Os Estados Unidos anunciam a ambição de duplicar a capacidade de energias renováveis até 2035, consolidando um caminho de longo prazo para eletricidade mais limpa, estável e acessível. Para quem acompanha o design de casas eficientes e a transição energética, trata-se de um sinal claro: vale planear agora com metas e soluções práticas.
| Peu de temps ? Voici l’essentiel : | |
|---|---|
| Ponto | Resumo |
| ✅ Crescimento até 2035 🚀 | Capacidade renovável prevista para cerca de 1,06 TW, mais do que o dobro de 2024. |
| ✅ Solar e eólica ☀️💨 | Solar pode chegar a ~737,8 GW; eólica onshore a ~269 GW, puxadas por mandatos estaduais e PPAs corporativos. |
| ✅ Mix energético ⚡ | Carvão e petróleo em queda; gás natural (~620,9 GW) e nuclear (~102 GW) mantêm estabilidade do sistema. |
| ✅ Riscos e custos 💸 | Tarifas desde 2025 encarecem módulos, turbinas, baterias, aço e alumínio; planeamento e conteúdo local reduzem atrasos. |
Porque dobrar a capacidade renovável nos EUA até 2035 muda o jogo para casas eficientes
Dobrar a capacidade renovável num mercado elétrico tão grande quanto o norte-americano não é apenas uma meta de engenharia; é uma mudança de base para consumo, construção e cidades. Com um sistema mais limpo e previsível, as casas eficientes passam a beneficiar de eletricidade com menor intensidade carbónica e maior estabilidade de preços ao longo do dia. Isso permite modelos de autonomia energética mais racionais — combinando isolamento inteligente, solar no telhado e baterias menores, desenhadas para “aparar picos” e não para viver “off-grid”.
Estados líderes como Texas, Califórnia e regiões do Midwest já funcionam como “laboratórios a céu aberto”. Mercados com forte penetração de solar ao meio-dia e eólica à noite têm curvas de preço e emissões que favorecem casas passivas e equipamentos de alta eficiência. O público percebe isso na prática: aquecer água com bombas de calor às horas certas, carregar o carro elétrico quando o sol é abundante, programar a climatização sem comprometer o conforto. O resultado? Contas de energia mais previsíveis e uma casa que trabalha a favor da rede.
O que muda na conta de energia do consumidor
Com mais solar e eólica, as tarifas horárias tendem a valorizar flexibilidade. Em estados que já operam com preços dinâmicos, pequenas adaptações no uso doméstico geram ganhos claros. Um exemplo recorrente: programar a máquina de lavar e o carregamento do veículo para janelas com sobra de renováveis. Além de poupar, esse gesto equilibra a rede, reduzindo a necessidade de centrais caras em ponta. Em bairros inteiros, esse comportamento coordenado faz diferença — e tem sido explorado por cooperativas de energia com plataformas simples de participação.
Outra transformação vem da maior competitividade dos contratos de compra de energia corporativa. Grandes data centers, empresas de tecnologia e manufatura assinam PPAs de longo prazo que viabilizam projetos solares e eólicos, “ancorando” o custo da eletricidade. Mesmo que você não faça parte de um PPA, esse efeito “puxa” a oferta limpa para o sistema, com impacto indireto nas tarifas e nas emissões associadas ao seu consumo doméstico.
Casas passivas encontram redes mais limpas
Casas com bom envelope térmico, ventilação controlada e soluções bioclimáticas colhem dividendos num sistema que descarboniza. O pouco que consomem é, em proporção crescente, renovável. Além disso, a previsibilidade incentiva tecnologias como bombas de calor, que funcionam melhor em cenários estáveis e com tarifas de incentivo. Em empreendimentos recentes no Arizona e no Colorado, cooperativas de moradores provaram que reduzir picos com baterias comunitárias permite dimensionar geradores fotovoltaicos sem sobredimensiono, cortando custos de obra e manutenção.
No fim, a equação é de bom senso: se a rede fica mais limpa e flexível, o design da casa pode ser mais simples, robusto e económico, sem depender de sistemas redundantes. Isso eleva o padrão de conforto e diminui o risco para famílias e pequenas comunidades.
Em síntese, duplicar renováveis até 2035 não é um objetivo abstrato; é um convite para desenhar casas que funcionem com o pulso real da eletricidade do século XXI.

Projeções 2024-2035: solar, eólica e a reconfiguração do mix energético americano
Relatórios recentes apontam que os EUA, o maior mercado elétrico do mundo, caminham para mais que dobrar a capacidade renovável até 2035, saindo de cerca de 414,5 GW em 2024 para aproximadamente 1,06 TW. O motor principal é uma combinação de normas estaduais de portfólio renovável e padrões de eletricidade limpa, aliada a planos de recursos integrados de longo prazo e à demanda de PPAs corporativos. Esse conjunto de forças cria uma pista estável para investidores, apesar das mudanças federais e das pressões de custo.
Solar fotovoltaico em acelerada expansão
A energia solar deve crescer de cerca de 231,4 GW (2024) para aproximadamente 737,8 GW até 2035. Texas e Califórnia lideram, mas o Midwest surge como protagonista com leilões competitivos e linhas de transmissão que abrem novas zonas de produção. Em paralelo, telhados residenciais e comerciais amadurecem, apoiados por cadeias de O&M mais profissionais. Um padrão observado é o avanço de sistemas “solar + bateria”, permitindo autoconsumo otimizado e redução do backfeed em horários de saturação da rede.
Eólica onshore resiliente e offshore em compasso de espera
Na eólica em terra, a capacidade pode avançar de ~156 GW para quase ~269 GW até 2035, suportada por contratos de longo prazo e metas estaduais. Já a eólica offshore enfrenta uma travessia mais delicada. Questões regulatórias e decisões federais recentes provocaram suspensões temporárias em projetos emblemáticos como Empire Wind 1 (Nova Iorque) e Revolution Wind (Rhode Island/Connecticut). Ainda que o potencial offshore permaneça relevante, a previsibilidade dos cronogramas exigirá ajustes de licenciamento, financiamento e conteúdo local.
O papel de gás e nuclear na adequação da capacidade
Mesmo com a ascensão renovável, gás natural (~620,9 GW em 2035) e nuclear (~102 GW) seguem cruciais para estabilidade, inércia e serviços ancilares. Com a retirada de unidades a carvão e petróleo, essas fontes oferecem “lastro” ao sistema em períodos de baixa geração eólica/solar. A lógica é de complementaridade, não de competição direta: garantir que a rede acomode mais renováveis sem comprometer confiabilidade. Vê-se, assim, uma matriz mais diversificada e resiliente, reduzindo riscos de choques de oferta.
Para consumidores e construtores, esse cenário traduz-se em menor intensidade carbónica por kWh, tarifas mais dinâmicas e um mercado de equipamentos mais maduro. Em bairros piloto no Novo México, por exemplo, combinou-se telhado solar com bombas de calor modulantes e controlos simples de demanda; o resultado foi a queda de picos locais e número reduzido de chamadas técnicas, um ganho de conforto e gestão.
À medida que essas projeções saem do papel, novos padrões de projeto e operação de habitações tornam-se o padrão. Planeamento hoje poupa retrabalhos caros amanhã.
Impactos práticos para consumidores e construtoras: preços, empregos, materiais e inovação
Entre 2025 e 2030, os investimentos em renováveis nos EUA podem somar cerca de US$ 442,2 mil milhões, sinalizando um ciclo econômico robusto. Esse movimento traz efeitos colaterais positivos — como empregos qualificados em instalação, operação e manutenção — e desafios reais, especialmente na cadeia de fornecimento. Desde 2025, tarifas sobre módulos solares, turbinas, baterias, aço, alumínio e cobre alteraram o custo de capital, atrasando projetos e forçando revisões de cronogramas.
Para o consumidor final, esses movimentos podem parecer distantes, mas impactam o preço de sistemas residenciais e a disponibilidade de equipamentos. Em 2026, algumas regiões reportam prazos de entrega mais longos para baterias e inversores. A resposta prática é combinar planeamento antecipado com especificações flexíveis, mantendo opções equivalentes de fabricantes e privilegiando distribuidores com stock local. Em empreendimentos habitacionais, compras em lote e contratos com prazos bem definidos mitigam volatilidade.
Cadeia de fornecimento: o que observar na hora de decidir
Quem projeta ou reforma uma casa eficiente deve considerar a origem dos materiais e o suporte técnico regional. Um inversor comum com assistência a 50 km vale mais do que um modelo exótico sem rede de manutenção. O mesmo vale para janelas de alto desempenho, isolamento em fibras naturais e bombas de calor: peças, assistência e garantias são tão importantes quanto a eficiência nominal. Em 2026, fabricantes que abriram linhas de montagem nos EUA e no México ganharam tração por encurtarem prazos e reduzirem custos logísticos.
Há também uma mudança de mentalidade nas cooperativas de habitação. A “Cooperativa VerdeVale”, um caso ilustrativo no Texas, adotou um caderno de encargos com três pilares: materiais de baixa pegada, equipamentos com manutenção local e um plano de resposta à demanda. Assim, o condomínio comprou baterias comunitárias, diminuiu a necessidade de UPSs individuais e garantiu maior resiliência sem ultrapassar o orçamento.
Boas práticas que funcionam em obra e na vida real
- 🧭 Planeie cedo: encomende equipamentos críticos com antecedência e alinhe prazos de obra e ligação à rede.
- 🏷️ Prefira fornecedores com stock local: reduz tempo e risco de paragens por falta de peças.
- 🔁 Tenha alternativas equivalentes: liste 2-3 marcas compatíveis para inversores/baterias.
- 🧰 Foque na manutenção: garantia + assistência próxima valem mais do que ganhos marginais de eficiência.
- 🤝 Considere compras conjuntas: condomínios e cooperativas negociam melhor e padronizam soluções.
Na prática, o ganho está na soma de pequenas decisões assertivas, evitando surpresas de última hora. Quando a cadeia flui, o resultado é uma casa confortável e previsível durante todo o ano.
Riscos reais em 2026: tarifas, licenciamento e como não travar a meta de 2035
Nem tudo são ventos favoráveis. As tarifas federais aplicadas desde 2025 trouxeram incerteza de custos e rearranjaram prioridades de investimento. Desenvolvedores ajustaram projetos para maximizar conteúdo local e redesenharam cronogramas. Em paralelo, o licenciamento ambiental e de conexão continua a ser um gargalo: filas de interligação longas, estudos de impacto demorados e coordenação interestadual de transmissão exigem governança firme.
Nos projetos offshore, 2026 registou pausas temporárias em obras em curso, como Empire Wind 1 e Revolution Wind. Esses episódios evidenciam que o cronograma renovável não é linear. A solução passa por previsibilidade regulatória, reforço de capacidades técnicas dos órgãos licenciadores e melhoria dos modelos de partilha de risco entre promotores, fornecedores e financiadores.
Mitigações ao alcance de quem decide
Para os decisores públicos, acelerar autorizações com prazos claros e critérios técnicos uniformes cria um pipeline saudável. Para empresas e cooperativas, contratos com cláusulas de ajuste a tarifas, carteiras de fornecedores redundantes e testes de sensibilidade nos modelos financeiros protegem contra choques. O que conta é ter planos B e C, sem sacrificar a qualidade.
Há, também, um pilar pouco visível mas decisivo: transmissão e armazenamento. Levar eletricidade de onde o vento sopra para onde a demanda está exige linhas novas e modernização digital. Ao mesmo tempo, baterias utilitárias e comunitárias tornam-se peças centrais para absorver picos de solar e eólica. Em bairros que adotaram baterias partilhadas, a intermitência virou previsibilidade — e as gestoras locais reportaram menos quedas de tensão em dias extremos.
Por que isso interessa à sua casa? Porque um sistema com melhor “orquestração” reduz a necessidade de sobredimensionar tudo. Em vez de apostar em equipamentos gigantes, faz mais sentido uma casa bem isolada, com HVAC eficiente, solar dimensionado ao perfil e uma bateria moderada para enfrentar picos e cortes curtos. Menos custo de capital, mais performance diária.
Resumindo: reconhecer riscos não é ser pessimista; é o que permite atingir a meta de 1,06 TW com eficiência e menos sobressaltos no caminho.
Como tirar proveito agora: passos concretos para preparar a sua casa para a onda renovável dos EUA
Se o sistema vai ficar mais limpo e dinâmico, vale alinhar a sua casa a essa maré. O primeiro passo é sempre o envelope: isolamento, estanqueidade e sombreamento resolvem metade do problema. Com menos perdas, qualquer kW instalado rende mais. Depois, invista em equipamentos que “conversem” com a rede: bombas de calor com controle modulante, aquecimento de água com programação horária e termóstatos inteligentes com perfis de conforto realistas.
Sequência prática que funciona
1) Auditoria energética: medições simples e um mapa de prioridades. 2) Intervenções de baixo custo e alto impacto: vedações, cortinas térmicas, ajustes de ventilação. 3) Upgrade estrutural: isolamento de cobertura e paredes, janelas eficientes. 4) Sistemas ativos: fotovoltaico no telhado dimensionado ao consumo e bateria de 5–10 kWh para gerir picos. 5) Integração: app de automação que executa rotinas financeiras (carregar quando é barato, exportar quando faz sentido).
Para muitos bairros, o “pulo do gato” está na escala coletiva. Programas de solar comunitário e compras conjuntas reduzem custos de projeto, melhoram o atendimento pós-venda e padronizam peças, evitando o caos na manutenção. O condomínio “Bosque do Oeste”, caso ilustrativo no Arizona, adotou esta abordagem: faseou a instalação por blocos, garantiu stock de inversores compatíveis e treinou um prestador local. Em dois verões, baixou-se a demanda de pico sem sacrificar conforto — e a conta ficou previsível.
Finanças com os pés no chão
Em 2026, juros e prazos importam tanto quanto a eficiência. Um projeto bem estruturado combina parte de capital próprio com linhas de crédito alinhadas à vida útil dos equipamentos. Se o seu mercado oferece contratos dinâmicos de eletricidade, simule cenários: quando sua casa “come” kWh? Quais horários valem otimizar? Essa leitura define o tamanho de um sistema solar-bateria sensato, evitando tanto o sub quanto o superdimensionamento.
Para fechar, vale um lembrete: tecnologias mudam, princípios não. Casas confortáveis e de baixo consumo começam por bons materiais, detalhes bem executados e um plano de operação simples. Ao sincronizar a casa com a rede que os EUA estão a construir, vocês ganham robustez, previsibilidade e uma qualidade de vida que se sente todos os dias.
Ação de hoje: liste três medidas de eficiência no envelope, cote um sistema de bomba de calor compatível com tarifas horárias e peça dois orçamentos de solar-bateria com opções equivalentes de marca. Simples, concreto e pronto para o futuro. 💡
Source: www.forbespt.com


