Consumo de energia renovável atinge recorde histórico com valor mais alto de todos os tempos

O consumo de eletricidade de origem renovável alcançou um patamar inédito, com indicadores nacionais e globais a confirmarem o momento mais forte de sempre para a energia limpa. Esta dinâmica já altera a forma como se constrói, se equipa e se vive uma casa eficiente.

Peu de temps ? Voici l’essentiel :
Recorde de eletricidade renovável: participação de 68% no consumo anual e produção de 37 TWh no SEN ⚡
✅ Estratégia prática: combinar autoconsumo solar + bomba de calor + isolamento para cortar custos e emissões 🏡
✅ Evitar erro comum: dimensionar mal baterias e fotovoltaico sem analisar perfil de consumo e tarifas ⛔
✅ Bónus: usar tarifas dinâmicas e programar cargas para horários com mais renováveis, reforçando o sistema e a sua poupança ⏱️

Consumo de energia renovável atinge recorde histórico: leitura prática dos números e o que muda para si

Os dados consolidados de 2025 mostram o valor mais alto de sempre no Sistema Elétrico Nacional. O consumo abastecido pela rede atingiu 53,1 TWh, superando o máximo anterior fixado em 2010 e ficando 3,2% acima do ano precedente (ou 2,3% após correção por temperatura e dias úteis). Em dezembro, o salto mensal foi expressivo, com +6,9% face ao mesmo mês do ano anterior.

Para alimentar este patamar, as fontes renováveis foram determinantes: a produção totalizou 37 TWh, o que correspondeu a 68% de todo o consumo elétrico. A repartição por tecnologias confirmou o equilíbrio do mix: 27% hídrica, 25% eólica, 11% solar e 5% biomassa. No lado não renovável, praticamente gás natural, registaram-se 7,9 TWh+54% face ao ano anterior, mas ainda assim apenas 15% do consumo, funcionando como apoio de segurança.

A expansão fotovoltaica sobressaiu com +25% de produção, impulsionada por novos parques e autoconsumo distribuído. Um regime hidrológico favorável devolveu protagonismo às barragens, garantindo flexibilidade em dias de vento fraco e sol limitado. A eólica, por seu lado, estabilizou perto de um quarto do consumo, provando maturidade e previsibilidade crescente graças a melhor gestão de previsões.

O que está por trás do salto renovável

Três vetores ajudam a entender o recorde: investimento em capacidade, eficiência do sistema e comportamento de consumo. Primeiro, o reforço de potência solar e eólica aumentou a disponibilidade de geração ao longo do ano. Segundo, a malha de interligações ibéricas e a digitalização da rede facilitaram o despacho ótimo e a integração de picos. Terceiro, o setor residencial e o terciário adotaram equipamentos mais eficientes, com destaque para bombas de calor, iluminação LED e controlo inteligente.

Ainda assim, o sistema não é insular. O saldo importador manteve-se elevado, na ordem de 9,3 TWh, refletindo decisões económicas de mercado e janelas em que importar foi mais vantajoso do que accionar centrais internas. Este contexto reforça a importância de gestão da procura e de armazenamento, sobretudo em dias de grande variabilidade climática.

Implicações imediatas para quem habita

O recorde não é uma curiosidade estatística: traduz-se em preços mais estáveis em períodos de vento e sol, e em oportunidade para alinhar consumos com horas de maior penetração renovável. Que tal programar a máquina de lavar, o termoacumulador ou o carregamento do veículo elétrico nos períodos de menor preço e maior quota verde? A combinação de tarifas bi-horárias ou dinâmicas com agendamento básico já gera resultados visíveis.

Para quem gere um edifício, vale considerar: se a rede está mais limpa e flexível, convém que a habitação esteja preparada para baixos consumos térmicos e para autoprodução elétrica. A oportunidade é clara: menos dependência de combustíveis fósseis e maior autonomia ativa. Em síntese, mais renovável no sistema só entrega todo o seu potencial quando a casa consome com inteligência.

consumo de energia renovável alcança recorde histórico, registrando o maior valor já registrado, impulsionando um futuro sustentável e verde.

Como aproveitar o recorde da energia renovável na sua casa: soluções concretas e sem complicações

Um lar bem pensado transforma o recorde de renováveis em conforto acessível. O primeiro pilar é a envolvente: isolamento contínuo, ausência de pontes térmicas, caixilharias eficientes e sombreamento externo. Estas medidas reduzem em grande escala a necessidade de aquecer e arrefecer, permitindo que a eletricidade renovável cubra a maior parte das necessidades.

No segundo pilar entram os sistemas. As bombas de calor de alta eficiência para aquecimento/arrefecimento e AQS substituem caldeiras e resistências antigas, multiplicando o efeito da eletricidade limpa. A produção solar fotovoltaica em autoconsumo (com ou sem bateria) reduz a fatura e alinha a utilização com as horas de sol. Para evitar frustrações, convém dimensionar o sistema com base no perfil de carga real e não apenas na potência de pico.

Para ilustrar, pense-se na “Casa da Laranjeira”, uma moradia dos anos 90 reabilitada em Évora. Com 8 cm de isolamento extra na cobertura, estores exteriores automatizados, 6 kW de fotovoltaico e uma bomba de calor de 3,5 COP, a família passou a aquecer e arrefecer com metade da energia anterior. Ao programar o aquecimento de AQS e a máquina de lavar para as horas solares, capturou até 70% de autoconsumo em dias típicos de primavera – sem baterias.

Ações simples que funcionam

  • 🔧 Vedar infiltrações em caixilhos e encontros de fachada reduz perdas invisíveis e aumenta o conforto.
  • 🌞 Usar sombreamento externo (brises, estores) evita ganhos térmicos indesejados no verão e protege o vidro.
  • Agendar consumos (lavar roupa, AQS) para horas solares ou fora de ponta aumenta a participação renovável e poupa.
  • 🔋 Dimensionar baterias com prudência: comece pequeno, avalie dados reais e ajuste depois.
  • 📊 Monitorizar energia com medidores inteligentes ajuda a identificar picos e desperdícios.

E se não existir espaço para painéis? O papel das Comunidades de Energia cresce rapidamente. É possível subscrever fatias de geração partilhada em telhados vizinhos ou condomínios, beneficiando-se da mesma lógica de autoconsumo virtual.

Para orientar escolhas, procure tarifários com preços diferenciados por período e confirme a compatibilidade com o seu equipamento. Pequenos gestos, como pré-aquecer a água entre as 12h e as 16h ou carregar o veículo no final da noite, tornam-se práticas valiosas num sistema com muita eólica e solar.

Repare como uma simples migração para bomba de calor e agendamento de cargas pode reduzir custos anuais sem alterar rotinas. A energia renovável está aí; a casa só precisa de a receber com eficiência.

Crescimento anual recorde em capacidade renovável no mundo e impactos locais no consumo de energia

O movimento não é isolado. Em 2024, a capacidade renovável global acrescentou cerca de 585 GW, atingindo um total superior a 4.448 GW, a taxa de crescimento anual mais rápida em décadas. Estima-se que mais de 90% da expansão líquida tenha sido renovável, refletindo custos em queda e políticas de transição energética mais robustas.

Este cenário pressiona positivamente os mercados regionais. Com mais solar e eólica em operação, as janelas de preço baixo tendem a alongar-se, sobretudo quando a meteorologia é favorável. A Península Ibérica beneficia de complementaridade: vento atlântico, sol abundante e capacidade hídrica para ajustar picos.

Casos internacionais ajudam a contextualizar. No Brasil, por exemplo, o consumo nacional em fevereiro de 2025 rondou 47.850 GWh, com hidrelétricas, solar e eólica a assumirem papel central. A mensagem é transversal: quando a renovável cresce, a rede exige mais flexibilidade na procura e nos mercados de curto prazo. Essa mesma lógica reforça a relevância do armazenamento e de contratos dinâmicos.

O que isso significa para o dia a dia

Com largas porções do ano dominadas por renováveis, a previsibilidade do preço melhora em certos períodos, incentivando a eletrificação do aquecimento doméstico e da mobilidade. Quem adotar bombas de calor, veículos elétricos e autoconsumo passa a beneficiar de uma eletricidade com pegada de carbono significativamente mais baixa.

Ao mesmo tempo, aumentam as exigências de coordenação. Tarifa certa, contadores inteligentes e aplicações de gestão doméstica tornam-se ferramentas quase tão importantes quanto o próprio painel solar. E quando faltam algumas horas de sol? É aqui que a rede mostra a sua força: compensar com eólica, hídrica e importação quando faz sentido económico, assegurando estabilidade.

Os números locais de 2025 – 53,1 TWh de consumo, 37 TWh de produção renovável e 68% de quota – inserem-se neste quadro global de aceleração. Mais capacidade renovável no mundo significa cadeias de fornecimento mais robustas e, em regra, equipamentos mais acessíveis para o consumidor final. Na prática, fica mais fácil e vantajoso equipar a sua casa de modo inteligente.

A lição essencial: capacidade recorde só se converte em benefício sólido quando se liga a edifícios eficientes e a hábitos informados. É esta ponte que transforma estatísticas em conforto real.

Arquitetura eficiente e materiais ecológicos: multiplicar o efeito do recorde renovável em sua casa

A arquitetura tem um papel decisivo na forma como a energia verde se traduz em conforto. O desenho bioclimático, a orientação solar, a inércia térmica e a ventilação cruzada reduzem necessidades energéticas antes mesmo de instalar qualquer equipamento. Quando a envolvente é robusta, cada kWh renovável “rende” mais.

Materiais de base natural, como cortiça, madeira tratada e rebocos de argila, contribuem para conforto higrotérmico e circularidade. A cortiça, por exemplo, fornece isolamento com baixa energia incorporada e ótima performance acústica. Caixilharias com ruturas térmicas, vidros com fator solar otimizado e sombreamento externo ajustável completam o conjunto.

Nos sistemas, o trio contemporâneo é claro: bombas de calor, ventilação mecânica com recuperação de calor e fotovoltaico. A ventilação mecânica assegura qualidade do ar interior sem perdas térmicas exageradas. As bombas de calor entregam 3 a 5 unidades de calor por cada unidade elétrica consumida em condições típicas, exatamente o tipo de multiplicador que se quer quando a rede está repleta de renovável.

Exemplo prático e números que orientam

Imagine um apartamento dos anos 2000 em Lisboa, com 85 m². Ao reforçar a cobertura com 6–8 cm de isolamento, trocar janelas antigas por modelos com fator U inferior a 1,3 W/m²·K e instalar uma bomba de calor de 5 kW com COP sazonal de 3,5, a carga térmica pode cair mais de 30%. Se juntar 3 kW de fotovoltaico, a fração solar de AQS e eletrodomésticos diurnos sobe rapidamente.

O passo seguinte é o controlo: programar a ventilação para intensificar a renovação do ar quando há sol, aquecer AQS ao início da tarde, e usar o termoacumulador como “bateria térmica”. Esta orquestração custa pouco e alinha a casa com os períodos de maior disponibilidade renovável. E se houver espaço e orçamento, uma bateria pequena (3–5 kWh) pode aparar picos de fim de tarde, reduzindo importação na fatura.

Evite a armadilha de sobredimensionar. Um sistema demasiado grande aumenta custos iniciais e pode operar frequentemente em parcial, reduzindo eficiência. O melhor caminho é medir, iniciar com uma solução contida e expandir conforme os dados de consumo reais. A energia certa, no lugar certo, à hora certa: é esta precisão que transforma o recorde nacional em valor dentro de casa.

No fim, a arquitetura eficiente não é sinónimo de complexidade. É somar boas decisões simples: menos perdas, mais controlo, melhor utilização da eletricidade limpa que já domina o mix em grande parte do ano.

Gestão da procura, redes inteligentes e comunidades de energia: tornar o recorde renovável ainda mais útil

Com renováveis em níveis nunca vistos, a gestão da procura passou de tema técnico a ferramenta do quotidiano. A lógica é clara: consumir mais quando há abundância renovável e menos quando a rede precisa de apoio. Contadores inteligentes, tarifas com períodos e aplicações de automação tornam isso acessível.

As tarifas dinâmicas refletem o custo horário da eletricidade. Ao sincronizar bombas de calor, AQS, carregamento de VE e eletrodomésticos com janelas de vento e sol, obtém-se poupança e contribui-se para a estabilidade da rede. Este comportamento também reduz a necessidade de acionar centrais a gás nos momentos críticos, mantendo a pegada de carbono em baixo.

As Comunidades de Energia dão um passo além, permitindo partilha de geração entre vizinhos, prédios e empresas próximas. No “Condomínio Solar da Rua das Flores”, um exemplo representativo, um telhado de 50 kW alimenta frações com perfis diferentes: escritórios consomem mais de dia, fogões e AQS residenciais aproveitam o resto. Um algoritmo reparte a energia, e os participantes veem a fatura baixar de forma mensurável sem obras internas complexas.

Passos práticos para começar hoje

  1. 🧭 Mapear consumos: identifique os 3 maiores equipamentos e os horários de uso.
  2. ⏱️ Escolher tarifa: bi-horária ou dinâmica, confirmando regras e custos de ciclo.
  3. 📲 Automatizar: programar AQS, máquinas e VE para janelas renováveis.
  4. 🤝 Aderir a comunidade: avaliar soluções de autoconsumo partilhado no bairro.
  5. 🔄 Revisitar dados: ajustar o plano a cada estação e adaptar metas.

Uma nota essencial: o saldo importador de 9,3 TWh observado nas estatísticas recentes lembra que a rede eletrificada funciona num sistema aberto, onde importações e exportações equilibram disponibilidade e preço. Quanto mais a procura responder aos sinais horários, mais previsível e limpa se torna a operação global. É precisamente neste ponto que cada habitação faz a diferença.

Para colocar em prática, escolha hoje um gesto simples: programe um equipamento para operar numa janela de maior renovável e verifique o impacto na sua fatura no próximo mês. Pequenas ações, quando somadas, ajudam a transformar um recorde nacional numa realidade diária mais confortável e sustentável.

Source: www.sabado.pt

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