilidade regulatória são tão importantes quanto turbinas e inversores. Quando o Congresso bloqueia tentativas de desmantelar políticas climáticas e aprova incentivos bem calibrados a soluções maduras, a curva de aprendizagem acelera. A conta final para consumidores cai e o Relógio do Apocalipse ganha segundos preciosos.

Em suma, as políticas certas criam escala, a escala cria preço baixo e o preço baixo cria adesão social. É este ciclo virtuoso que precisamos de ativar, sem promessas mágicas e com seriedade orçamental.

Relógio do Apocalipse e a batalha da informação: como responder a mitos que atrasam a transição

Em momentos de ansiedade, é tentador acreditar em slogans fáceis. Porém, a desinformação energética tem custos. Vejamos três mitos populares e respostas práticas que vos ajudam a decidir com base em factos.

“A China não investe em renováveis, eólicas são para perdedores”

Os dados mostram o contrário. A China instalou o maior parque eólico do mundo e lidera em solar fotovoltaico, impulsionando descidas globais de custo. Chamar “perdedores” a países que usam eólicas ignora a economia real: onde o vento sopra, a eletricidade é barata e a indústria ganha competitividade. Na Europa, eólica e solar já ultrapassaram combustíveis fósseis na geração elétrica anual — esse é o placar que conta.

“Intermitência torna as renováveis inviáveis”

Intermitência é um desafio técnico, não um bloqueio. Três ferramentas tratam do assunto: diversificação geográfica (vento e sol distribuídos), armazenamento (baterias, bombagem) e flexibilidade do lado da procura (cargas deslocáveis, tarifas dinâmicas, V2H). Interconectores multiuso no mar partilham produção entre países, suavizando variações. Em casa, programar AQS e carregamento de viaturas para horas de sol transforma intermitência em oportunidade de poupança.

“Eólicas matam muitos pássaros e arruínam paisagens”

A mortalidade aviária por eólicas é muito inferior à causada por prédios envidraçados, tráfego e gatos domésticos. Tecnologias de deteção e paragem seletiva reduzem impactos em rotas sensíveis. Sobre paisagem, o planeamento é chave: priorizar offshore, corredores industriais e zonas já transformadas, e partilhar benefícios com comunidades. O debate estético é legítimo; a resposta não é travar tudo, é fazer bem.

Há ainda o mito do “carro elétrico polui mais por causa da bateria”. Com redes cada vez mais limpas e taxas de reciclagem a subir, o ciclo de vida do elétrico já é mais baixo em emissões do que o de combustão na maioria dos países europeus. Onde a eletricidade ainda é fóssil, a solução não é desistir do elétrico — é limpar a rede e acelerar renováveis.

Finalmente, “renováveis são caras”. O LCOE de eólica e solar caiu de forma dramática em 10 anos. Hoje, muitos projetos entregam energia a custos inferiores aos de novas centrais fósseis, mesmo antes de contabilizar o preço do carbono. Quando alguém repetir o mito, perguntem: quanto custa o gás em pico? Quem paga os incêndios, as cheias e as ondas de calor agravadas pelos fósseis?

Responder com factos, empatia e exemplos concretos desarma narrativas que tentam atrasar soluções. Informação certa é ferramenta de resiliência tanto quanto um painel no telhado.

Ação simples para começar hoje: escolham um passo do roteiro — por exemplo, agendar uma auditoria energética ao vosso edifício ou comparar propostas para 3 kWp de fotovoltaico — e definam uma data esta semana. Pequenas decisões, repetidas, recuam os ponteiros do Relógio mais do que se imagina.

Source: pt.euronews.com

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