Fim do Boom da Energia Solar: Instalações de Painéis em Portugal Caem 21% em 2025

O ritmo de novas instalações solares em Portugal abrandou de forma clara, com uma quebra de 21% face ao ano anterior. Isso não significa o fim da energia solar, mas exige decisões mais inteligentes sobre quando, como e porquê instalar.

Peu de temps ? Voici l’essentiel :
Instalações caíram 21% e somam cerca de 1,7 GW em 2025, num contexto europeu também em desaceleração 📉
Rede congestionada, PPAs mais fracos e preços grossistas baixos estão a atrasar novos projetos ⚡
Para quem é particular, autoconsumo bem dimensionado e gestão de cargas continuam a compensar 💡
Bónus: prepare a sua casa para o futuro com baterias-ready, pré-cablagem e contratos dinâmicos 🔋

Queda de 21% nas instalações: o que mudou e como se adaptar ao novo ciclo da energia solar

Os dados mais recentes apontam para um abrandamento: Portugal deverá adicionar 1,7 GW de nova capacidade solar este ano, contra 2,1 GW no ano anterior (valores em corrente contínua). Trata-se de uma pausa após um ciclo de expansão acelerada, que acompanha a tendência europeia de estabilização.

Na União Europeia, a adição anual caiu para 65,1 GW (face a 65,6 GW no ano anterior), registando o primeiro recuo desde 2016. O segmento residencial foi o que mais arrefeceu: passou de cerca de 28% das novas instalações em 2023 para 14% agora. O contexto não é de retrocesso tecnológico, mas de maturidade do mercado e necessidade de novas regras e mais rede.

O retrato nacional mantém, ainda assim, sinais robustos. A capacidade acumulada atinge cerca de 8,2 GW (44% descentralizada e 56% de larga escala), com Portugal a figurar no top 10 europeu em evolução anual. Em paralelo, a eletricidade de origem renovável representa aproximadamente 77% do mix, colocando o país entre os mais avançados da Europa em limpos.

descubra como o fim do boom da energia solar impacta portugal: instalações de painéis solares caem 21% em 2025, refletindo mudanças no mercado energético e desafios futuros.

Causas do abrandamento: rede, contratos e preços

O primeiro travão vem da congestão da rede elétrica. Há projetos prontos ou quase prontos, mas que aguardam reforços de infraestrutura e pontos de ligação. Em paralelo, a menor atividade de PPAs (contratos de venda a longo prazo) reduz a previsibilidade para investidores, sobretudo em centrais utilitárias.

Some-se a isto a queda nos preços grossistas de eletricidade, que pressiona a rentabilidade de novos projetos de grande escala. O resultado é uma fila de planos licenciados ou com conexão atribuída (cerca de 20 GW), sem execução à velocidade desejada.

O espelho europeu: campeões, recuos e sinais de reequilíbrio

A Alemanha continua líder, adicionando mais de 17 GW e acumulando cerca de 119 GW. Espanha somou cerca de 9,2 GW (total próximo de 55,4 GW), com taxas de crescimento mais tímidas. França surpreendeu com um salto de 17% nas novas instalações (mais 6,7 GW), enquanto a Itália recuou 16% (cerca de 5,2 GW adicionados). Destaque para Roménia (+45%) e Bulgária (+34%), e para a maior quebra nos Países Baixos (-34%).

Em Portugal, a desaceleração coloca o país abaixo do pico do ano anterior, mas mantém-no competitivo no pelotão europeu. Em termos práticos, há menos euforia e mais análise fina de cada decisão, sobretudo do lado do consumidor.

Exemplo realista: o condomínio do Minho

Um condomínio em Valença tinha planeado 40 kWp partilhados. O constrangimento de ligação à rede levou a uma solução faseada: primeiro, autoconsumo partilhado com 18 kWp, priorizando consumos diurnos (bombagem, portões, iluminação), e apenas depois a expansão para o telhado nascente. Resultado? Melhor taxa de autoconsumo desde o primeiro dia e retorno mais estável.

Mensagem-chave: projetos por etapas e gestão de cargas vencem a incerteza da rede. Um passo de cada vez, sem desperdício.

Impacto para proprietários: quando compensa instalar painéis em 2025 e como otimizar o retorno

Para quem pensa no telhado da sua casa, a pergunta central não é “o mercado desacelerou?”, mas sim: “o meu perfil de consumo justifica a instalação agora?”. A resposta depende da sua curva de uso, do tarifário e da possibilidade de ajustar hábitos para consumir quando há sol.

Em cenários de preços grossistas mais baixos, o valor da energia injetada na rede diminui. Assim, a chave está no autoconsumo: consumir no momento em que se produz. Um sistema que atinja 70–85% de autoconsumo mantém retornos sólidos, mesmo quando a venda à rede não compensa tanto.

Gestos simples que mudam a equação

Programar a máquina de lavar para a hora solar, ativar o termoacumulador ao meio-dia e carregar o veículo elétrico em período de maior produção são decisões que aumentam a taxa de autoconsumo. Estes gestos reduzem o tempo de retorno sem exigir mais módulos no telhado.

Num T3 com fatura de 90–120 €/mês, um sistema de 3,6 a 4,5 kWp, microinversores e estrutura battery-ready é frequentemente o ponto ótimo. O investimento é controlado, a produção acompanha o consumo típico e a expansão futura fica prevista.

Exemplo comparativo de retorno

🏠 Cenário ⚡ Sistema 🔁 Autoconsumo ⏳ Payback estimado
T3 litoral suave 3,6 kWp + microinversores 75–80% 6–8 anos
Moradia com VE 5 kWp + wallbox solar 80–85% 5–7 anos
Apartamento com cobertura comum 2–3 kWp partilhado 60–70% 7–10 anos

As estimativas variam com padrões de consumo, radiação local e tarifários. A ideia essencial mantém-se: dimensionar pelo consumo, não pela área disponível, e priorizar flexibilidade.

  • 🔌 Faça um levantamento de cargas por horário (a cada 30 minutos, se possível) para casar produção e consumo.
  • 🧠 Escolha inversores com monitorização e APIs abertas: dados são euros.
  • 🛠️ Pre-cablagem para baterias: mesmo que só instale mais tarde, fica preparado.
  • 📈 Considere tarifários dinâmicos para aproveitar variações de preço.

Se o objetivo é poupar, comece pelo essencial: alinhar o sistema com o seu perfil. Depois, evolua com baterias ou carregamento inteligente quando fizer sentido.

Rede elétrica, PPAs e regras: como desbloquear projetos, comunidades e confiança

Projetos residenciais e de bairro beneficiam quando a infraestrutura e as regras são claras. O reforço da rede, a digitalização de licenças e a transposição de diretivas europeias são peças do mesmo puzzle. Enquanto isso não chega totalmente, há muito que pode ser feito a nível local.

Do lado do sistema, a prioridade está em aprovar e executar os planos de investimento na rede, garantir acordos de ligação transparentes e criar mercados de flexibilidade onde pequenos produtores e armazenamento participem com remuneração justa.

Comunidades de energia: o bairro como central renovável

Imagine um quarteirão em Leiria, com telhados em três edifícios e consumos em horários distintos. Uma comunidade de energia permite partilhar produção, aumentando o aproveitamento local. Com contadores inteligentes e regras simples, a energia circula entre vizinhos e a rede vê menos picos.

Em Portugal, as comunidades estão a ganhar tração, mas pedem simplificação: contratos-tipo, plataformas digitais de adesão e clareza fiscal. Quando tudo é previsível, mais famílias aderem, os investimentos tornam-se viáveis e os benefícios sociais expandem-se.

PPAs e empresas: âncora para confiança

Pequenos e médios negócios, escolas e lares podem usar PPAs on-site (no telhado) ou PPAs virtuais para estabilizar custos. Mesmo num contexto de preços em queda, um PPA bem desenhado reduz a volatilidade e permite planeamento. A indústria sabe: previsibilidade vale tanto quanto preço.

Para o consumidor final, o paralelo é simples: um contrato de longo prazo com tarifa adequada ao seu perfil cria paz de espírito e acelera o retorno.

  • 🧩 Digitalize licenciamento: menos passos, mais obras no terreno.
  • 🔗 Acelere ligações à rede com janelas de conexão e critérios públicos.
  • 🤝 Promova o diálogo local para aumentar a aceitação dos projetos.
  • ⚖️ Transponha a RED III e estabilize regras para comunidades e armazenamento.

Enquanto o quadro sistémico se ajusta, o nível do “telhado” continua a oferecer oportunidades concretas e imediatas.

Estratégias de projeto para casas: tirar partido da pausa para construir melhor e gastar menos

Grandes saltos de mercado são empolgantes, mas é nas fases de reequilíbrio que se fazem os melhores projetos. Com menos pressão e mais informação, o desenho da sua instalação pode ser cirúrgico: maximiza-se a eficiência sem gastar além do necessário.

O trio que faz a diferença: arquitetura passiva, gestão de cargas e integração solar inteligente. Ao afinar estes três, reduz-se a base de consumo e aumenta-se o valor de cada kWh solar.

Arquitetura passiva e integração dos painéis

Sombras bem desenhadas, ventilação cruzada e vidro correto derrubam picos de arrefecimento. Telhados com inclinação de 15–25º e orientação sul/sudoeste oferecem boa produção ao longo do ano, mas coberturas leste/oeste equilibram a curva diária e são ideais para autoconsumo contínuo.

Na estética, integram-se módulos com moldura preta, ajusta-se a trama e centralizam-se passagens técnicas para evitar cabos visíveis. Um projeto que respeita a casa valoriza o imóvel e reduz manutenção.

Gestão de cargas e equipamentos que “falam” entre si

Bombas de calor com controlo fotovoltaico, termoacumuladores com resistências moduladas e wallboxes que otimizam carga por excedentes transformam produção em conforto real. Medidores de energia no quadro elétrico permitem que o inversor saiba, a cada segundo, como priorizar fluxos.

Com estes elementos, mesmo sistemas médios (3,6–5 kWp) conseguem taxas de autoconsumo elevadas sem necessidade imediata de baterias. Quando as instalar, o restante ecossistema já está preparado.

Estudo de caso: Ana e Miguel, moradia em Évora

Ana e Miguel tinham picos de consumo ao final do dia. O projeto incluiu 4,2 kWp em duas águas (leste/oeste), termoacumulador com controlo PV e wallbox “excedente-only”. Em três meses, a taxa de autoconsumo subiu para 82%, o conforto melhorou e a fatura caiu sem “overbuild”.

Insights práticos: monitorizar primeiro, dimensionar depois, e apenas então evoluir com baterias. É a via mais eficiente e económica.

Quando o sistema é pensado como um todo — casa, hábitos e tecnologia — a pausa do mercado deixa de ser ameaça e torna-se oportunidade.

Perspetivas 2026–2030: metas, números e decisões inteligentes para a sua casa

O estudo europeu projeta Portugal a caminho de cerca de 19 GW instalados até ao fim da década, ligeiramente abaixo da meta oficial (aprox. 20,8 GW). Para lá chegar, seria necessário instalar em média 3,5 GW/ano. É um desafio, mas não um travão definitivo para quem pensa no telhado da sua casa.

Há alavancas à mão: hibridização de parques existentes, repotenciação com painéis mais eficientes, autoconsumo residencial e empresarial, e novas formas de participação como comunidades de energia. A maturidade do mercado tende a separar o essencial do acessório e a valorizar a qualidade do projeto.

O que esperar e como agir hoje

Ao nível da UE, a meta de 750 GW para 2030 parece distante, com projeções em torno de 718 GW. Isso reforça a importância de políticas que acelerem flexibilidade e armazenamento, garantindo que a energia solar continue a liderar a transição.

Para si, o foco continua a ser um: autoconsumo bem afinado. Em fases de preços voláteis, sistemas dimensionados ao consumo, preparados para baterias e com gestão inteligente de cargas trazem retorno estável e conforto diário.

  1. 🗺️ Mapeie os seus consumos (manhã, almoço, fim de tarde) antes de pedir orçamentos.
  2. 📐 Peça 2–3 propostas com simulação de autoconsumo e plano de expansão.
  3. 🔋 Exija “battery-ready” e monitorização granular por circuito.
  4. 🌡️ Integre a bomba de calor e AQS no horário solar.
  5. 🔌 Considere tarifa dinâmica e wallbox com modo excedente.
  6. 🧭 Consulte fontes fiáveis, como Ecopassivehouses.pt, para soluções testadas no terreno.

Se guardar apenas uma ideia, que seja esta: o fim do boom não é o fim da poupança. É o início de projetos mais sábios, desenhados para a sua casa e para o seu dia a dia. A ação simples de hoje? Registe os seus consumos desta semana e peça um dimensionamento pelo autoconsumo — é meia hora que pode poupar-lhe anos.

Source: expresso.pt

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